No ano passado (2012) comemoramos 50 anos da regulamentação da psicologia no Brasil, essa regulamentação certamente mereceu comemorações; comemorar significa trazer a reflexão suas raízes, estado atual e anseios, por essa razão brevemente tentaremos traçar um panorama da história dessa disciplina.

História da psicologia ou História do pensamento psicológico são nomes de uma entre as disciplinas mais importantes do curso de psicologia, pois é a partir desta narrativa que os alunos definirão sua visão de mundo e sujeito em nível filosófico.

No presente texto faremos uma leitura em nível psicológico, mas devemos alertá-lo que antes da fundação “formal” da psicologia seus questionamentos, embora de outros modos e com outros objetivos, já eram feitos por filósofos. A psicologia é um saber oriundo da filosofia e carrega essa influência até hoje, na verdade, a presença da filosofia na psicologia é um entre os mais importantes saberes que nós devemos conhecer minimamente a fim de ter compreensão mais apurada dos fenômenos psicológicos.

A filosofia tem sua importância reconhecida pelos profissionais da psicologia, mas praticamente é erroneamente renegada e esquecida, portanto, para apontarmos o por qual razão é necessário o conhecimento delimitado desses saberes e suas convergências, faremos um breve ensaio acerca da psicologia moderna. Sendo assim, não daremos o foco necessário aos saberes filosóficos, mas espera-se por meio deste texto fomentar estudos mais profundos e inserir o leitor em um processo de reflexão.

Antes de começarmos a explorar o panorama histórico da psicologia é interessante que argumentemos acerca da visão de mundo e sujeito de cada um nós. Visão de mundo é como acreditamos que o mundo funciona e obviamente é assim para sujeito. Quando chegarmos as considerações finais desse texto sugerimos que façamos as perguntas: como o mundo funciona? Como o homem funciona? E a partir das respostas que obtivermos destes questionamentos poderemos estabelecer em qual teoria nossa visão de mundo e sujeito se enquadra. A psicologia como conhecemos hoje é divida entre vários ramificações e referenciais teóricos, isso levanta uma problemática conhecida e recorrente, não há unanimidade e uniformidade nas atividades práticas, referenciais teóricos e menos ainda em atividades interventivas,mas o que ressaltamos é que cada uma desses termos é fundamentado por uma visão de mundo e sujeito bem definida e limitada.

A psicologia diferentemente do que se imagina não começou com Freud ou Wundt, mas antes deles eram os fisiologistas que tratavam dos fenômenos que chamamos de psicológicos, porém, os créditos são dados a Wundt porque diferentemente dos fisiologistas eles defendeu a instituição da psicologia. Wundt foi o primeiro a estudar em vias de fato a psicologia, foi ele quem estabeleceu o que chamamos de experimental, sua doutrina estuda a percepção consciente que é conhecida como estruturalismo, essa doutrina durou de mais ou menos 1870 a 1925 e teve duas figuras importantes, primeiro Wundt por inaugurá-la e posteriormente Titchener, aluno de Wundt, foi Titchener quem disseminou a psicologia.
Simultaneamente por volta dos anos 1900 emergiram as escolas funcionalistas de Dewey e a psicanálise Freudiana. Dewey acreditava na proposta dos funcionalistas de estimulo e resposta, defendia a introspecção de Wundt e defendia que a psicologia deveria se ocupar de oferecer respostas práticas as vidas das pessoas. Ele acreditava nos métodos experimentais, porém incluiu o método comparativo. O funcionalismo diferiu do estruturalismo na medida em que Dewey argumentava que experiência não é redutível quer para os dados dos sentidos ou do conhecimento, a compreensão desta como algo puramente externa ou interna.

A psicanálise propunha o estudo das dinâmicas psíquicas e das instâncias que formam a vida psíquica humana. Freud desenvolveu duas tópicas e propôs a existência de instâncias mentais e os estudos dessas instâncias persistem até a atualidade, mas não de modo hegemônico.

Por volta de 1915 emergiram duas linhas psicológicas; Gestalt e Comportamental, a primeira estudando a percepção e a segunda o comportamento humano em interação ao ambiente. Vejamos que essas duas linhas surgiram e se desenvolveram no período de guerra em que a Europa vivia, por isso a psicologia se difundiu, nesse sentido, podemos defender que Hitler teve um papel importante na disseminação dos sabers psi pelo mundo, pois com seu antissemitismo intelectual e sua revolta contra os pesquisadores ele obrigou os pensadores a migrarem para América, mais especificamente para os estado unidos e por isso as psicologias, principalmente a Gestalt e Comportamentalismo se fincou e desenvolveu-se em solo americano.

A psicologia não era bem vista entre os acadêmicos por seu objeto de estudo até então ser interna e por isso não passível de submissão ao rigor dos métodos científicos, Watson, behaviorista, assim como Wundt fez muito pela psicologia, Wundt lutou para que fosse reconhecida como saber acadêmico, Watson transformou o objeto de estudo em algo passível de submissão ao rigor e método cientifico, por isso teve muita importância na psicologia. Watson não afirmou que os processos internos não existiam, entretanto, jamais afirmou que existiam, ele defendia que a existência não importa na medida em que não se pode mensurá-los, mas o comportamento sim pode ser mensurável, descrito e etc, sendo assim, foi Watson quem transformou de fato a psicologia em um saber cientifico.

Por volta de 1950 surgiu a psicologia humanista de Maslow e Roger e mais adiante a psicologia cognitiva com objeto de estudo bem específico e delimitado, as cognições, ou seja, o estudo dos meios que utilizamos para aquisição do conhecimento.

Posteriormente, houveram diversas tentativas em unir os objetos de estudos da psicologia, mas todas as tentativas foram frustradas, pois a partir da composição filosófica de cada teoria, muitas vezes seria antagônico unir duas concepções que não convergem. O mais próximo de união entre referenciais teóricos e a comportamental cognitiva, mas diferentemente dos movimentos anteriores a psicologia comportamental cognitiva não aceita a existência de instâncias mentais como as outras linhas, mas aceita que existem processos cognitivos que ocorrem internamente (não significa que aceite a existência de processos mentais, mas defende que há processos cognitivos que são de natureza biológica, diferente dos processos mentais que são de natureza a- temporal).

A psicologia cognitiva se solidificou por volta dos anos 1960, mais adiante a psicologia positiva 1990, não podemos nos esquecer do desenvolvimento das psicologias críticas de 1980 até hoje.

Atualmente a psicologia vem crescendo à medida que se desenvolvem novas linhas e referenciais. Temos a teoria da aceitação, a teoria dos quadros relacionais entre outras, mas o que desejamos ressaltar é que cada linha nasce em um contexto especifico e fundamentada por uma visão de mundo bem definida e quando nós vamos escolher nosso referencial essas questões idealmente devem estar bem resolvidas.

Comumente escutamos no decorrer da graduação que a teoria nos escolhe, mas particularmente não acreditamos nessa ideologia, pois o cerne é que tenhamos um conhecimento prévio das linhas para que possamos escolher.

Por exemplo, se temos a visão de mundo monista e materialista seria um grandioso equivoco escolhermos um referencial como a psicanálise que é dualista e não materialista. Nesse sentido, ensejamos fomentar reflexões acerca dessas questões.

Esse texto é apenas um panorama da historia da psicologia moderna, sugerimos para uma melhor compreensão a leitura do livro história da psicologia moderna cujo o resumo se encontra no seguinte link.

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