Amor e suas definições: A abrangência de suas concepções
Harley Pacheco de Sousa
2012

Resumo: Esse estudo enseja mostrar algumas concepções do amor, argumentando acerca de suas diversidades e perspectivas. Argumentamos que não parece ser possível limitar o fenômeno apenas uma definição assim como restringi-lo parece ser inadequado devida suas diversas dimensões. Argumentamos haver alguns denominares em comum nas definições, mas que embora apontem algumas características fogem a tentativa de reduzir o fenômeno a fim de explica-lo pormenorizado e chegando a um consenso. .

Ao longo dos séculos o amor tem sido um tema de muitas discussões e fonte de inspiração para artes, romances, músicas, poesias, cinema, entre outros. Mas em vias de fato, não há um consenso sobre o que é, assim como não tem sido possível exibir apenas uma definição capaz de explica-lo perse.

Finck (1891/1973, p. 224) defendeu que: “o amor é tecido tão complexo de paradoxos, e apresenta diversidade de formas e tons, que você pode dizer praticamente tudo a respeito, e é provável que esteja certo”. Analisemos que diante do que foi defendido pelo autor o termo parece ter tantas dimensões que reduzi-lo apenas uma concepção nos parece ir contra a gênese de sua concepção.

Segundo Amélio (2001, p. 23) “amor é um termo utilizado para nomear um grupo de sentimentos, ações e padrões de pensamentos que, embora relacionados, são bastante diversificados”. Vejamos que na definição do autor o termo amor abrange sempre uma quantidade que é de sentimentos, ações e etc, isso nos remete a uma perspectiva de que amor é uma variedade de coisas juntas.

Avaliando em paralelo as definições de Finck (ibid.) e Amélio (ibid.) notamos que de fato o termo amor é abrangente, aparece ligado a diversas coisas simultaneamente e limita-lo a uma perspectiva talvez seja paradigmatizar algo que não pode ser paradigmatizado.

Chemama (1995, p. 12) defendeu que o amor é um sentimento de afeição entre as pessoas marcado por ambivalências que podem levar da simples idealização à violência extrema. Entretanto, Solomon (1992) defendeu amor como um processo emocional oriundo de um conjunto de ideias influenciadas pela sociedade e pelo contexto histórico-social no qual o sujeito está inserido.

Goode(1959) parecia concordar com a concepção do amor como uma construção histórica social, pois para ele, é um elemento da ação social e ao mesmo tempo da estrutura social. Nesse sentido, amor não representaria apenas um sentimento que circunda a vida social das pessoas, mas é mais abrangente por ser um fator essencial na evolução sócio-histórica da humanidade.

Diante de diversas definições talvez uma explicação em que seja possível perceber o amor como uma vivencia pessoal concebido por cada experimentador a sua maneira seja capaz de justificar tantas definições sob um único objeto de estudos a qual quase todas as pessoas algum dia experimentou.

Sendo assim, hipotetizamos que o conjunto de sentimentos, pensamentos e comportamentos inerentes ao amor, caracterizam-se como uma interpretação particular e distinta de pessoa para pessoa.

A idéia de que o amor como o conhecemos é uma experiência universal e atemporal decorre, fundamentalmente, de nossa certeza de, no amor, encontrar a expressão mais completa de nossa possibilidade de entrega, doação e, na mesma medida, nossa maior capacidade de receber, compreender, aceitar e desejar outra pessoa escolhida por nós e que, por sua vez nos escolheu (Lázaro,1996, p.199).

Amor acontece no presente ou no passado, portanto suas descrições ocorrem em vertentes narrativas ou históricas, acrescentando que cada sua sujeito experiência a sua maneira sendo assim podemos dizer com certa franqueza que as diversidades de definições se encontram nessa questão.

“Afinal”, disse Frazier, “o que é amor se não reforçamento positivo?” (SKINNER, 1948. p. 282).

Skinner (1948) que dizer que amor não é um termo em sentido estrito bem definido porque é muito abrangente e oferece diversas concepções, mas que tem algumas características intrinsecamente ligadas a ações como oferecer prazeres no sentindo de afeto, não apenas com conotação sexual como o termo usualmente é posto. Em “Walden II” mostra que existem vários tipo de amor, inclusive ressalta o materno.

Falo do amor que a mãe proporciona a seu filho, o afeto. Bem, para ser realmente concreto, os beijos, as carícias, etc, suponho que lhes ocorreriam. Vocês não podem esperar que eu lhes dê as dimensões físicas do amor de mãe! — Ele estava confuso e arrebatado. — É muito real para a criança, aposto! acrescentou zangado. — Muito real, disse Frazier calmamente. E o ministramos em doses generosas. Mas não o limitamos ao amor materno, ampliamo-lo ao paterno também, ao amor de todos, ao amor comunitário, se prefere. (SKINNER, 1948, p. 148).
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Em outro momento, Skinner, (1980) redefine o amor como uma disposição para agir em direção a outras pessoas de maneiras que sejam reforçadoras, mas sem prestar atenção a quaisquer contingências.

“Afinal”, disse Frazier, “o que é amor se não reforçamento positivo?” “Ou vice-versa”, disse Burris. Estavam ambos errados. Eles deveriam ter dito “um ato de amor”. Amor como um estado é uma disposição para agir em direção a outra pessoa de maneiras que sejam reforçadoras, mas sem prestar atenção a quaisquer contingências. (SKINNER, 1980, p. 132).

As definições proposta por Skinner são diferentes, mas convergentes, pois não perdem a essência de amor como oferecer ao outro comportamentos que resultem em prazer. Nesse sentindo, agir de maneiras que sejam reforçadoras pode ser concebido como oferecer ao outro, comportamentos que lhes gerem agradabilidade como: Tratar bem, fazer o que o outro gosta, não fazer o que o outro não gosta, oferecer ao outro momentos permanentes do ato de estar feliz, ou seja, proporcionar o outro momentos de felicidade, dito, de agradabilidade intensa.

Skinner (1980) vai mais além, quando defendeu que: “No amor agimos para agradar e não para ferir, para ser genuíno e não para ser sedutor, mas não agimos para mudar comportamento” (SKINNER, 1980, p. 132). Propõem que amor ocorrem de modo não mecânico ou maquiavélico, mas nessa proposta defendeu que agimos sem prestar atenção necessariamente em manipular o outro, mas em “deixar acontecer naturalmente”.

Bystronski (1995, apud Rodrigues, 2009) em estudos, nos mostra o amor como sendo diversas coisas diferentes simultaneamente, em seus estudos, nos revela que para a maioria das pessoas firmarem uma relação intima com outros é, isoladamente, o aspecto mais gratificante da vida. Ela fala que ocorreram no decorrer dos tempos modificações do conceito de amor, que era visto anteriormente como um tipo de atitude que envolvia predisposições para pensar, sentir e se comportar em direção a uma pessoa, mas a partir disso foram se desenvolvendo noções de amor em sentido mais amplos.

Amor é: “o precisar do outro, o cuidado, a confiança e a tolerância” (BYSTRONSKI, 1995 apud Rodrigues, 2009, p. 59). Essa definição embora em termos literalmente diferentes parecer ser um denominador das propostas de Skinner (ibid.) anteriormente proposta.

Rubin (1973) defendeu que amor é fazer o outro se sentir feliz, para ele, amor é dar apoio emocional e moral ao outro, sentir-se mais feliz, mais seguro e relaxado quando o outro está perto, revelar ao outro fatos íntimos, tolerar as demandas da relação e manter a relação, além de mostrar que em termos de sentimentos a ele associado estão desejo de tocar, segurar, estar perto, vontade de ser gentil, carinhoso, ter sentimentos de confiança e apreço.

Segundo Walster e Hartfield (1978) Romances podem começar numa torrente de paixão que se pretende sobreviver evoluirá no sentido de companheirismo da intimidade e compromisso.

Amor parece estar relacionado a comportamentos que produzam bem estar, então, podemos considerar o amor um fenômeno pautado por uma relação de barganha visando maiores lucros e menos custo que acontece sem prestarmos atenção a quaisquer contingencias. O amor é a vontade de cuidar e de preservar o objeto cuidado, amar é contribuir para o mundo, sendo cada contribuição o traço vivo de quem se ama. A pessoa amada adquire características do amado.

Podemos dizer com facilidade que não há um consenso sobre o que é e como funciona ou ainda, qual é sua gênese, mas nossa pesquisa dá indícios copiosos de que o fenômeno é tão complexo que talvez estudar sua origem primeira seja uma entre as mais árduas tarefas para os estudiosos.

Viu-se que há diversas concepções. Algumas românticas, outras mecânicas outras sociológicas e caso estudássemos mais profundamente veríamos ainda diversas perspectivas acerca do amor.

Referências

Amélio, A. (2001). O mapa do amor: tudo o que você queria saber sobre o amor e ninguém sabia responder. São Paulo: Editora Gente.

Chemama, R. (1995). Dicionário de psicanálise Larousse. Porto Alegre: Artmed.

Finck, H. T. (1981/1973) Romantic love and personal beauty: their development, causal relations, historic and national peculiarities. Londres:
Macmillan, 1891. In E. Berscheid & E. H. Walster (1973). Atração interpessoal. (D. M. Leite, trad). São Paulo: Edgard Blücher..

Lázaro, A. (1996). Amor: do mito ao mercado. Rio de Janeiro: Vozes.

Rodrigues, A. (2009) Psicologia social. Petrópolis: Vozes,.

Rubin, Z. (1973) Liking and Loving: an Invitation to Social Psychology. N.Y :. Holt, Rinehart and Wiston

Skinner, B. F. (1948) Walden two. New York: Macmillan.

Skinner, b.f (1980) about behaviorism. New York: Vintage Books.

Solomon, R. C. (1992). O amor: reinventando o romance em nossos dias. (W. Dupont,trad.). São Paulo: Saraiva.

Walster, G. And Hartfield (1978). A new look at love. Addison – wesley. Co. London.

William J. Goode American Sociological Review Vol. 24, No. 1 (Feb., 1959), pp. 38-47- Published by: American Sociological Association.

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