Harley Pacheco de Sousa
Universidade São Marcos
São Paulo
2012
Publicado no endereço: http://pt.scribd.com/doc/53493953/A-etica-da-psicologia-sem-etica
Resumo: Este trabalho discute questões acerca da ética da psicologia utilizada como ferramenta para manutenção do modelo social vigente, enfatizando aspectos que demonstram com clareza a alienação e omissão a qual os conhecedores do saber dessa ciência impõem.
Palavras chave: Psicologia, Alienação, Modelo Social.
Abstract: This paper discusses questions about the ethics of the profession psychology used as a tool of the structure of existing social model, emphasizing the significant and compelling that clearly demonstrate the alienation and omissions known to the scholars of this science.
Keywords: Psychology, Alienation, Social Model.


Segundo o minidicionário da língua portuguesa Ética é a ciência que estuda os juízos morais referentes à conduta humana ou é a virtude caracterizada pela orientação dos atos das pessoas segundo os valores do bem e da decência pública.
Na concepção da palavra, segundo Figueiredo L.C, (1996) ética significa modo de ser, caráter ou comportamento, embora seja um sujeito feminino, segundo Figueiredo L.C, (1996) o termo é usado como adjetivo e nos remete espontaneamente sem precisar de muita reflexão ao âmbito das relações de um individuo com outros indivíduos humanos e não humanos. Nesse sentido, o termo parece implicar a considerações de princípios, valores, normas de ação e ideais, sendo que não se restringe apenas aos meios e fins no âmbito do conhecimento técnico.
Segundo Kant citado por LALANDE (1999) a ética é o juízo de decidir como uma norma deve ser aplicada em questões particulares e deve agir de modo que possa usar a humanidade, tanto em pessoa como na pessoa de qualquer outro como um fim e nunca apenas como um meio.
Para Aristóteles, ética está associada ao bem e deve buscar sempre a felicidade onde os fins justificam os meios.
Para Moore, Ge, (1975) ética é a investigação geral sobre aquilo que é bom, a ética tem por objetivo facilitar a realização das pessoas. Tem o objetivo de que o ser humano chegue a realizar-se a si mesmo como tal, isto é, como pessoa. A ética se ocupa e pretende chegar à perfeição do ser humano.
Como podemos perceber ética não é única e muito menos comum a todos os seres humanos. Existem conceitos que convergem e que parecem dizer que ela não só se reflete na diferenciação, mas participa da constituição pessoal da cada sujeito em suas relações.
Sendo um juízo é provável que em situações práticas a ética apareça diante de problemas que provocam certas reflexões como, por exemplo, o papel da mulher/feminismo, usos e abusos de animais, direitos das crianças, degradação do ambiente, guerra/paz, pesquisa em seres humanos, direito à saúde, alocação de recursos entre outras questões como a escravidão ou a situação de tratamento profissional no cotidiano e até em questões como alienação.
Alienação é um objeto premente em nossa sociedade, segundo Skinner (1987) a vida humana é difícil e as interações esperam sempre algo em beneficio de si mesma, a natureza provocada pelo homem reage de modo fugaz e devastador, sem piedade, existem coisas erradas no mundo, mas essas coisas não perturbam a todos, porém todos, inclusive quem tem condições financeiras favoráveis também são afetados porque apesar dos privilégios eles também estão inquietos ou deprimidos por não fazerem o que gostam ou por fazerem o que não gostam e isso é fruto do ambiente institucionalizado herdado responsável por engendrar o homem alienando. O estado corrompido e degradante explora o humano de tal modo que o sujeito se esquece de que é humano, pois tão entregues ao estado de alienação do trabalhador e dos empregadores.
O que Skinner tenta nos mostrar em sua obra “O que há de errado com o mundo ocidental” é que as pessoas não sabem de fato discriminar e que esse desconhecimento é produto da não analise das contingencias que proporcionam o não pensar sobre algo e o não pensar sobre algo é resultado de uma ideologia de empregados e empregadores.
As ideologias existentes são institucionalizadas como práticas culturais, segundo Skinner (1987) as práticas culturais mudaram e mudam amplamente, então, hoje sofremos situações que anteriormente a espécie estava livre e que se algo não for feito sofreremos ainda mais. Antes das propostas iluministas a sociedade era uma e atualmente com a emersão do capitalismo e da tecnocracia a sociedade vive outro momento muito pior porque o capitalismo, a tecnologia e as novas propostas da modernidade que vieram junto da proposta de igualdade, liberdade e fraternidade que prometiam abolir a servidão e os privilégios do clero e da nobreza se mostram diariamente incapazes de cumprir o que prometeram e essa pseudocapacidade de oferecimento falacioso mostra claramente que o mundo em qual vivemos é uma criação imperfeita das pessoas.
Analisando criticamente o atual estado das coisas podemos perceber que as religiões deixam a boa noticia dos primórdios e se vendem aos bons frutos e a comodidade que a honra, concupiscência e as finanças produzem estabelecendo assim forte vinculo com o regime social vigente, se permitindo inclusive serem usadas como aparelhos ideológicos com a pseudo idéia de ascensão espiritual, mas que na verdade entulha de falsas verdades e de erros das essências ou ações que são sempre compostas de diversas percepções confusas das coisas existentes na natureza convencendo e atribuindo a Deus as inabilidades humanas.
Analises históricas básicas mostram claramente que os ídolos e construtores de saberes, que os heróis e mártires, morrem todos de overdose, doenças sexuais ou desgraças horríveis nos emparelhando ideias que atribuem à intelectualidade essas peripécias. O emparelhamento de saberes que existem antes de nossa existência no sentido de serem criados por uma cultura anterior nos mostra que os mestres e filósofos estão em um completo estado de letargia e as políticas públicas são inescrupulosas, atribuindo a felicidade a conquista da honra e a concupiscência, mas não nos mostra ou nem sequer nos permitem saber que o saber oferecido é vulgarizado e que o produto final deste método de inserção de ideias é a massificação prazerosa do conhecimento enganoso, irrestrito e sedutor.
As escolas são os principais aparatos responsáveis por despertar e inserir saberes capazes de projetar mudanças e reivindicações, mas aparecem atualmente como meras instituições que servem para moldar o sujeito com as regras que na verdade vão inseri-los no modelo social atual opressor e tecnocrata, formando os terminais burros do sistema mais complexo, ensinando habilidades que em suma limita-se a meras ideologias.
O trabalho oferecido como dito anteriormente por Skinner (1987) é um produto da ideologia dos empregados e dos empregadores que afetam também a eles, portanto, é perceptível que na força do trabalho revela-se não apenas a reprodução, mas também a submissão ideológica organizada culturalmente seguindo uma lógica que quando se fala em sociedade se quer dizer institucionalizada. (BERGUER, PETER, L. 2002)
Segundo Berguer, Peter, L. (2002), algo é institucionalizado quando é submetido ao controle social. Institucionalização é um conceito, um valor impregnado com o objetivo de controlar e se a institucionalização não for bem engendrada ela precisa de mecanismos adicionais que chamamos de lei de sanção. Portanto, institucionalizar é fazer algo tornar-se hábito em determinada cultura cujo damos o nome de típico. Existem muitas coisas institucionalizadas em nossa sociedade, institucionalização não é um conceito que se mantém estagnado, mas na verdade sempre surgem novas perspectivas, ideias e coisas que são institucionalizadas.
Abordamos a religião, escolas trabalho, mas é necessário falar também que no mundo moderno a tecnologia se instaurou de tal modo que as novas gerações tem contato com algo que faz parte do mundo, ou seja, tecnologia institucionalizada que atua como forma de perpetuar as relações sociais, ou seja, manifesta pensamentos e padrões de comportamentos, é um instrumento de controle e dominação legitimada pela ciência e experimentação, que está sendo usada como modo controlador que segue um modelo de gerenciamento cientifica transformando a ciência em meio lucrativo para autocracia eficiente. Quando a tecnologia surgiu o objetivo era aliviar o que há de árduo para humanidade, mas essa ideia perdeu a essência e hoje é certamente um entre os mais eficientes mecanismos de transmissão de ideologias.
No estado atual das coisas tudo é aprisionado de modo a alienar. Tudo que parece prazeroso e que emerge como algo que agrade é inserido dentro duma perspectiva alienante a fim de esconder o real objetivo de determinadas coisas. São constituídos categorias de igualação, mas que na verdade exibem distinções, mostra-se o trabalhador frequentando os lugares pitorescos dos empregadores, lendo os mesmos jornais e provando das mesmas comodidades, porém, isso não indica o desaparecimento das desigualdades, mas apenas reforça a extensão com que as necessidades e satisfação aparecem. (ADORNO, T. W. 1996).
De fato passar para o individuo a responsabilidade pelas suas necessidades é a maneira mais eficaz de disseminar a ideologia, mais até do que propriamente mostrar a diferença. Atualmente a proposta de separação não é a mais eficiente, mas sim a socialização. (Ribeiro, D. 1995)
Diante dessa provocação surgiu à psicologia como ferramenta de transformação, de mudança de realidades, não importa se do modo experimental como do meu querido e ilustre professor Aroldo Rodrigues ou do modo sócio-histórico da professora Silvia Lane, mas o que importa é que no final das contas a psicologia deve de fato gerar transformações por meio de práticas transformadoras, mas essa perspectiva está a cada dia mais se perdendo, hoje o que é possível observar é um vendismo do saber psicológico oferecido pelas residências pseudointelectuais que formam profissionais tecnistas alienados que tem com objetivo sumo a transformação particular, ou seja, ascensão de uma classe para outra em vez de gerar praticas transformadoras que afetem toda a sociedade.
Mello (1975), Botomé (1979) e Campos (1983) citados por Yamamoto, O, H. (2012) constatavam e mostravam claramente fundamentados por pesquisas que o problema que o baixo alcance da psicologia proporciona, pois as propostas de intervenção em suma são geralmente realizadas em consultórios privados ou ampliados, mas que deixam desassistidas parcelas amplas da população, pois inclusive a clinica ampliada em comunidades não deixa de ser um tipo de consultório privatizado.
Yamamoto (2012) mostra claramente que os profissionais de psicologia clinica nada mais fazem do que propagar ideologias predominantes tecnocratas que mantém o atual estado das coisas porque a extensão das técnicas que a psicologia criou para as parcelas mais amplas da população e a sua capacidade de agente de transformação fica presumivelmente limitada dentro do espaço de inserção profissional chamada clinica.
Deve primeiramente ficar claro que não existe ideologias boas e segundo que uma teoria difere de uma ideologia por questões conceituais, uma teoria deve ser capaz de mostrar sobre o objeto de estudo tudo aquilo que a ideologia esconde ou simplesmente não mostra independentemente do método ser experimental, subjetivista ou dialético.
A psicologia clinica abandonou claramente seu objetivo primeiro e sumo que era a práxis transformadora e modificadora, atualmente o saber psicológico reside num calabouço intelectual acadêmico como mera disciplina componente de um modelo social falido.
Podemos perceber que o numero de psicólogos aumentou desde os anos 50, mas esse aumento não significa necessariamente desenvolvimento porque os psicólogos mesmo em campos das políticas públicas ficam presos a teorias realizando diagnósticos em vez de usar o saber para desenvolver práticas que não imputem ao sujeito responsabilidades da qual ele não é responsável. (Yamamoto, 2012, condensado, p 11. Livro psicologia ciência e profissão/ conselho federal de psicologia. vol 32. 2012).
A psicologia tradicional subordina-se as determinações do modo de produção dominante e esse é uma limitação da ação profissional. A critica não é ao capitalismo, mas ao modo como a psicologia se submete aos sistemas políticos. Perceba que se o capitalismo esconde certas perspectivas acerca do objeto de estudo para assim manter sua existência em paz, o socialismo também o faz, pois assim como o capitalismo, o socialismo é uma ideologia ditatorial que joga a culpa por sua incompetência de sobreviver no sujeito e esconde muitas coisas em seu beneficio, esconde inclusive que não surgiu neutra com objetivo de transformar o mundo, não mostra que na verdade surgiu como produto do pós-guerra e como antagonismo puro das práticas pragmáticas do pós-guerra. (SCHUTZ, D. P. 2005) e usa a psicologia como saber que enquadrará o sujeito para manter o status quo. Portanto, se a psicologia experimental pragmática está submetida ao capitalismo, a dialética critica está ao socialismo e a clinica a ambas, logo essas perspectivas não passam de mera ideologia que não mostram claramente seu papel instaurador porque não deixa claro a quem serve e a que serve.
A psicologia que visa promoção da saúde mental, bem estar social e qualidade de vida têm saído do contexto de ciência que analisa o comportamento e tem se vendido ao Big Brother de Orwell que compõem, de fato a NPobre psicologia está completamente dominada pela estrutura do modelo social vigente ou vendida ao modelo social falido tanto em nível econômico quanto político e moral, todas constituem o modelo devorador.
Sabemos que a ciência não é neutra, mas então, que sejamos disseminadores de teorias, ou seja, sejamos nós psicólogos responsáveis por mostrar sobre os objetos de estudo o que as ideologias não mostram para que assim mesmo que não neutra, a ciência tente ser mais imparcial.
Apenas a psicologia ética com seus pormenores e suas particularidades, sabe ou deveria saber que essa alienação instaurada pelos modelos políticos está se utilizando das profissões para se manter. A psicologia está sendo conivente com o modelo vigente devorador e está também sendo pior que as outras profissões, pois faz jura na colação, afirmando que lutará incessantemente contra todos os tipos de repressão, despotismo e opressão, contra injustiça e indevido, separacionismo e totalitarismo intelectual, mas na prática mesmo sabendo o que ocorre e como ocorre em toda sua complexidade não denuncia, mas se omite para manter-se como solução de um problema em que a solução está em outro caminho.
Todas as abordagens da psicologia procuram na subjetividade ou no comportamento do sujeito a solução de uma atipicidade que se manifesta, mas busca na subjetividade a solução de um impasse que se encontra não na subjetividade ou no comportamento, mas no estado atual das coisas.
Me parece um equivoco prático, claro e obvio impor ao sujeito e a sua subjetividade uma atipicidade que de algum modo se inicia no exterior livrando assim as agencias controladoras de suas responsabilidades. Obviamente as atipicidades psicológicas parecem ser fruto de questões sociais, culturais ontogênicas, mas é mais fácil jogar a culpa no sujeito como a psicologia faz.
Para a psicologia elitista e burguesa é mais fácil culpar o sujeito pela incompetência do status quo do que mostrar claramente que o problema pode não estar nele, mas sim no mundo falível em que residimos criados pelos homens.
Segundo Mello (1975) citado por Yamamoto, O, H. (2012) a psicologia é um saber genuinamente cientifico e não mera técnica que soluciona problemas íntimos de pessoas privilegiadas e reservar esse saber a esses poucos é desvirtuar o valor enquanto instrumento de modificação social e reduzir a isso é na verdade estagnar seu desenvolvimento.
Autores da escola alemã enfatizariam que a sociedade barra todo tipo de pensamento oposicionista tornando conceitos ilusórios e sem sentido, mas essa não é uma característica apenas das idiocracias capitais, mas de todos os tipos de ditadura inclusive das socialistas. Por isso o único modo de combate dessa oposição é a vontade de liberdade, mas não apenas isso, é ir em direção da disseminação da ideia oposta a ideologia, não convencendo, pois todo convencimento é um tipo de violência, mas despertando a vontade nas outras pessoas de combater as ideologias sejam elas capitalistas ou socialistas, fazendo com que nossos pensamentos e o das outras pessoas sejam convergentes.
O conceito de alienação só pode ser combatido quando temos a necessidade de satisfação de combatê-la, no nosso tempo o controle sobre as pessoas parece como a personalização da razão para o bem do interesse social e tudo que for argumentado parece impotente. Então, cabe a nos psicólogos mostrar que pensar não é impotente, mas necessário, cabe a nós fazer saber que os meios de transporte, mercadorias, casa, comunicação, alimento e roupas, são produções irresistíveis da indústria de diversões e as informações trazem consigo atitudes e hábitos prescritos e que certas reações e emoções prendem os consumidores nesses produtos de tal modo que parece haver uma relação de dependência. (FIGUEIREDO, L, C. 1996).
Colocar a culpa no sujeito é o método mais eficaz de controle, atribui a quem percebe a idiocrata e falsa relação de causa e efeito e o poda encaminhando para o psicólogo, para que o reprograme e o devolva sociedade devoradora. O psicólogo que jura libertar, na verdade reinsere, o psicólogo nada mais é que um programador de softwares mentais, mecânicos de hardwares psicológicos responsável pela manutenção do status quo.
Muito se engana quem pensa que não haverá psicólogos num mundo socialista, mas talvez serão ainda mais numerosos porque o mundo socialista, assim como o capitalista também é um mundo caótico que faz do sujeito uma vitima cheia de perturbações psicológicas agindo como causadora ou desencadeadora de psicotranstornos. O humano é uma vitima encaminhada ao consultório psicológico para resocialização, depois devolvido ao mesmo mundo caótico que causou a perturbação.
Perceba a prática antiética dessa disciplina, mas perceba também que o fator antiético nesse cenário não é o fato de que a vitima é o sujeito e o psicólogo contribui para a adaptação, mas o fator antiético está ligado ao psicólogo contribuir na resocialização que devolve o sujeito para o mundo caótico que o fez subverter-se sem pensar ou mostrar claramente o mundo é que o fez ser assim e se comportar assim é obvio que desconhecendo essas informações a pobre vitima não poderá cobrar de ninguém, pois em seu equivocado pensamento não haverá culpados, mas o responsável pela insanidade foi ela mesma, então, que cada um viva e resolva suas questões.
A psicologia faz o sujeito pensar que o problema está nele, sendo que de fato parece não estar, à causa muito possivelmente está na sociedade mundial pobre, violenta a qual as pessoas são submetidas, nesse contexto o sujeito é jogado no mundo que ele não escolheu, herda uma serie de valores que ele não optou, reforça o aprendizado desses valores e se torna uma pessoa com predisposição a desencadear uma serie de distúrbios que no futuro será podado pelo sistema e resignificado por si próprio com ajuda do psicólogo que o jogará novamente no mundo caótico de onde ele rompeu.
A psicologia é um saber sem ética que deveria na verdade pensar em um projeto ético – político. Yamamoto (2012) cita neto (2009) em que apresenta a psicologia como uma profissão que elegem os valores sociais como prioridade, formula requisitos para o seu exercício e prescrevem normas, e não como uma disciplina subalterna. Yamamoto (2012) mostra que o papel da psicologia seja de disciplina coparticipante de um projeto de transformação ético – político que se articule com projetos societários mais amplos nesse sentido nos referimos a projetos que apontem a transformação estrutural da sociedade capitalista e não com sua manutenção.
A liberdade é uma virtude que muito provavelmente não será alcançada, por causa da dimensão que a idiocracia tem tomado no mundo em que cada vez mais o marketing, comercialismo e anti-intelectualismo cultural funcionam desenfreadamente, mas que nós psicólogos façamos nossa parte que é mostrar a liberdade a quem nunca dela provou, para que assim essa pessoa possa saber se é da liberdade que depende a sua felicidade.
Segundo Martin Baró. (1996) o modelo atual social dos povos centro e latino americanos é a estrutura da injustiça causada pela conversão desses povos em satélites norte americanos. Mas podemos dizer também que a recíproca é verdadeira no tocante aos países satélites da extinta união soviéticas. São sociedades pobres e subdesenvolvidas que distribuem desigualmente seus bens disponíveis, submetendo a maioria dos povos a condições de miséria que permitem a pequena minoria de desfrutarem de luxo e de todo tipo de comodidades. Na América central a maior parte do povo jamais teve suas necessidades básicas satisfeitas e o contraste entre essa situação miserável e a superabundância das minorias oligárquicas constitui se na primeira e fundamental violação aos direitos humanos nesses países. (BARÓ, MARTIN. I. 1996).
As criticas a psicologia é que esses se focam apenas no individuo esquecendo-se dos fatores sociais, porém de fato esses fatores influenciam já que a natureza é um pressuposto inquestionável na vida do sujeito. (BARÓ, MARTIN. I. 1996). Assim pode-se perceber que a psicologia se transformou em instrumento da ordem social vigente, um instrumento de reprodução do sistema. (ADORNO, T. W. 1996).
A luz desta visão é a conscientização que é o processo de transformação pessoal e social que experimentam os oprimidos, segundo Paulo Freire citado por Martin Baró. I (1996). O processo de conscientização supõe aspectos:
Transformar e modificar;
O psicólogo não deve limitar-se ao plano abstrato do individual, mas deve confrontar também os fatores sociais onde se materializa toda individualidade humana. É possível para a maioria dos psicólogos a dificuldade de que não resida tanto em aceitar este horizonte, mas em visualizá-lo em termos práticos. O psicólogo é chamado para intervir nos processos que viabilizam essas estruturas injustas e conciliar as forças e interesses sociais, mas ultimamente está cabendo apenas a encontrar caminhos para substituir hábitos violentos por hábitos mais racionais, quando se coloca o saber psicológico a serviço da construção de uma sociedade em que o bem estar dos menos não se faça sobre o mal estar dos mais. (BARÓ, MARTIN. I. 1996)
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