Importância da família
As drogas sejam licitas ou não são um premente problema que aflige nossa sociedade, entendemos que a família pode atuar no auxilio de intervenção eficaz que possa combater esse mal. Primeiramente devemos entender que as drogas não são fisiologicamente ruins, se fossem, certamente não seriam usadas, nesse sentido, pressupomos que a ela inerente está algum tipo de prazer fisiológico. É necessário que percebamos que raramente podemos abandonar a utilização sem ajuda de profissionais especializados, mas a família exerce forte influência na melhora do usuário. Segundo Bueno e Lima (2012) é importante que as famílias compreendam sua importância no processo de recuperação das pessoas que fazem uso de drogas. É importante que ressaltemos que a família faz parte do ambiente social do usuário, algumas pessoas tem dificuldades de entender que ambiente não é apenas a escola, o trabalho ou a universidade, mas há um ambiente social complexo formado também pelos elementos que circundam o usuário. Segundo Skinner (1970) os comportamentos sociais ocorrem em ambientes sociais ela razão de: “um organismo é importante para o outro como parte do seu ambiente”. (p. 172). Seria ingenuidade não entender que a família sofre com os comportamentos do usuário e que participam de modo codependente, mas embora seja constrangedor, a família não deve mascarar entre si a utilização da droga por parte de um integrante, mas devem agir de modo consciente para que não se precipite em atitudes inconsequentes ou demasiadamente passivas em relação ao usuário, pois segundo Cunha (2006 apud Bueno e Lima 2012) esses comportamentos podem se reforçar mutuamente comportamentos diretamente no desenvolvimento ou no agravamento da doença da dependência. Sendo assim, é importante que a família compreenda sua importância, aceite o usuário e tome o máximo de conhecimento acerca do assunto.

Conhecer a dependência química
Bueno e Lima (ibid) defenderam que conhecendo o ‘fenômeno dependência química’ a família se sentirá mais segura e confiante para atuar como coparticipante no processo de melhora assim como poderá encontrar e desenvolver melhores práticas para se relacionar com o usuário tendo como produto dessa relação a melhora e não agravamento do vício.

Devido ao conhecimento da doença da dependência química e/ou alcoólica, suas causas, consequências e tratamento, o familiar adquire ferramentas e confiança para melhor contribuir com a recuperação e manutenção da vida do dependente com qualidade, além de ter a oportunidade de conhecer a sua própria condição de codependente e procurar ajuda para que seus comportamentos não o prejudiquem, nem ao dependente. (Bueno e Lima, 2012, p. 13).

Segundo Bueno e Lima (ibid) usar drogas é uma doença médica e crônica, portanto, devemos entender que não vergonha nenhuma estar doente e devemos ressaltar a importância de buscar cura, sendo importante analisar os sintomas, mas também os motivos que levaram o organismo a consumir o componente químico para que assim seja possível desenvolver trabalhos eficientes no tocante à descoberta de novas possibilidades e descobertas que motivem o usuário a entrar e cabeça no processo de reflexão e de abandono do vicio sendo a família parte ativa nesse processo.

Não dá para falar de dependência sem falar na família do dependente, diretamente atingida pela doença. O contexto familiar de um dependente químico tende a ser diferente, busca criar um mundo paralelo para suportar o sofrimento, optam pelo silêncio, começam a se isolar, entram em desequilíbrio sobrecarregando uns e negligenciando outros e passam a se organizar em torno das necessidades do dependente químico e/ou alcoólico. Com o desequilíbrio familiar surgem os conflitos, o sentimento de culpa, a cobrança nas posições familiares, a lealdade na família entre outros comportamentos chamados de disfuncionais (Gigliotti; Carneiro; Aleluia, 2008 apud Bueno e Lima, 2012, p. 21).

Bueno e Lima (ibid) argumentaram que o usuário precisa do auxilio de profissionais, mas não apenas ele, a família como codependente também precisa na medida em que ambos sofrem demasiadamente com os problemas causados pela droga, as autoras sugerem a busca por médicos psiquiatras, mas enfatizam a necessidade da busca por psicólogos, pois são esses profissionais que auxiliaram no processo de reflexão acerca da qualidade e estilo de vida, saúde mental e bem estar .

[…] O que percebemos é que a participação da família torna o tratamento e recuperação do dependente de álcool e drogas mais eficiente, além de melhorar a qualidade de vida do codependente. […] A família é uma força capaz de grandes e profundas transformações no ser humano, através dela aprendemos a importância do amor e do apoio ( Bueno e Lima, 2012, p. 25).

Nesse sentido, desejamos enfatizar que atitudes positivas podem ajudar mais do que incessantes e violentas discussões. Bueno e Lima (ibid) argumentaram muito bem sobre a importância do papel da família nesse fenômeno. Tentamos por meio deste breve artigo sugerir reflexões sobre alguns pontos especifico:

A família deve reconhecer seu papel e sua importância no processo de auxilio do usuário de componentes químicos;
A família deve analisar e refletir sobre a dinâmica que está mantendo em relação ao usuário;
A família deve se perceber codependente, cousuária e nesse sentido, buscar ajuda profissional não apenas para o usuário, mas para toda matriz familiar;
A família deve estudar o fenômeno a fim de ficar mais segura e confiante, além de estar mais preparada para identificar, encontrar e às vezes desenvolver práticas e maneiras de lhe dar com o dependente.
A família deve repensar seus comportamentos e atitudes diante do dependente a fim de perceber se de fato estão auxiliando ou reforçando o uso.

Ensejamos por meio deste breve artigo colaborar com as famílias que sofrem com os malefícios oriundos das drogas, esperamos que sejam desenvolvidos trabalhos mais críticos sobre a temática e esperamos fomentar estudos mais profundos sobre o assunto que se mostra emergente.

Referências:

Bueno, P. e Lima, R. (2012) O APOIO FAMILIAR NA RECUPERAÇÃO DO DEPENDENTE QUÍMICO E OU ALCOÓLICO: Contribuições que fazem a diferença. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de psicologia da Universidade São Marcos, São Paulo, 2012. Recebido por meio de correio eletrônico em:02/11/12.

Skinner, B, F. (1970) Ciência e Comportamento Humano: Trad. João Claudio Todorov Rodolpho Azzi, 2ªed. Brasília. Ed.Universidade de Brasília.

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