Resumo: Esse artigo tem o objetivo de mostrar semelhanças entre as narrativas do livro de Genesis da Bíblia e os tratados teóricos científicos que explicam o nascimento do mundo, segundo a visão do cientista russo Gamov e do inglês Darwin.

Palavras chave: Mundo, Ciência, Bíblia, Semelhanças.

Abstract: This article aims to show similarities between the narratives of the book of Genesis in the Bible and scientific theoretical treatises that explain the birth of the world, according to the vision of the Russian and English scientist Gamow and Darwin.

Keywords: World, Science, Bible, Similarities.

Sempre pensamos em Deus como um ser onisciente, onipresente e onipotente que tem em suas peculiaridades a capacidade de mudar qualquer evento ou fenômeno que ocorra no universo. Todo conhecimento que temos sobre esse ser divino e inteligível é procedente das muitas literaturas sagradas que as diversas culturas do mundo divulgam como palavras transmitidas diretamente por Deus. Já as informações que temos acerca das teorias do nascimento do universo e da evolução das espécies são frutos de trabalhos extensos aceitos pela comunidade cientifica e que detém uma lógica biológica em sua constituição.
Há basicamente duas vertentes que divergem entre si, uma segue a visão religiosa, dotada de fé em que crê na narrativa bíblica e outra experimental que acredita nos tratados científicos, sendo que em certos momentos até se agridem descaracterizando as verdades uma da outra. Esse ensaio mostra que o postulado bíblico não anula as teorias cientificas e nem o contrario, mas que ambas podem caminhar lado a lado paradoxalmente sem se contradizer.
Deus possui certas peculiaridades que o caracteriza: onipresença, esse termo nos indica que Deus está em todos os lugares, logo, retirando dele as limitações de tempo e espaço, onisciência, é o termo que nos remete a percebê-lo como conhecedor de todas as combinações que dão origem a algo, e onipresença, é a capacidade e/ou habilidade de estar em todos os lugares. Nesse contexto podemos afirmar com certo grau de segurança que o tempo não existe para Deus, essa limitação é unicamente humana. Estar em todos os lugares é participar de uma construção cheia de processos em que é possível avaliar cada um deles sendo que cada processo está relacionado com a onisciência e onipotência.
Por exemplo: Deus está criando uma bicicleta, criará a mesma em um minuto, cujo tempo é dotado de sessenta segundo. Deus está em cada um dos sessenta segundos interferindo diretamente na construção da bicicleta. Os seres humanos como não possuem essa habilidade de estar em todos os lugares e são restringidos por tempo e espaço não conseguem captar esse acontecimento. O objetivo desta colocação é retirar das características peculiares de Deus as limitações de tempo e espaço.
Durante um tempo que para Deus é indeterminado por não haver limitações de tempo e espaço, ele pode (onipotência) criar e combinar todas as matérias necessárias para constituição física da bicicleta, além de desenvolver um meio para que a mesma chegue a um sujeito especifico (onisciência) e por fim entregá-la ao sujeito (onipresença), sendo que esse entregar pode ocorrer em sessenta segundos ou demorar dez anos, sendo que Deus estaria envolvido nesse processo durante todo o tempo.
Diz-se popularmente uma frase que representa a idéia: Para Deus é um segundo para mim é uma eternidade.
Popularmente é divulgada uma ideologia que confronta os discursos que cerca o tema criação do mundo narrado pelas escrituras sagradas dos judeus e cristãos, a teoria do nascimento do universo por meio do Big Bang e a teoria da evolução das espécies. Porém nota-se que esse confronto não é tão aparente e verdadeiro, mas há indícios de que há incompreensão humana deste tema.
A idéia cristã da criação expressa na bíblia sagrada edição pastoral (1990), afirma que o mundo teria sido feito em sete dias, porém a mesma fonte salienta que o escrito se trata de uma poesia que contempla o universo como criação de Deus e que foi escrito pelos sacerdotes judeus no tempo do exílio da Babilônia (586. aC – 538. aC). Sabe-se que todo conhecimento que temos sobre Deus é feito por meio de revelações.
Segundo Gamov, G, (1948) o universo teria nascido de uma concentração de matéria e energia extremamente densa e quente, no momento de seu nascimento toda a matéria contida no universo estaria espremida num único ponto e de tal modo concentrada que sua temperatura seria infinita. Esse ponto teria sido o começo dos tempos, pelo que tem início à expansão das galáxias, descrita como uma explosão, ou seja, o Big Bang. Segundo o Almanaque Abril (2004) cerca de 300 mil anos depois, com a união dos elétrons aos núcleos atômicos para formar os primeiros átomos completos, ocorre outro fato importante, que é a separação entre a luz e a matéria. A luz, que até então estava presa entre elétrons e núcleos e, por isso, era obrigada a acompanhar a expansão cósmica no mesmo ritmo que eles, passam a caminhar livremente.
Segundo a bíblia sagrada católica edição pastoral narra no livro de Genesis a criação:
No principio Deus criou o céu e a terra. A terra estava sem forma e vazia: as trevas cobriam o abismo e um vento impetuoso soprava sobre as águas. Deus disse: “Que exista a luz!” e a luz começou a existir. Deus viu que a luz era boa. E Deus separou a luz das trevas: a luz chamou “dia” e às trevas chamou “noite”. Houve uma tarde e uma manha: foi o primeiro dia. Deus disse que exista um firmamento no meio das águas para separar as águas que estão acima do firmamento e as águas que estão abaixo do firmamento. E assim se fez. (Idem: Pg. 14, Liv. Genesis, Cap. 2, vers. 1 aos 7 ).
Perceba que há uma semelhança espantosa e bastante clara na idéia de Gamov e na narra tória bíblica, a priori existia a concentração de matéria espremida que na narrativa bíblica é tratada como céu e terra sem forma e vazia, na época em que a poesia foi escrita os judeus não detinham o conceito de matéria como é hoje. Depois Deus disse que exista a luz, na teoria de Gamov há o Big Bang onde surge a luz e a expansão das galáxias, que na narrativa bíblica pode ser o momento em que surge a forma onde não havia forma, a separação da luz e a separação entre os firmamentos. Desde 1929 se observa que as galáxias estão todas se afastando uma das outras, Gamov chegou à conclusão de que houve um instante no passado em que elas estavam bem próximas.
Segundo a bíblia sagrada católica edição pastoral narra no livro de Genesis a criação: Deus disse: “Que as águas que estão debaixo do céu se ajuntem num só lugar, e apareça o chão seco”. E assim se fez. E deus chamou o chão seco de “terra”, e ao conjunto das águas de “mar” (Idem: Pg. 14 Liv. Genesis, Cap. 2, vers. 9).
Segundo o Almanaque Abril, (2004) No primeiro milionésimo de segundo, contém somente uma mistura de partículas subatômicas, como os quarks e os elétrons, que são as formas de matéria mais fundamentais conhecidas. Essa primeira etapa da história da matéria é muito breve, pois os quarks, que se movem inicialmente a velocidades próximas à da luz, logo se desaceleram em razão da redução da temperatura e, por isso, deixam de existir como partículas livres. Eles se associam uns aos outros para formar os prótons e os nêutrons. Assim, entre 1 e 10 minutos de idade do cosmo ocorre a chamada nucleossíntese primordial: os quarks deixam de existir e surgem os prótons, que servem de núcleo atômico para o átomo de hidrogênio, o mais simples que há. Aparece também o hélio, o segundo átomo mais simples, feito de dois prótons e dois nêutrons. Toda a massa do Universo passa a ser constituída desses dois núcleos, na proporção de 75% de hidrogênio e 25% de hélio. Ainda hoje, mas de 90% de tudo o que existe no cosmo é composto desses dois elementos.
Fazendo um recorte minucioso e imparcial dos textos torna-se nítido o papel predominante do hidrogênio molécula responsável por formar a água tanto na narrativa da criação bíblica quanto no tratado cientifico de Gamov, sabe-se que as águas do planeta se encontram num ponto especifico da terra essencial para a vivência humana a chamada hidrosfera.
Segundo Lembo, A, Moises, H, Santos, T, (1992) os primeiros lagos, rios e oceanos formaram-se quando a superfície da Terra se resfriou o suficiente para permitir que se acumulasse água na forma liquida. Esse acúmulo ocorreu nas regiões mais baixas da crosta. Nesse ambiente é que surgiram os primeiros seres vivos, que deram origem as outras formas de vida que conhecemos hoje.
Meu postulado está ligado à possibilidade de todos os acontecimentos narrados pelas teorias da evolução das espécies e do Big Bang fazer parte de um processo continuo que dá origem a um objeto que pode ainda não estar completamente desenvolvido, partindo da idéia de que a criação narrada pela bíblia ocorreu durante sete dias de Deus que podem ser vinte milhões de anos para o homem e que o processo narrado pela bíblia acontece por meio de combinações moleculares e pelo desenvolvimento das espécies narradas pelas teorias cientificas. O insite está no fato de que a bíblia afirma que Deus fez, mas não descreve em seus pormenores como esse fazer se constitui e isso não serve para dizer que essa ideologia contradiz a de Gamov e de Darwin que tratam substancialmente de como o fazer se fez ou como o fazer se desenvolveu em seus pormenores. Muito provavelmente se o povo hebreu detivesse os conceitos da biologia, física e química que possuímos hoje, eles talvez tivessem descrito que Deus fez o mundo da seguinte forma, primeiro Deus fez o Céu e a Terra, por meio de uma explosão armazenando a matéria em um ponto único e separando-a, resultando em um calor grandioso que depois do resfriamento deu origem as águas e ao solo. Entendo como uma imbecilidade grandessíssima achar que um povo nômade, habitante do deserto da Arábia pudesse descrever tão completamente como Deus fez o mundo, mesmo que por revelação. Tão curioso é que essa narrativa surgiu num período próximo ao do rei Salomão, tido como homem mais sábio do mundo.
A teoria Gamoviana de modo algum contesta a narrativa bíblica, mas a explica em suas características mais primitivas e minuciosas, segundo a bíblia Deus fez o Céu, (espaço) depois a Terra (matéria), Luz (explosão) Mar (moléculas de hidrogênio que representam 90 % de tudo que existe), tão curioso ainda, é que a narrativa bíblica e a teoria Gamoviana descrevem a criação com os mesmos substantivos, obviamente que de modos diferentes, mas com uma aparente concordância. Tão assustador é que os fenômenos bíblicos e os Gamovianos se dão por um processo onde a criação se completa. Primeiro surgiu à matéria, depois a luz, depois a água, depois os seres vivos que foram se desenvolvendo. Aparentemente tudo que Deus cria se desenvolve por meio de um processo continuo que resulta em um produto, o objeto final.
Quando Deus fez a terra e o céu, ainda não havia nenhuma planta do campo, pois no campo ainda não havia brotado nenhuma erva; Deus não tinha feito chover sobre a terra e não havia homem que cultivasse o solo e fizesse subir da terra a água para regar a superfície do solo. (Idem: Pg. 15, Liv. Genesis Cap. 2, vers. 4 aos 6).
Nesse recorte a narrativa bíblica coloca a água como fator preponderante para existência da vida vegetal que segundo Campo, R, foi à origem dos organismos mais simples que resultaram e outros cada vez mais complexos.
Segundo Campos, R, (1985) as primeiras células apareceram no fundo dos mares e oceanos e, depois de muitos milhões de anos, deram origem a organismos semelhantes a algas e medusas. Algumas plantas surgidas nos mares começaram a propagar-se para fora das águas e a recobrir a crosta terrestre, enquanto outras se transformaram em peixes e insetos. Alguns peixes também conseguiram viver fora d’água, e deles surgiram os animais anfíbios, como sapos e, um pouco mais tarde, os repteis. Destes últimos resultaram animais gigantescos como os dinossauros, cujo desaparecimento cientifico é ainda hoje um problema. Ao mesmo tempo, repteis menores deram origem às aves. A evolução do reino animal chegou a um ponto culminante com o aparecimento dos mamíferos. Dentre os mamíferos se desenvolveu a ordem dos primatas, onde são encontrados vários tipos de macacos. Alguns desses animais evoluíram, dando origem ao homem. Embora os dinossauros sejam um problema da comunidade cientifica sua extinção pode ser postulada pela narrativa bíblica da destruição do Éden.
Então Deus modelou o homem com a argila do solo, soprou-lhe nas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivente. (Idem: Pg. 15, Liv. Genesis Cap. 2, vers. 7).
Além disso, colocou a arvore da vida, no meio do jardim, e também a arvore do conhecimento e do bem e do mal. (Idem: Pg. 15, Liv. Genesis – Cap. 2, vers. 9).
Note como o homem tem sua origem relacionada ao solo e as plantas, como precisavam do solo para brotar, perceba que no relato bíblico a vida tem como origem uma arvore. Esses mesmos valores estão de algum modo inserido nas teorias cientificas.
Segundo Darwin, C, (1859) a vida progride em nosso planeta através de um processo de adaptação, luta e sobrevivência dos mais aptos e o homem é um dos resultados finais desse processo adaptativo e evolutivo. Minha proposta consiste em que esse processo descrito por Darwin é o mesmo processo descrito pela narrativa bíblica de gênesis, porém a ciência mostra como ocorreu e as narrativas bíblicas mostram o que ocorreu. Toda via, esse processo ocorreu para Deus numa velocidade mínima e para a humanidade de modo vagaroso. Para contextualizar perceba o exemplo abaixo:
Deus criará um recipiente plástico cheio de água. Numa velocidade imensurável primeiramente junta as moléculas que serão responsáveis por formar o recipiente, depois as combinam de modo que formem fisicamente o objeto, depois faz o mesmo processo para formar a água, depois desenvolve um meio para que a água fique dentro do recipiente. A teoria cientifica tratam de como fazer algo, já Deus se ocupa do Fazer algo. A virtude de onisciência é de Deus e não do homem, por esse motivo o mesmo usa seu tempo livre para descobrir como fazer.
Para Deus que está no passado, presente e no futuro e que vê o homem como ponto máximo da criação, percebe o homem passando pelo processo de desenvolvimento que resultará na perfeição, mas por agora o homem ainda está vivenciando esse processo. Imagine que o homem está girando e em cada volta se aperfeiçoa mais, haverá um momento em que estará completo em seu desenvolvimento e será a criação perfeita, mas essa perfeição ainda não chegou. Nesse modelo entra a psicologia, essa tem papel preponderante no tocante a desenvolvimento pessoal do sujeito. Deus está criando um sujeito que passará por um processo de desenvolvimento que resultara na máxima da criação e que uma das substancias responsável pela formação do homem resultado final é a psicologia, essa pode ser comparada a uma molécula de hidrogênio que forma um objeto, esse objeto é o homem.

Referencias:
Bíblia Sagrada Edição pastoral ed. Paulus – 2005
Almanaque Abril – Virtual – São Paulo – 2004.
Lembo, A, Moisés, H, Santos, T, Ciências: O ambiente: com ecologia e programas de saúde – 1º ed. – Ed. Moderna – São Paulo – 1992.
Campos, R, História Geral – Ed. Atual – São Paulo – 1985.

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