Analise critica do texto Sintomas de um mal-estar contemporâneo de Elisete M. Tomazetti e Adriano Machado de Oliveira, feito por Harley Pacheco de Sousa – Universidade São Marcos, 2012.
A discussão proposta pelo presente texto causa certo mal-estar porque propõe ampliação da visão teórica com objetivo de mostrar as lacunas paradigmáticas dentro dos discursos históricos solidificados e por isso não ser uma tarefa fácil, mas pelo contrário se mostrar árdua.
O texto faz uma leitura sobre como está sendo a transição de valores sociais antigos para outros mais modernos em ambiente como instituições de ensino e constituição familiar, faz referência a como os professores se queixam dos comportamentos de seus alunos que trocaram a vida acadêmica por tentativas de socialização no ambiente escolar e como as famílias mudaram com a saída das mulheres do âmbito familiar para praticas externas.
As configurações familiares mudaram isso é fato, mas uma pergunta epistemológica interessante para explicar fenômenos oriundos dessa mudança é saber por que mudaram. Fazendo uma análise por decomposição metodológica, podemos perceber que as mudanças familiares ocorreram em ambiente extremamente tenso e improdutivo, pois em um século ocorreu a 1ª e a 2ª guerras mundiais, guerra do Vietnã, guerra fria, entre outras, sem citar diretamente as guerras menos populares que ocorreram na Ásia e África, além das guerrilhas urbanas civis como as do Congo ou Angola.
Esse fator é relevante porque foram esses infelizes eventos que atuaram como agente de transformação dos valores, as famílias que anteriormente eram hierarquizadas e que seguiam modelos rigorosos herdados de épocas anteriores perderam seus homens e eram esses homens responsáveis pela manutenção dos moldes familiares verticalizados.
As famílias perderam seus homens, fazendo assim com que as mulheres precisassem se adaptar a fim de oferecer o que os filhos não tinham, em outros termos, as mulheres precisaram além de ser mulheres, serem pais trazendo com sigo todas suas responsabilidades.
Podemos perceber claramente essas características em filmes como Tommy – The Who e The Wall, fazendo um paralelo entre os filmes e o presente texto, veremos peculiaridades convergentes. Todas as normas são oriundas de modelos Europeus e Orientais, mas esses continentes foram os personagens ativos nas guerras. Essas guerras geraram jovens precoces que precisaram aprender a lidar com as perdas desse ambiente tenso do pós guerra e foram esses jovens que se tornaram responsáveis por sua própria educação.
As famílias do pós-guerra precisaram se adaptar as perdas masculinas, assim aderiram a um modelo menos rígido e mais igualitário. As mulheres antes apenas mães precisaram educar seus filhos sozinhas. As mães se adaptaram a modelos mais permissivos e flexíveis tornando possível a abertura para novas concessões antes restritas pelos pais.
Esse novo modelo de jovens sem pai que vivia em um ambiente de pós guerra rompeu com o autoritarismo em todas as esferas, desde daquele imposto em casa pelos que morreram até os impostos pelos regimes sociais.
Os jovens sem pai romperam claramente com os modelos sustentados pelos mais velhos, pois como os pais morreram lutando contra o autoritarismo, o jovens viveriam lutando contra essas imposições, porém, essa postura revolucionaria teve como produto final afastamento da comunicação de pais e filhos, educadores e alunos e como a proposta de oposição era presente nas guerras e isso justificava as perdas, os professores e pais não poderiam se opor e optaram por não monitorar sues filhos.
As mulheres adotaram papeis daqueles que já não estavam mais lá, tendo que trabalhar, então, o ambiente privativo do lar foi se tornando mais escasso resultando assim na diminuição da coesão e afastamento da estabilidade afetiva, isso alterou significativamente a economia afetiva das famílias.
Pese que a evolução tecnológica acabou por preencher lacunas ditadas pelos pais, assim o jovem conseguiu diminuir a experiência de solidão que vivenciava, mas é claro e obvio que esses adventos não são capazes de substituir satisfatoriamente as figuras paternas no tocante a investimento afetivo. Todos os ambientes passaram a ser locais que as pessoas trazem suas demandas afetivas, perdendo assim, o foco real, como a escola por exemplo.
Esse contexto forçou mudanças de costumes e hábitos tanto sexuais quanto de estilo de vida e de saúde mental, portanto, o senso da tradição perdeu força, sendo necessário que as figuras que necessitam de mínima autoridade recorram à família e a sociedade num pedido premente de auxilio.
Os jovens quebraram a regulação e sustentação social que perdeu sua confiança por conta dos prejuízos psicológicos que as guerras proporcionaram essa desconfiança se sedimentou dando força a novas configurações de família, nesse contexto social se tornou mais seguro viver sem afeto, viver o aqui e o agora transferindo seus sentimentos a bens de consumo.
Nesse contexto surge o psicólogo e seus saberes, com a árdua tarefa de auliar o estado na recuperação da confiança que perdeu, agindo como o responsável por assegurar a seus pacientes que afetividade é um caminho interessante, aplicando-lhe saberes científicos que lhes serve de alicerce para sobreviver minimamente saudável no mundo tenso construído pelos homens, tendo que dar forças para um ego fragilizados pelo distanciamento afetivo e pelas inquietações que as pessoas experimentam por não fazem o que gostam ou por fazerem o que não gostam.
Nesse sentido vemos a dicotomia que é a prática psicológica que enquanto pensa estar auxiliando o individuo, na verdade está auxiliando o modelo social cansativo que o aparto tornou possível.
Resta saber onde está a ética de um saber alienante que fortifica o ego fragilizado o preparando para imersão no mesmo mundo que o enlouqueceu.

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