Resumo do texto Amor Liquido de Zygmunt Bauman, feito por Harley Pacheco de Sousa – para disciplina Individuo e Sociedade no curso de psicologia da Universidade Anhembi Morumbi.
Esse é um resumo pessoal, logo, descreve a visão particular e não a ideia do autor. Sendo assim. Leia sempre o original
Segundo autor o amor é semelhante à morte, pois a chegada de cada um é única e definitiva (pensamos ser definitiva e que nunca mais teremos outro na mesma proporção), segundo o autor o amor nasce e renasce a partir do nada e não se repete (contraditório, talvez o autor esteja sendo romântico quando deveria fazer uma leitura sociológica do texto).
O autor escreveu que “O amor e a morte não têm historia própria, são eventos que ocorrem no tempo humano, portanto, não se aprende a amar como não se aprende a morrer”.(s.p. e-book).
Segundo o autor o amor é algo da qual não podemos escapar na medida em que não é possível escapar dele, segundo a autor nos tendemos a extrair das experiências amorosas afim de obtermos sucesso nos próximos relacionamentos, entretanto, ele defendeu que isso é uma tentativa ilusória, pois só alimenta a ilusão de sabedoria. (o autor parece burro ou apaixonado, pois as experiências empíricas permitem sim o aprendizado. Vide Skinner 1968. Talvez o autor esteja tentando explicar que experiências não adiantam muito quando perdemos o controle sobre a relação e por isso paramos de refletir com a razão objetivo.
[…] Não se pode evitá-lo, tendemos a tentar extrair experiências desse fato e na maioria das vezes obtemos sucesso e esse sucesso serve para alimentarmos a ilusão de sabedoria e conhecimento de como ser e agir nessas situações, mas o obvio é que não há como aprender a fazer certo da próxima vez, porque a experiência é única e não se repete. (citação condensada).

Segundo autor é possível se apaixonar mais de uma vez e é a paixão quem nos move a ter novas tentativas, mas em nossa época tendemos a chamar de amor a experiência vivida que na verdade é paixão. O autor talvez tentou explicar que chamamos qualquer relação de amor quando na verdade não é. Eles nos dá a entender que o amor é uma categorização da qual há dentro uma outra categoria que ele chama de paixão e que segundo ele difere de amor por conta da expectativa de duração.
O autor afirma que a definição de amor no sentido de que até a morte (modelo antigo) nos separe está fora de moda e o desaparecimento dessa noção significa que há facilitação dos testes pelo qual o amor deve passar para ser amor. Talvez o autor tentou argumentar que amor supera as dificuldades impostas pela vida, mas atualmente tendemos a não testar essas relações e por isso os amores são tão fugazes.
Exemplo: antes de uma relação passar por dificuldade que a teste essa etapa é pulada e chamamos a relação não testada de amor talvez por isso dizer eu te amo esteja tão banalizado.
Para o autor em vez de haver mais pessoas atingindo os elevados padrões de amor ocorre o contrário e as experiências as quais nos referimos com a palavra amor se tornam usuais de tal modo que noites avulsas de sexo são tratadas como “Fazer Amor”. Essa questão pode estar ligada a linguagem ideológica e a repressão sexual e não apenas a liquidez do fenômeno amor como propõe o autor. Vide Foucault “história da sexualidade”. Nos parece que o autor esqueceu de realizar uma leitura sociológica e faz uma descrição literária do fenômeno. (se você deseja um livro bom de sociologia leia outra coisa). Para o autor fazer amor é mais que mera prática sexual. Escreveu ainda que ‘essa abundancia pode nos fazer pensar que amar é uma habilidade que se adquire e que a habilidade aumenta a prática e assiduidade de frequência’.
Segundo o autor ‘tendemos a achar ainda que a próxima oportunidade de experimentar o amor será melhor’, Segundo ele isso é uma ilusão, pois, essa situação amplia na verdade o conhecimento do fenômeno como algo curto e frágil que tem episódios intensos, logo, a habilidade está em não amar, mas em terminar rapidamente e começar do inicio. Nesse sentido a leitura tem sentido já que a modernidade traz consigo o conceito de agilidade e rapidez, talvez possamos pensar em tecnocracia amorosa implicada ao modelo social capitalista em que as coisas do tipo fast food são as mais difundidas. (vide Adorno e Althusser). Segundo o autor essa percepção é “pesada” porque a próxima oportunidade talvez não seja a melhor, mas nós imaginamos que será e acabamos “nós acabamos nos acostumando com o perenismo das relações e buscamos algo melhor que talvez não exista” (s.p. e-book).
“O que pode parecer proveitoso pode ser venenoso, pois o ser humano não tem habilidade dos ratos de esgoto que são capazes de distinguir o que é alimento do que é fatal, o ser humano que insistir em se orientar por meio dos precedentes assume os riscos suicidadas de não favorecerem a eliminação dos problemas, mas entrar numa nova frustração.”
Por exemplo; Se você foge de uma relação pensando que na próxima será melhor essa “fuga” pode não ser proveitosa, mas venenosa, porque o melhor talvez seria se manter na relação presente e solucionar os problemas que há nela.
[…] É da natureza do amor ser refém do destino, amor não é ansiado por coisas prontas, mas seu cerne está em participar da sua construção. […] Em todo amor há pelo menos dois seres cada um com suas incógnitas e é isso que faz o amor ser impossível de ser descrito antecipadamente e a satisfação no amor não pode ser atingida sem coragem, força, fé e disciplina verdadeira.
O autor cita E. From dizendo que culturas sem essas virtudes raramente alcançam o amor e que uma cultura como a nossa que é voltada para o consumismo que favorece o produto pronto e imediato resulta na não existência de esforços prolongados, vende-se uma idéia de que é possível construir a experiência amorosa como semelhante às outras mercadorias que nos fascina e seduz exibindo todas as características do amor, mas sem esforço, suor, ou seja, resultados sem esforços. Vide Adorno, Hokheimer, Althusser, Linton e Parsosn.
“A concepção é falha, esse argumento não existe, mas é uma ideologia imposta que nos engana. Não há possibilidade de construir uma relação amorosa rapidamente e sem se esforçar muito. Quando se trata de amor, posse, poder, fusão e desencadeamento são os quatro cavaleiros do apocalipse. Todo amor luta contra as dificuldades da relação, mas quando estão conseguindo se fragilizam e fogem.Viver o amor dissolve seu passado à medida que prossegue, amor é uma hipoteca baseada num futuro incerto. O amor é tão aterrorizante quanto à morte, mas encobre essa verdade com comoção do desejo e do excitamento.As promessas do amor fazem que sejamos tentados a nos envolver e o fascínio da procura de uma rosa sem espinhos é sempre difícil de resistir, mas imagino que não existam seres humano perfeitos.Desejo é a vontade de consumir que é simplesmente instigado pela alteridade e na medida que seduz com promessas do inexplorado irrita por sua obstinada e evasiva diferença. O amor é a vontade de cuidar e de preservar o objeto cuidado, amar é contribuir para o mundo, sendo cada contribuição o traço vivo de quem se ama. A pessoa amada adquire características do amado cuidador. Amar diz respeito à auto sobrevivência da alteridade, significa assumir responsabilidades, amor é irmão xifópago da sede de poder, nenhum dos dois sobrevivera à separação. Portanto se sobreviveu a separação não era amor. Sobreviver não é oposto de morrer, mas de não conseguir viver sem, se esquecer não é amor, se o tempo não matar é amor.”
Se o desejo quer consumir, o amor quer possuir, desejo aniquila, o amor cresce com a aquisição deste que se realiza na sua durabilidade. Se desejo autodestrói o amor se auto – perpetua.
Segundo autor “as pessoas consomem com objetivo do prazer instantâneo, mas o desejo precisa de tempo para germinar, crescer e amadurecer, mas numa época em que o longo prazo é cada vez mais curto e a velocidade de maturação do desejo resiste de modo obstinado a aceleração. O tempo necessário para investimento no cultivo do desejo dar lucros parece cada vez mais longo e irritante, além de insustentável, por isso as pessoas se afastam em busca de oportunidades menos onerosas e rápidas e culminam no erro.
O compromisso é uma conseqüência aleatória de outras coisas que acaba com uma perda grande de investimentos, porem esses fatores tem altos e baixos da mesma forma que os sentimentos de compromisso.
Você reluta em cortar seus gastos, mas abomina a perspectiva de perder ainda mais na tentativa de recuperar o que foi perdido.
Um relacionamento é um investimento como todos os outros em que você entra com tempo, dinheiro e esforços que poderia empregar para outros fins, mas não o fez esperando a coisa certa e achando que o que você investiu fosse retornar por meio de lucro.
Você compra ações e as mantêm enquanto seu valor promete crescer e as vende prontamente quando os lucros começam a cair ou outras ações começam acenar um rendimento maior.
Se você investe numa relação, o lucro esperado é, em primeiro lugar e acima de tudo, a segurança a proximidade da mão amiga quando você mais precisa dela, o socorro na aflição, a companhia na solidão, o apoio para sair de uma dificuldade, o consolo na derrota e o aplauso na vitória; e também a gratificação que nos toma imediatamente quando nos livramos de uma necessidade.

Mas esteja alerta: quando se entra num relacionamento, as promessas de compromisso são “irrelevantes a longo prazo”.
Investir no relacionamento é algo inseguro e tende a continuar sendo, mesmo que você deseje o contrário, é uma dor de cabeça e não um remédio.

Quando se sentem inseguros, os amantes tendem a se portar de modo não construtivo, seja tentando agradar ou controlar e é isso que provavelmente os afastará ainda mais. O fracasso no relacionamento é muito freqüentemente um fracasso na comunicação.

Não importa o mal que sua obstinação possa causar a o outro, o outro não ousará contradizer você, muito menos pressionar para que você escolha entre a sua liberdade o meu amor, mas o que importa é que você pode contar com a
a aprovação, aconteça o que acontecer. P.S: A.V.T.A
Todo amor é matizado pelo impulso antropofágico. Todos os amantes desejam suavizar, extirpar eexpurgar a exasperadora e irritante alteridade que os separa daqueles a que amam.
Exemplo: tentamos mudar tudo no outro que pode colocar em risco o amor e nos afastar, essa tentativa pode ser perigosa.

Separar-se do ser amado é o maior medo do amante, e muitos fariam qualquer coisa para se livrarem de uma vez por todas da despedida e a melhor maneira de atingir esse objetivo na visão de quem ama é transformar o amado numa parte inseparável do seu próprio ser, então se há separação é como se sua parte que era indivisível como um átomo fosse dividido e o comportamento como de um átomo em que aonde a outra parte vá você também vai.

Se você não é nem pode ser meu gêmeo siamês, seja o meu clone!

Onde há dois não há certeza. E quando o outro é reconhecido como um “segundo” plenamente independente, soberano e não uma extensão a incerteza é reconhecida e aceita.

Quando a incerteza é reconhecida a relação termina e suscita a possibilidade das relações de bolso que serão bem sucedidas porque não precisará fazer nada para aproveitá-la. Uma “relação de bolso” é a encarnação da instantaneidade e da disponibilidade.

Deve-se entrar no relacionamento plenamente consciente e totalmente sóbrio sem apaixonar-se, sem emoções que nos deixa sem fôlego e com o coração aos pulos. Nem as emoções que chamamos de “amor” nem aquelas que sobriamente descrevemos como “desejo”. Não se deixe dominar nem arrebatar, e acima de tudo não deixe que lhe arranquem das mãos a calculadora do racionalismo.

A conveniência é a única coisa que conta, e isso é algo para uma cabeça fria, não para um coração quente. Quanto menos investir no relacionamento, menos inseguro vai se sentir quando for exposto às flutuações de suas emoções futuras.

A comunhão do eu secreto baseada em revelações mutuamente estimuladas pode ser o núcleo do relacionamento amoroso. Pode fincar raízes, germinar, desenvolver-se dentro da ilha auto-sustentada, ou quase, das biografias compartilhadas.

Dentro de uma comunhão amorosa, é apenas natural ver a fricção e o desacordo como irritações temporárias que logo irão embora.

As ferramentas do convívio ainda que perfeitamente dominadas e impecavelmente manejadas, se mostrarão vulneráveis à variação, à disparidade e à discórdia que separam e mantêm em pé de guerra as multidões daqueles que constituem um VC potencial dispostos a atirar em vez de conversar.

A descrença na unidade, alimentando a gritante inadequação dos instrumentos à mão e sendo por esta alimentada, impele as pessoas a se afastarem umas das outras e estimula que elas se esquivem.

“Todo esse aproximar-se e afastar-se para longe torna possível seguir simultaneamente o impulso de liberdade e a ânsia por pertencimento — e proteger-se, se não recuperar-se totalmente, dos embustes de ambos os anseios”

Do encontro dos sexos nasceu a cultura. Nesse encontro ela praticou pela primeira vez sua arte criativa da diferenciação em que todos estamos inseridos e que ninguém tem idéia.

Amor é formar família é amar, isso mesmo, amor é amar e para a tristeza dos comerciantes, o mercado de bens de consumo não é capaz de fornecer substitutos à altura.
Exemplo claro são os filhos que estão entre as aquisições mais caras que o consumidor médio pode fazer ao longo de toda a sua vida, formar uma família é como pular de cabeça em águas inexploradas e de profundidade insondável.
Ter filhos significa avaliar o bem-estar de outro ser, mais fraco e dependente, em relação ao nosso próprio conforto. A autonomia de nossas preferências tende a ser comprometida, e continuamente: ano após ano, dia após dia.

Mas a liquidez das relações estão crescendo por conta de toda a complexidade que não pode ser percebida diretamente por conta de tantos estímulos controversos impostos pelas ideologias predominantes pautadas pelo consumismo excessivo da sociedade moderna em que vivemos.

O conjunto do líquido ambiente da vida moderna tem o consumismo como estratégia escolhida, e a única disponível, de “procurar soluções biográficas para problemas socialmente produzidos.

A união é exatamente o que homens e mulheres procuram ardentemente em seu desespero para escapar da solidão que já sofrem ou temem estar por vir.

Mas as vezes a união é ilusória porque quando alcançada no breve instante do clímax orgástico deixa os estranhos tão distantes um do outro como estavam antes, de modo que eles sentem seu estranhamento de maneira ainda mais acentuada. Por tanto as vezes a não proximidade pode ser uma alternativa para a manutenção do amor.

A líquida racionalidade moderna recomenda mantos leves e condena as caixas de aço. Nos compromissos duradouros, a líquida razão moderna enxerga a opressão; no engajamento permanente percebe a dependência incapacitante.

Essa razão nega direitos aos vínculos e liames, espaciais ou temporais. Eles não têm necessidade ou uso que possam ser justificados pela líquida racionalidade moderna dos consumidores.

Vínculos tornam impuras as relações humanas como o fariamcom qualquer ato de consumo que presuma a satisfação instantânea e, de modo semelhante, a instantânea obsolescência do objeto consumido.

Dentro desse modelo, nem o amor até que a morte nos separe, nem construir pontes para a eternidade, nem consentir em entregar reféns ao destino e em estabelecer compromissos sem volta eram coisas redundantes muito menos percebidas como limitadoras ou opressivas. Pelo contrário, costumavam ser os instintos naturais

A vida consumista favorece a leveza e a velocidade. E também a novidade e a variedade que elas promovem e facilitam. É a rotatividade, não o volume de compras, que mede o sucesso na vida do homem.

Aqueles que não precisam se agarrar aos bens por muito tempo, e decerto não por tempo suficiente para permitir que o tédio se instale, são os bem-sucedidos.

O sexo puro é construído tendo-se em vista uma espécie de garantia de reembolso e os parceiros do encontro puramente sexual podem se sentir seguros, conscientes de que a inexistência de restrições compensa a perturbadora fragilidade de seu engajamento.

Casamento é a aceitação da causalidade que os encontros casuais se recusam a aceitar têm uma importância que ultrapassa o seu próprio espaço temporal e acarretam conseqüências que podem durar mais do que as suas causas.

A incerteza é exilada da vida dos parceiros e seu retorno é impedido enquanto o término do casamento não esteja em vista.

Como se poderia esperar quando o propósito e alvo da iniciativa é afastar o fantasma da insegurança.

Quando a qualidade o decepciona, você procura a salvação na quantidade. Quando a duração não está disponível, é a rapidez da mudança que pode redimi-lo.

Se você se sente pouco à vontade nesse mundo fluido, perdido em meio à profusão de sinais de trânsito contraditórios que parecem mover-se como uma estante sobre rodinhas, visite um ou mais daqueles especialistas para cujos serviços nunca houve demanda nem oferta maiores.

O ritmo e a velocidade do uso e do desgaste tampouco importam. Cada conexão pode ter vida curta, mas seu excesso é indestrutível. Em meio à eternidade dessa rede imperecível, você pode se sentir seguro diante da fragilidade irreparável de cada conexão singular e transitória, talvez isso se possa chamar amor. “.

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