Behaviorismo Radical em 5 minutos para principiantes, por Harley Pacheco de Sousa
São Paulo
2012
Definição da abordagem:
É um ramo da psicologia que tem o comportamento como objeto de estudo, tem a visão de mundo e sujeito monista. Compartilha das concepções das ciências positivistas tradicionais utilizando o mesmo rigor teórico e metodológico em suas explicações acerca do funcionamento dos organismos.
Pontos teóricos da abordagem:
Rejeita o mentalismo e a metafísica, acredita que tudo é físico.
Acredita que a experiência humana é única e complexa demais para ser explicada, mas que utilizando de probabilidade, estatística e pragmatismo cientifico é possível mostrar não a relação de causa e efeito de eventos, mas a ordem em que aparecem e se há indícios de relação entre eles. Pegando eventos específicos e os recortando do fenômeno complexo e inserindo em um ambiente controlável pode-se realizar analise de contingências que emergem.
Acredita no comportamento operante, ou seja, todos os comportamentos ocorrem segundo uma ordem. Há um comportamento que é reforçado por algum “estimulo” entre aspas porque não precisa ser um objeto, mas uma situação, prazeroso ou oneroso que terá uma conseqüência como produto.
O comportamento humano é influenciado em três níveis: Filogenético, Ontogenético e cultural.
Rejeita o mecanicismo e determinismo afirmando que não é possível mostrar a relação de causa e efeito dos fenômenos. Rejeita o determinismo como algo que determina algo, mas percebe o comporto sendo eliciado por algo em determinando contexto. Por exemplo: Não é a fome que desencadeia o comportamento de comer, mas o estado de fome dentro de uma situação especifica elicia o comportamento de comer. “aparentemente nessa situação A tem relação com B, mas em outra situação pode não ter”.
Tem conceitos próprios para explicar as relações entre eventos que basicamente são: Contingencia, Comportamento, Reforçador e Conseqüência. Extinção, Punição e Esquecimento. Fuga e Esquiva. Prazer e Aversão.
Contingencia é todo o fenômeno que pode ser reforçador ou não de outro fenômeno que aumentara ou diminuirá a freqüência de outro comportamento.
Comportamento é uma ação.
Reforçador é algo que aumenta a freqüência de um comportamento.
Conseqüência é aumento ou diminuição de comportamentos.
Extinção é retirar o reforçador.
Punição é apresentar aversão (oneroso).
Esquecimento é não realizar o comportamento por muito tempo e diminuir a freqüência.
Fuga é fugir de uma situação onerosa.
Esquiva “driblar” a situação onerosa.

Intervenção
Consiste em manipular as variáveis que parecem desestruturar o evento de modo que seja possível aumentar ou reduzir a freqüência de um dado comportamento. As variáveis poderão ser identificadas utilizando-se da analise da tríplice contingencia.
Comportamento – Reforçador – Conseqüência
Por exemplo:
Imaginemos que se dirige ao clinico um sujeito que tem segundo ele tem medo de dirigir.
O primeiro passo é escutar o comportamento problema e histórico de vida do sujeito para que seja possível identificar o que é reforçador para não dirigir. Com o histórico de vida pode-se identificar se há fuga ou esquiva e em quais situações esse comportamento aparece. Realizar analise minunciosa para averiguar se há uma variável dependente entre os comportamentos ouse o sujeito tem medo apenas de dirigir, apresentado esse comportamento apenas nessa situação.
Imaginemos que o medo que resulta em fuga seja apenas acerca do dirigir.
Devemos identificar qual é a variável que gera o medo (aversão) para retirá-la. (retirar a aversão é uma opção do terapeuta, ele pode utilizar outra opção que achar conveniente e que gere mais resultado)
Para retirar as aversões é necessário manipular as variáveis, assim poderemos saber se o sujeito tem medo do ver o carro ou de entrar no carro? Tem medo de carro ou de um carro especifico? Tem medo de dirigir o carro ou de “andar” de carro?
Com posse dessas informações o profissional deve identificar qual o ganho de se comportar assim e induzir a mudança retirando o aversivo, expondo um reforçador mais reforçador que o aversivo, inserir na situação um aversivo mais aversivo, enfim, dependerá da habilidade do profissional em manipular as variáveis envolvidas na situação.

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