Durante os dias de 31 de agosto e 1 de setembro de 12, houve o encontro de professores e estudantes de Psicologia Social que tinha como tema “Formação e Ensino por uma práxis transformadora”, mas o que encontrei foi o encontro de estudantes e professores de psicologia social critica, portanto, se assim como eu, você se interessa por psicologia social com uma perspectiva mais experimental procure outras oportunidades.
No ciclo de apresentações participaram os professores, Dr. José Leon Crochik (USP), Profª Dra. Maria da Graça M. Gonçalves  (PUC-SP), Profª Dra. Mariana Prioli Cordeiro (UNINOVE), Drª Cecília Pescatore Alves (PUC-SP), Dra. Maria Helena Souza Patto (USP), Dra. Bader B. Sawaia (PUC-SP), Dra. Sueli Terezinha Ferreira Martins (UNESP-BAURU) e Lumena Almeida Castro Furtado (Secretaria de Saúde de S. Bernardo de Campo).
Antes de explanar minha atitude acerca do evento, desejo enfatizar que foi uma honra participar e poder ouvir tão nobres doutores transmitirem suas idéias agregando há mim muito conhecimento. Particularmente costumo partir do pressuposto que antes de criticar precisamos conhecer, pois como diz Skinner, Experimente sempre.
Segundo a professora Mariana Prioli cordeiro a psicologia social é múltipla e ao mesmo tempo mais que 0 e menos que 1, ou seja, se assemelha a um objeto fractal, ainda segundo a professora Mariana a psicologia social é um elo entre a diversidade e a multiplicidade que tem objetivo de promover alterações nas políticas publicas. A psicologia Social da professora Mariana não é positivista, mas critica ao positivismo.
Falar de práticas transformadoras na psicologia social encarando a mesma como múltipla em facetas, além de perigoso é uma proposta extremamente sem consistência porque à medida que não há consenso no que trata, ou seja, cada sujeito pode estudar o que enxerga, levando a um estudo não aprofundado e sem continuidade que não gerará frutos por descontinuidade, além de que cada perspectiva levará a uma prática diferente que de transformadora será apenas o nome.
Quando pensamos em uma psicologia social que atua diretamente nas políticas públicas atribuímos a ela essa atividade que de fato não é apenas dela, mas de todas as profissões.
Me parece que a psicologia social está sendo reduzida ao mero assistencialismo, comunitarismo e certas vezes confundidas com marxismo que pode e deve ser avaliada como apoio pela psicologia, mas tratada de fato pelas ciências políticas e pela economia, psicologia social não é isso, psicologia social é uma ciência e deve ser tratada como uma disciplina que vem a décadas tentando emergir e ser aceita, mas para isso precisa ser submetida ao positivismo, ao empirismo e ao pragmatismo como todas as outras áreas do conhecimento, caso contrário, que seja um tipo de estudo tratado pelo senso comum e fora da academia.
Quando olhamos para psicologia social como múltiplas e diversas em fundamentações teóricas podemos perceber nitidamente que a falta de consenso sobre o objeto de estudo que no caso é a interação humana sofre muitos prejuízos já que uma práxis parte de um referencial que se fundamenta em uma teoria que pode ser antagonista a outra.
A professora Maria da Graça M Gonçalves, criticou bravamente o naturalismo e a ideologia, mas o que propõe (ignorar o naturalismo na psicologia social) já é uma ideologia, ela critica a ciência, mas em seu discurso propõe um método, ou seja, usa a ciência, portanto, na verdade tentar se apropriar, tenta persuadir porque acreditar que há um método é naturalizar um conceito no sentido de que quando se (método é seguido porque sempre é assim) generaliza acredita que há um processo de funcionamento comum, portanto, as proposições são no mínimo contraditórias.
Perceba que esse texto se trata de uma leitura pessoal e que não tem objetivos de criticar as criticas, mas apenas de mostrar que nas falas existem inconsistências, contradições técnicas e lacunas no discurso.
Já o professor Crochik afirmou que uma teoria não deve ser política e nem econômica, tampouco servir ao capital. A psicologia social deve mostrar que há ideologias dentro de uma teoria. Que uma psicologia social deve libertar porque a sociedade ao mesmo tempo em que liberta, oprime, afirma que a psicologia deve olhar sim para o natural, mas sem esquecer do cultural e deve mostrar que nem tudo que é regra ou disciplina é ruim.
Segundo Crochik não devemos tantar convencer, mas usar argumentos, porque em todo convencimento há violência por isso não importa qual referencial teórico fundamenta a prática da psicologia social, não importa se é psicanalista ou behaviorista desde que o produto final seja a modificação e a transformação, por isso são teorias e por isso divergem das ideologias. Apenas conhecemos a verdade quando quebramos a ideologia e isso se faz por meio da teoria.
Segundo Crochik a sacada está em não criticar o capitalismo, mas mostrar argumentos convincentes de que esse sistema não é capaz de proporcionar o que promete e a psicologia social deve auxiliar nessa amostragem porque pode quebrar a separação que é igual a alienação que é um conceito que deve ser superado.
A fala de Crochik é pertinente e deve se vista com bons olhos porque não abdica de nenhum saber especifico, mas visa agregá-los de algum modo em prol do combate contra deterioração da ideologia e da alienação.
Durante essas apresentações houveram notadas criticas a ciência naturalista e positivista como era de se esperar, mas as maiores provocações vieram da professora Maria Helena Patto, porém, essas criticas não se mostraram contundentes, mas sim contraditórias, pois quando a professora afirma que não devemos recusar um conhecimento, mas situá-lo ela diz co outras palavras que devemos aceitar o conhecimento que provem da ciência e situá-lo na nossa perspectiva.
A professora afirma que a psicologia não é uma ciência paradigmática, mas na minha concepção essa idéia vai contra a generalização das leis, portanto, como pensar em ajudar a humanidade se não se pode criar uma regra de funcionamento humano? Será que ela deseja atuar com cada cidadão do mundo? Contradição clara e obvia porque pensar que não há paradigmas é um paradigma que além de ser arbitrário não agrega nada a espécie. A não ser obviamente que ela atenda 6 bilhões de pessoas uma a uma. Se bem que isso também requer um saber paradigmático.
A professora Patto e todos os teóricos críticos afirmam que uma prática transformador é difícil porque luta contra um mecanismo opressor e nos faz presumir que precisamos romper com esse mecanismo opressor, mas não nos sugere modos para fazer isso e nem nos diz qual é o mecanismo que deverá ser implantado no lugar do existente, ou será que deseja viver em perpetuo estado de letargia e quem sabe estagnação?
Não basta ter uma postura filosófica no sentido de questionar, deve também propor mudanças e não só propor, mas dizer como mudar. Os críticos nos mostram o estado atual das coisas, nos mostram certas vezes o que devemos fazer, mas não mostram como fazer e onde já foi feito.
Segundo a professora Bader o iluminismo é uma ideologia porque não diz muito do que deveria ser dito sobre o objeto, mas a teoria critica também deixa diversas lacunas que não podem ser respondidas, portanto, também é ideológica.
É claro e obvio que a teoria critica trouxe e traz muitos ganhos, mas não mais que a ciência e a razão pura. Por isso entendo que a ciência deve ser usada para corroborar teorias inclusive a critica e a partir daí estudar e proporcionar práticas transformadoras. Não acho que seja possível uma intervenção eficaz e uma prática que transforma sem o apoio das bases positivistas que validam as práticas e mostram os ganhos.
Peço a todos os psicólogos sociais comportamentais experimentais que atuem como psicólogos sociais e não como donos da verdade, que continuem a fazer ciência sem se preocupar ou criticar o que não vale ser criticado.
Que diferente da critica que agreguem muito a sociedade e a espécie e que a cada dia mais o positivismo, empirismo e as escolas cientificas puras mostrem seu caráter inovador e atuante.
Nós fazemos acontecer e não ficamos apenas pautados na critica. Que o fazer acontecer e que seja mais forte que o falar do que fazer.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.