Em meados de2008 tive contato com uma obra que falava sobre uma palestra proferida na Unisinos em 1995, pelo professor Luiz Claudio Figueiredo tratando do assunto “A preparação, formação e treinamento do psicólogo”.

Segundo o professor Figueiredo, durante a formação acadêmica profissional, “propositalmente” são deixadas várias lacunas no ensino. Essas lacunas têm objetivo de despertar o interesse no aluno de ir mais além do que lhe é apresentado no decorrer de sua formação.

Diante disso o aluno se depara com a necessidade de busca por um conhecimento que não obteve para que sua formação se complemente, mas não apenas para uma boa formação, mas para que durante as experiências profissionais possa estar e se sentir mais preparado e melhor qualificado para exercer a atividade que presta, além de mais sentir-se mais seguro diante no momento da atuação de fato.

Vygotsky em sua teoria sobre o aprendizado nos faz perceber que a figura do professor aparece como andaime mediador entre o conhecimento proporcionado pela formação e absolvição de conteúdo e propagação do mesmo.

Propõe-nos que é por meio do aprendizado que nos desenvolvemos, portanto intrinsecamente o professor se encontra ligado de algum modo ao desenvolvimento do sujeito sendo diretamente um dos responsáveis pela formação do profissional atuante.

Mas diante desse contexto seria um equivoco subjugar o professor imputando-lhe toda responsabilidade pela formação do profissional, portanto não é apenas o professor que atua como andaime mediador do conhecimento, mas a instituição de ensino que também atua amplamente como elo na cadeia de conhecimento durante a formação profissional.

A formação profissional do psicólogo dura em media 1320 dias, dias esses em que o aluno se dedica quase que exclusivamente indireta e diretamente a sua formação e preparação profissional, pois tudo que faz, faz em detrimento de sua realização pessoal que é de fato a formação profissional.

Concluir o curso superior e se inserir no mercado de trabalho como profissional é uma tarefa árdua para quem é bem formado, então podemos supor que a dificuldade se amplie ainda mais para aqueles que sentem-se menos qualificados.

A formação profissional é um investimento demasiadamente alto tendo em vista a real condição da maioria dos cidadãos brasileiros no decorrer da historia. São muitas as dificuldades enfrentadas por aqueles que buscam a realização do sonho de possuir não apenas uma atividade remunerada, mas uma profissão.

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Porém talvez a maiores dificuldades não sejam aquelas possíveis de serem notadas diretamente, mas sim os obstáculos da formação quase que plenamente imperceptíveis.

Esses obstáculos são as frágeis diretrizes que formam as grades curriculares das instituições de ensino responsáveis por serem mecanismos de formação e elo mediador entre o conhecimento e aluno.

Outra fragilidade é que além de tudo muitas vezes as instituições formadoras cobram alto custo para se manterem incapazes de formar uma safra boa de profissionais.

Essa concepção pode ser expandida a todas as áreas de conhecimento, cursos de todos os tipos oferecidos pelas instituições de ensino superior, a uma gama mais ampla de saberes e conhecimentos necessários para a formação do profissional.

Os cursos seguem padrões próprios que são orientados pelo ministério da educação, mas esses padrões são alterados e adaptados pelas instituições e seus dirigentes de modo que fiquem mais parecidos com as ideologias e propostas da instituição, além das diretrizes e legislações internas que são peculiares as organizações de ensino.

Esse cenário causa prejuízos aos estudantes que buscam incessantemente por sua formação, pois cada curso, cada instituição, cada coordenador tem suas facetas múltiplas e déspota que inviabilizam as mudanças e o intercambio do aluno entre as instituições.

Cada curso tem suas ênfases em determinadas áreas quando na verdade deveriam focar-se em formar profissionais com domínio mais amplo de um conhecimento mais geral que proporcionasse uma visão maior acerca do todo.

Exemplo claro desse cenário são os cursos de psicologia oferecidos pelas diversas instituições de ensino do país, fica clara essa dicotomia, pois uma instituição tem ênfase em clinica, outra em organizacional e ainda outra em social, quando na verdade devem ser montadas ênfases em tudo.

Ênfases mais generalistas que propiciem um saber mais amplo e menos ideológico alienante, acabando assim com a idiocrata metodologia de ensino que se parece exclusivamente com o responsável pelo curso e com a instituição de ensino do que com o conhecimento livre, esclarecido e desimpedido.

Em um contexto mais amplo é clara e nítida a necessidade de reavaliação das metodologias de ensino das instituições formadoras. A necessidade de revisão é iminente não podemos admitir que o modelo ineficiente de formação acadêmica permaneça em latência recorrente propagadora da semi-cultura.

Talvez diante da impossibilidade de revisão da obsoleta metodologia de ensino podemos concluir que o aluno para ter uma boa formação deve passar por uma universidade por ano, visualizando em cada experiência uma área de conhecimento especifica da profissão que deseja exercer, talvez essa seja a única oportunidade verdadeiramente eficiente de se deparar com as diversas facetas e realidade do conhecimento e a partir disso talvez seja possível escolher e se preparar com mais propriedade para área que realmente o sujeito mais se identifica.

Não estou dizendo que o acadêmico deva saber tudo obre tudo, mas sim que é inconcebível que o aluno seja alienado e obrigado a conhecer uma única perspectiva profissional que talvez não seja a escolha que o realizaria enquanto participante do mercado de trabalho.

É claro e obvio o sucateamento do conhecimento e obsoleta metodologia de ensino que é fruto da centralização da coordenação e gestão dos cursos que se baseiam numa única convicção de verdade que lhe é peculiar que acaba por produzir em massa e alta escala profissionais mal preparados e desprovidos do bem mais importante da sua formação, o conhecimento amplo da disciplina.

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