INTRODUÇÃO

A compreensão do comportamento humano tanto no nível individual quanto social, envolvendo as inúmeras relações que se estabelece entre as imensas variáveis em questão. Uma das preocupações dos psicólogos atualmente é tentar identificar e o estabelecimento entre estas variáveis eminentes de comportamento. A utilização de métodos de investigação como o Estudo Correlacionais permite estudar e medir relações entre uma multiplicidade de variáveis simultâneas.
Considerando-se que a opinião coletiva, como fato empírico, ou é veiculada apenas indiretamente pela meta discurso do pesquisador, ou por meio de alguma fórmula matemática perde sua forma eminentemente discursiva, propõe-se como alternativa expressiva o Discurso do Sujeito Coletivo (DSC).
A proposta do Discurso do Sujeito Coletivo elenca e articula uma série de operações sobre a matéria-prima de depoimentos coletados em pesquisas empíricas de opinião por meio de questões abertas, operações que redundam, ao final do processo, em depoimentos coletivos confeccionados com extratos de diferentes depoimentos individuais – cada um desses depoimentos coletivos veiculando uma determinada e distinta opinião ou posicionamento, sendo tais depoimentos redigidos na primeira pessoa do singular, com vistas a produzir, no receptor, o efeito de uma opinião coletiva, expressando-se, diretamente, como fato empírico, pela “boca” de um único sujeito de discurso.
A aplicação da técnica do DSC a um grande número de pesquisas empíricas no campo da saúde e também fora dele (banco de DSCs) tem demonstrado sua eficácia para o processamento e expressão das opiniões coletivas.
DISCURSO DO SUJEITO COLETIVO
O Discurso do Sujeito Coletivo ou DSC é um discurso síntese elaborado com pedaços de discursos de sentido semelhante reunidos em um só discurso.
Tendo como fundamento a teoria da Representação Social e seus pressupostos sociológicos, o DSC é uma técnica de tabulação e organização de dados qualitativos que resolve um dos grandes impasses da pesquisa qualitativa na medida em que permite, através de procedimentos sistemáticos e padronizados, agregar depoimentos sem reduzi-los a quantidades.
A técnica consiste basicamente em analisar o material verbal coletado em pesquisas que tem depoimentos como sua matéria prima, extraindo-se de cada um destes depoimentos as Idéias Centrais ou Ancoragens e as suas correspondentes Expressões Chave; com as Idéias Centrais/Ancoragens e Expressões Chave semelhantes compõe-se um ou vários discursos-síntese que são os Discursos do Sujeito Coletivo.
Em poucas palavras, o DSC constitui uma técnica de pesquisa qualitativa criada para fazer uma coletividade falar, como se fosse um só indivíduo.
O DSC e a Pesquisa Qualitativa
Em se tratando de pesquisa qualitativa, pode ser ressaltado que sempre ficam algumas questões eminentes no ar como:
· É possível desenvolver pesquisas qualitativas que tenham validade científica?
· É possível trabalhar em pesquisa qualitativa com grandes massas de dados que permitam generalizar os resultados obtidos’?
· É possível conciliar pesquisa qualitativa e quantitativa, quantificando-se os dados qualitativos?
· É possível fazer pesquisa qualitativa com controle de variáveis, ou seja, reagrupando os resultados por sexo, faixa etária, nível de renda, etc.?
A resposta a estas questões é: sim, estamos bastante perto disto.
Existe uma nova ferramenta para as pesquisas qualitativas, com efeito, o DSC é uma ferramenta concebida com vistas a tornar esta realidade possível.
Ele representa uma mudança significativa na qualidade, na fidedignidade, na eficiência e no alcance das pesquisas qualitativas porque vai permitir que se conheça, com a segurança dos procedimentos científicos, em detalhe e na sua forma natural, os pensamentos, representações, crenças e valores, de todo tipo e tamanho de coletividade, sobre todo tipo de tema que lhe diga respeito.
Digamos que você seja um político e queira saber por que teve menos (ou mais) votos do que imaginava nas últimas eleições; digamos que você seja um empresário e esteja querendo expandir e diversificar seus negócios e queira saber como sua clientela vai reagir a isso; digamos que você seja um gerente de um hospital e deseje saber sobre a satisfação ou não da sua clientela com os serviços que você vem oferecendo. Para este tipo de problema o DSC é um instrumento que poderá fornecer respostas ricas, detalhadas e altamente confiáveis.
O DSC foi desenvolvido nos últimos anos por pesquisadores da USP. Desde a consolidação da técnica, no final dos anos 90, até o momento, já foram apresentados ou encontram-se em processo de elaboração em torno de uma centena de trabalhos, entre projetos de pesquisa, dissertações de mestrado, teses de doutorado, avaliações de serviços, de cursos, de processos, etc. nas quais se aplicou a metodologia do DSC. Recentemente o método foi aplicado numa pesquisa qualitativa e quantitativa patrocinada pela representação argentina da Organização Mundial de Saúde e desenvolvida para servir de base para um projeto de marketing de saúde para o governo argentino.
Vários artigos em revistas especializadas foram escritos, bem como trabalhos apresentados em conferências e congressos nacionais e internacionais. Da mesma forma, inúmeros cursos sobre a metodologia foram desenvolvidos com o beneficio desta técnica.
OPERADORES DO DSC

Tendo como fundamento a teoria da Representação Social e seus pressupostos sociológicos, a proposta consiste basicamente em analisar o material verbal coletado extraindo-se de cada um dos depoimentos, artigos, cartas, papers, as Idéias Centrais e Ancoragens e as suas correspondentes Expressões Chave; com as Idéias Centrais/Ancoragens e Expressões Chave semelhantes compõe-se um ou vários discursos-síntese que são os Discursos do Sujeito Coletivo.

Seguem abaixo definições sucintas destes operadores do DSC.
• Expressões chave
As expressões chave (ECH) são pedaços, trechos do discurso, que devem ser destacados pelo pesquisador, e que revelam a essência do conteúdo do discurso ou a teoria subjacente.
• Idéias Centrais
A Idéia Central (IC) é um nome ou expressão lingüística que revela, descreve e nomeia, da maneira mais sintética e precisa possível, o(s) sentido (s) presentes em cada uma das respostas analisadas e de cada conjunto homogêneo de ECH, que vai dar nascimento, posteriormente, ao DSC.
A Idéia Central tem uma função eminentemente discriminadora, ou paradigmática e classificatória, permitindo identificar e distinguir cada sentido ou posicionamento presente nos depoimentos ou nos conjuntos semanticamente equivalentes de depoimentos.
• Ancoragem
Algumas ECH remetem não apenas a uma IC correspondente, mas também e explicitamente a uma afirmação que denominamos Ancoragem (AC) que é a expressão de uma dada teoria ou ideologia que o autor do discurso professa e que está embutida no seu discurso como se fosse uma afirmação qualquer.
As ancoragens são afirmações genéricas usadas pelos depoentes para “enquadrar” situações particulares.
Para que haja uma Ancoragem no depoimento é preciso encontrar, no corpo do depoimento, marcas discursivas explícitas dela.
•Discurso do Sujeito Coletivo
O Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) é uma reunião num só discurso-síntese homogêneo redigido na primeira pessoa do singular de ECH que tem em a mesma IC ou AC.
Proposta do DSC
A proposta do Discurso do Sujeito Coletivo tem como efeito a forma de conhecimento, porém os discursos não anulam ou se reduzem a uma categoria comum unificadora eles tendem a reconstruir, com pedaços de discursos individuais, como em alguns quebra-cabeças, tanto discursos sínteses quantos se julgue necessário para expressar uma data “figura”, ou seja, um dado pensar ou representação social sobre um fenômeno. Através deste modo é possível visualizar a representação social.
JUNTANDO AS PEÇAS
Para juntar as “peças” e construir o DSC é preciso considerar os seguintes princípios: A) Coerência que seria agregação ou soma não matemática de pedaços isolados de depoimentos, artigo de jornal, etc., de modo formar coerência em cada uma das partes se reconheça enquanto constituinte deste todo e este todo como constituído por estas partes. B) Posicionamento próprio, distinto e original frente ao tema que esta sendo pesquisado.
Através do discurso do sujeito coletivo os indivíduos deixam de ser individuo e se incorporam ou se dissolvem em um coletivo para expressar a repressão social, porém não é uma soma aritmética, mas uma agregação discursiva que reúne pedaços de diferentes discursos para compor o único um único “bolo” discursivo.
O fato de as representações sociais só serem resgatáveis através de discursos reconstruídos já que não existe a possibilidade de uma coletividade, diretamente, emitir um discurso, implica certa dose de artificialidade na elaboração deste discurso reconstruído. Para melhor visualizar esta complexidade podendo dizer que o imaginário pode ser considerado um meio ambiente ideológico, assim como o meio ambiente físico afeta necessária e difusamente todos os indivíduos que, enquanto seres sociais e psicológicos vivem numa dada formação social e pelo fato de serem seres humanos, atribui um sentido para viver.
Os entrevistados são em geral, repartidos em favor ou contra um dado assunto, ou os que gostam de um determinado assunto ou não. Deste modelo as representações sócias são idéias, visão de mundo equalizada, no fundo o que se deseja saber é quem – que tipo de pessoas e quantas de cada tipo – acham alguma coisa sobre o tema. Este é apenas um dos entendimentos possíveis da representação social.
De fato uma coisa são os discursos; outra os indivíduos. O pensar dos indivíduos interagem no dia-a-dia da vida social, expressam através de uma série de conteúdos que reunidos formam o meio ambiente ideológico. As pessoas são ao mesmo tempo estruturas das representações e estruturadas por elas. Enquanto seres pensantes e são gerado pelo seu meio ambiente ideológico, com o qual interage dialeticamente na medida em que o dito ambiente é ao mesmo tempo interno e externo. O pensamento de um dado indivíduo pode incluir também aquilo que os outros indivíduos socialmente equivalentes verbalizam por ele.
Os indivíduos importantes fontes para as pesquisas que visam os resgates dos discursos que constituem as representações sociais não são as únicas fontes deste tipo de pesquisa. Cada tipo ou subtipo de fonte contribui para o imaginário geral existente numa dada informação social.
Como nessa pesquisas as pessoas interessam menos que seus discursos a quantidade não é uma variável critica, sendo a variabilidade. Por isso deve-se trabalhar com amostras intencionais e com critérios eminentemente qualitativos de coleta de processamento de dados.
O DSC visa torna-se mais clara uma determinada representação social, seria como se certos grupos sociais pudessem ser vistos como um sujeito discursivo único. Assim DSC é uma forma de expressar diretamente a representação social de atores sociais com quesitos básicos em comum. E como o seu discurso de todos os sujeitos fosse um só discurso.

CONCLUSÃO
Assim sendo, pode-se colocar que a novidade que o DSC apresenta é a dupla representatividade – qualitativa e quantitativa – das opiniões coletivas que emergem da pesquisa: a representatividade é qualitativa porque na pesquisa com o DSC cada distinta opinião coletiva é apresentada sob a forma de um discurso, que recupera os distintos conteúdos e argumentos que conformam a dada opinião na escala social; mas a representatividade da opinião também é quantitativa porque tal discurso tem, ademais, uma expressão numérica (que indica quantos depoimentos, do total, foram necessários para compor cada DSC) e, portanto, confiabilidade estatística, considerando-se as sociedades como coletivos de indivíduos.
Discute-se aqui o Discurso do Sujeito Coletivo como proposta qualiquantitativa para as pesquisas de opinião ou representação social. Propõe-se a apresentação, nas pesquisas, da opinião coletiva como uma variável empírica de natureza qualitativa e quantitativa capaz, pela interposição de um sujeito de discurso ao mesmo tempo individual e coletivo, de se exprimir, diretamente, sem a mediação da meta discurso do pesquisador e sem a transmutação da opinião em variável quantitativa, com prejuízo de sua natureza essencialmente discursiva.
Os Estudos Correlacional são propostas qualitativas e quantitativas, na apresentação a equipe visa mostrar a importância do método correlacional que podem fornecer informações úteis sobre o que as pessoas fazem, pensam e sentem, pois é mais fácil obter dados atrás de experiências, pois a sua base na maioria dos casos são observados e perguntados é a melhor opção a ser utilizada quando uma experiência não pode ser realizada.

ANEXOS
ARTIGO 1

ARTIGO 2
Valores Humanos e interesses Vocacionais:
Um estudo correlacional.
Este estudo teve como objetivo principal identificar em que medida os interesses vocacionais dos adolescentes se relacionam com os valores que indicam como prioritários em suas vidas. Para alcançar este objetivo contou-se com a participação de 307 estudantes do ensino médio (público e privado) de João Pessoa (PB), com idade média de 16 anos (DP =1,60). Os participantes responderam ao Inventário de Interesse Vocacional (UNIACT) e ao Questionário dos Valores Básicos (QVB). Os resultados demonstraram que os interesses vocacionais e os valores humanos estão correlacionados. Tais achados são discutidos em função das congruências entre as características descritoras de ambos os construtos.
Palavras-chave: valores humanos, interesses vocacionais, adolescentes.
Os interesses vocacionais que as pessoas manifestam têm relação com as prioridades que elas dão aos valores que lhes guiam a vida. O objetivo do presente estudo é conhecer em que medida os interesses vocacionais dos adolescentes se relacionam com os valores que indicam como prioritários em suas vidas.
O presente estudo trilha um caminho interessando-lhe contribuir com dados empíricos para o campo dos interesses vocacionais, porquanto não tem sido até o momento esta a ênfase dos trabalhos realizados na temática (ver Gouveia, Meira, Gusmão, Gouveia & Pessoa, no prelo).
Para o estudo dos interesses vocacionais, considerou-se o modelo teórico descrito a seguir.
Estas têm como um dos autores mais conhecidos e influentes John L. Holland (Giacaglia, 2003), cujo modelo será mais adiante considerado.
O estudo dos interesses vocacionais tem se guiado, principalmente, por uma ênfase em abordagens psicodinâmicas, de cunho predominantemente clínico, procurando conhecer, por exemplo, o papel da presença dos pais, da perda parental ou de sua ausência e do contexto familiar na orientação profissional
O MODELO RIASEC DOS INTERESSES
VOCACIONAIS
Holland (1997) propôs uma teoria a respeito das personalidades vocacionais que tem sido aplicada com sucesso na prática de psicólogos, conselheiros e orientadores vocacionais na atualidade (Day &
Rounds, 1998; Giacaglia, 2003; Weinrach, 1996).
Holland (1996, 1997) postula classificar os interesses vocacionais de acordo com seis tipos de personalidade e/ou de ambiente. A nomenclatura RIASEC, que dá nome ao modelo, deriva da letra inicial de cada um dos tipos de personalidade postulados por Holland (1997). Para esse autor, é possível identificar empiricamente cada tipo de personalidade nos questionários que procuram medi-los, e estes se estruturam ou são representados de acordo com um hexágono.
A consistência vem dada pela correlação entre um tipo de personalidade outro. Destarte, para tipos adjacentes, como realístico e investigativo ou investigativo e artístico, se espera correlações mais fortes, enquanto entre aqueles em lados opostos – por exemplo, realístico e social ou investigativo e empreendedor -, comprovam-se correlações mais fracas.
Já entre tipos de personalidade alternados, como realístico e artístico, haveria uma correlação intermediária. Holland (1997) afirma que as pessoas com determinado tipo de personalidade se sentiriam mais confortáveis em trabalhar em um ambiente que maximizasse seus valores, sua visão de mundo e suas práticas diárias.
Os tipos de personalidade e/ou de ambiente postulados por esse autor podem ser expressos resumidamente como apresentados a seguir (Day & Rounds, 1998; Holland, 1997).
Já entre tipos de personalidade alternados, como realístico e artístico, haveria uma correlação intermediária. Este esquema de consistências tem uma implicação prática, isto é, indica que pode ser menos perturbador ou menos conflitante migrar entre tipos de personalidade adjacentes.
Em outras palavras, a compatibilidade, isto é, a congruência entre tipo de personalidade e ambiente, produziria o máximo bem estar subjetivo e proporcionaria, por extensão, melhor desempenho e maior produtividade no trabalho. Os tipos de personalidade e/ou de ambiente postulados por esse autor podem ser expressos resumidamente como apresentados a seguir (Day & Rounds, 1998; Holland, 1997). Os achados acerca dos valores e destes tipos de personalidade provêm do estudo de Sagiv (2002).
Realístico (R). A pessoa que apresenta este tipo de personalidade tem preferência por atividades ordenadas, com manipulação sistemática de objetos, máquinas, ferramentas e animais, apresentando aversão a atividades educacionais e terapêuticas.
De acordo com Sagiv (2002), este tipo não apresenta claro padrão correlacional com os valores, porquanto representa motivações diferentes para pessoas diferentes, sem relações sistemáticas com qualquer tipo de valor.
Investigativo (I). Quem apresenta este tipo de personalidade prefere atividades de observação, simbólicas, sistemáticas, investigação criativa de fenômenos físicos, biológicos e culturais para entendê-los e controlá-los, assim como é avesso a atividades persuasivas, sociais e repetitivas. Tem também características analíticas, intelectuais, céticas, pessimistas, críticas, complexas, curiosas e talento acadêmico, mas poucas habilidades interpessoais, podendo ser definido como não-popular. Tal pessoa expressa uma motivação para entender aspectos abstratos e profundos do Universo, além de ser motivada por autonomia. Este tipo de personalidade relaciona-se positivamente com os valores autodireção e universalismo, fazendo-o negativamente com conformidade, segurança e tradição.
Artístico (A). Os que são caracterizados por este tipo de personalidade têm preferência por atividades ambíguas, livres e não-sistemáticas, costumam ser abertos à experiência, inovadores, desordenados, emocionais, expressivos, idealistas, independentes, introspectivos, originais, sensíveis intelectuais, todavia com poucas habilidades clericais ou de negócios.
Social (S). Este tipo de personalidade indica alguém que opta por atividades que envolvem outras pessoas com aversão a atividades ordenadas, sistemáticas ou que impliquem a manipulação de materiais físicos, ferramentas e máquinas. A pessoa é empática, paciente, cooperativa, amigável, persuasiva, compreensiva, responsável e possuem habilidades interpessoais, estas preferências refletem uma motivação para cuidar dos outros. Neste tipo de personalidade foi observada uma correlação positiva com o tipo motivacional benevolência.
Empreendedor (E). Quem apresenta este tipo de personalidade prefere atividades que evidenciem a “manipulação” dos outros para obter ganhos pessoais, seja no plano econômico seja no organizacional.
Demonstra igualmente pouco interesse por atividades simbólicas e sistemáticas. Prima pela aquisição de competências de liderança, interpessoais e persuasivas, com habilidades de vendas e de persuasão, mas com poucas habilidades científicas.
Tal pessoa apresenta como características principais ser enérgica, agradável, dominadora, ambiciosa, falante, otimista e autoconfiante. Poder e realização, positivamente, e universalismo, negativamente, foram os valores que se mostraram correlacionados com este tipo de personalidade.
Convencional (C). Este tipo de personalidade é típico de pessoas que têm preferência por atividades ordenadas, de manipulação sistemática de dados, de manutenção de arquivos, reprodução de materiais, organização de relatórios, numeração de dados de acordo com planos prescritos, operação de máquinas de caixa, evitando atividades ambíguas, livres ou não sistemáticas.
Tais pessoas preferem desenvolver competências computacionais, clericais e de negócios, mas têm pouco interesse em atividades artísticas.
Além disso, refletem a motivação para se envolver com o familiar e evitar o novo, o diferente, resistindo a mudanças. Pessoas assim tenderiam a dar importância a valores como conformidade, segurança e tradição, não priorizando aqueles como autodireção, estimulação e universalismo.
Em resumo, os cinco tipos de personalidade, em alguma medida, podem ser correlacionados com os valores humanos, ao menos como os operacionaliza S. H. Schwartz (Sagiv, 2002). Apesar da importância deste modelo teórico (Ros, 2001), partiu-se de outro, que é mais parcimonioso e reúne informações sobre sua adequação métrica e capacidade explicativa no contexto brasileiro (Chaves, 2007; Gouveia, Albuquerque, Clemente & Espinosa, 2002; Pimentel, 2004; Santos, 2008). A seguir se descreve este modelo, que será empregado para conhecer os valores humanos.
VALORES HUMANOS BÁSICOS
Gouveia (1998, 2003) tem proposto que os valores humanos podem ser explicados com base nas funções a que servem tipo motivador (materialista ou humanitário) e tipo de orientação (pessoal central ou social). A combinação de tais funções permite derivar experimentação (emoção, prazer e sexo), realização (êxito, poder e prestígio), interação (afetividade, apoio social e convivência), normativa (obediência, religiosidade e tradição), existência (estabilidade pessoal, saúde e sobrevivência) e suprapessoal (beleza, conhecimento e maturidade).
Cada tipo de orientação abarca duas subfunções: valores pessoais (experimentação e realização), valores centrais (existência e suprapessoal) e valores sociais (interacional e normativo). Por outro lado, cada tipo de motivador concentra três subfunções: materialista (existência, realização e normativa) e humanitário (suprapessoal, experimentação e interacional).
Este modelo parece explicar adequadamente a estrutura dos valores apresentada por Schwartz (2005), Schwartz e Bilsky (1987), conforme os achados de Gouveia (2003).
Neste sentido, podem-se assumir como referência os padrões de correlações descritos por Sagiv (2002) entre os valores e os interesses (tipos de personalidade) vocacionais.
VALORES E INTERESSES
Os valores sugerem uma relação com os interesses vocacionais, pois, como afirma Holland (1997), eles são parte dos eventos que criam disposições ou tipos de personalidade para exibir um comportamento característico.
Em muitas profissões é permitido atuar de acordo com os valores de cada um, entretanto, há profissões exercidas em ambientes em que predominam certos valores (Kasser & Ahuvia, 2002). Se alguém não valoriza ou não acredita na salvação da alma, profissões como sacerdote, pastor ou rabino não se aplicam a ele (Giacaglia, 2003).
Em pesquisa realizada com estudantes dos Estados Unidos (n = 180) e Singapura (n = 184), em que foram aplicados, entre outros instrumentos, o Questionário de Valores de Schwartz e o Inventário de Interesse Vocacional (UNIACT-R), Soh e Leong (2002) averiguaram que poucos foram os valores correlacionados com os interesses vocacionais. Concretamente, constataram que as pontuações no tipo de personalidade definido como empreendedor se correlacionaram diretamente com a importância atribuída aos valores dos tipos motivacionais poder (r = 0,32, p < 0,01) e realização (r = 0,23, p < 0,01); poder também se correlacionou com o tipo de personalidade conversador (r = 0,23, p < 0,01); e, finalmente, as pontuações no tipo motivacional de valor denominado de benevolência se correlacionaram com aquelas obtidas no tipo de personalidade social (r = 0,31, p < 0,01). Nenhuma outra correlação estatisticamente significativa (p < 0,01) foi destacada por estes autores.
No estudo de Furnham (1988), por exemplo, verificaram-se diferenças nas prioridades valorativas de estudantes de Medicina, Enfermagem e Psicologia. De acordo com esse autor, os estudantes de Psicologia, comparados aos demais grupos, valorizaram em maior medida um mundo em paz, amor maduro, imaginativo, intelectual e felicidade. Estudantes de Medicina, por outro lado, valorizaram mais uma vida excitante e lógica do que valores como um mundo em paz e educado.
Os estudantes de Enfermagem se mostraram mais conservadores, valorizando, por exemplo, segurança familiar, salvação, alegria, limpeza, obediência, educação e autocontrole.
O objetivo específico desta pesquisa foi verificar que relações podem ser observadas entre os tipos de personalidade (interesses vocacionais) e as subfunções psicossociais dos valores humanos. Embora seja possível presumir que existam, é preciso que se comprovem a direção e magnitude destas correlações no contexto brasileiro, onde não se encontrou qualquer estudo a respeito.
MÉTODO
Delineamento e hipóteses
O presente estudo compreendeu um delineamento correlacional ex post facto, considerando dois conjuntos principais de variáveis: os valores humanos e os interesses vocacionais. Na Figura a seguir são apresentadas as correlações que deveriam ser esperadas entre estes construtos, de acordo com o que foi observado por Sagiv (2002).
Interesses Vocacionais

Funções Psicossociais R I A S E C
Experimentação + –
Realização +
Existência +
Suprapessoal. +
Interacional + + – –
Normativa +
Normativa – +

Hipóteses sobre a Relação dos Valores
Humanos com os Interesses Vocacionais
Amostra
A pesquisa foi realizada contando com a participação de 307 jovens, estudantes do ensino médio, oriundos de três escolas públicas e três particulares de João Pessoa, PB. Estes apresentaram uma média de idade de 16 anos (amplitude de 14 a 26, DP = 1,60); em sua maioria eram do sexo feminino (58,6%) eram solteiros (93,8%), considerando-se predominantemente de classe social média (66,8%).

Instrumentos
Os participantes responderam a dois instrumentos principais: Questionário dos Valores Básicos, QVB: compreende uma medida objetiva dos valores humanos, proposta por Gouveia (1998 2003).
Considera-se aqui a versão composta por 18 itens (valores) específicos, distribuídos eqüitativamente nas seis funções psicossociais anteriormente descritas.
Estes itens são respondidos em escala de 7 pontos, com os seguintes extremos: 1 = Nada importante e 7 = Muito importante.
Inventário de Interesse Vocacional, UNIACT: este, fundamentado no modelo teórico de Holland
(1997), consta de 90 itens eqüitativamente distribuídos sem seis fatores principais: realístico (por exemplo, procurar defeitos em produtos; consertar um brinquedo), investigativo (por exemplo, aprender como o cérebro funciona; artístico (por exemplo, ler sobre estilo literário de autores modernos; social (por exemplo, prestar primeiros socorros para uma pessoa ferida; empreendedor (por exemplo, dirigir uma pequena empresa; e convencional (por exemplo, calcular os juros de um empréstimo; a tarefa do participante é avaliar quanto gosta do que expressa, utilizando para isso uma escala de três pontos, com os seguintes pesos: 1 = Não gosta 2 = Indiferente e 3 = Gosta.
Além destes dois instrumentos, que foram contrabalanceados, apresentou-se uma lista com perguntas de natureza demográfica, a saber: sexo, idade, estado civil. Estas, invariavelmente, figuraram como a última parte a ser respondida.
RESULTADOS
Para efetuar as correlações entre os valores humanos e os interesses vocacionais foram realizados alguns procedimentos prévios. No caso dos valores humanos, procedeu-se ao somatório da pontuação bruta de cada sujeito em cada valor básico, obedecendo ao critério de pertença a cada uma das seis subfunções psicossociais dos valores humanos. O resultado das somas era dividido pelo número de valores básicos que compunha a função correspondente. Este procedimento fornecia um valor ponderado para as seis subfunções psicossociais. .
Os itens da escala (UNIACT) foram computados obedecendo à orientação fatorial proposta, composta por seis fatores (RIASEC). Ao final, cada uma das seis pontuações representava os fatores em questão. Os resultados da correlação entre estes dois construtos podem ser visualizados na Tabela 1.

Tabela 1.
Correlação entre os Fatores do RIASEC e os Valores Humanos
Funções R I A S E C
Experimentação 0,04 0,00 0,13* 0,04 0,10 0,07
Realização 0,02 0,07 0,04 0,06 0,15** 0,10
Existência 0,07 0,08 0,05 0,10 0,08 0,19**
Suprapessoal 0,18* 0,280,270,260,230,14*
Interacional 0,10 0,10 0,190,390,19*0,13
Normativa 0,02 0,03 0,08 0,14* 0,11 0,01
Significativamente estatístico para* p < 0,05, ** p < 0,001

As pontuações altas no tipo de interesse vocacional (tipo de personalidade) realístico apresentaram, surpreendentemente, correlação direta com os valores suprapessoais (r = 0,18; p < 0,05). Por sua vez, os altos índices no interesse investigativo mostraram-se, como esperado, correlacionados positivamente com os valores suprapessoais (r = 0,28; p < 0,001). Pontuações altas no fator artístico mostraram-se correlacionadas positivamente com os valores suprapessoais (r = 0,27; p < 0,001), tal como havia sido hipotetizado. Por outro lado, não se confirmaram as hipóteses que indicavam que este interesse (tipo de personalidade) se correlacionaria negativamente com os valores normativos (r = 0,08; p > 0,05). Houve correlação positiva e significativa com valores interacionais (r = 0,19; p < 0, 001) e de experimentação (r = 0,13; p <<<<, 05). No que se refere ao interesse vocacional (tipo de personalidade) social, este apresentou um padrão de correlação de acordo com o esperado teoricamente. Encontraram-se correlações positivas com os valores suprapessoais (r = 0,26; p < 0, 001), normativos (r = 0,14; p < 0,05) e, principalmente, interacionais (r = 0,39; p < 0, 001). Esta última correlação corrobora a hipótese inicial, entretanto a primeira não havia sido prevista. Esperava-se encontrar também uma correlação inversa entre os valores de experimentação e o interesse social, porém isto não foi observado (r = 0,04; p > 0,05).
Para o tipo de personalidade (interesse) empreendedor, previu-se encontrar correlações positivas com os valores de experimentação e realização, porém negativas com aqueles suprapessoais. Apenas a segunda hipótese foi confirmada: realização (r = 0,15; p < 0, 001); os valores de experimentação não apresentaram correlação significativa com este tipo de interesse (r = 0,10; p > 0,05). Contudo, empiricamente, foram observadas correlações, todas diretas, da pontuação no tipo empreendedor com os valores suprapessoai s(r = 0,23; p < 0, 001) e interacionais (r = 0,19; p < 0, 001). Finalmente, quanto ao tipo de personalidade convencional, das correlações teoricamente esperadas, uma positiva foi confirmada: aquela referente às pontuações neste tipo com os valores de existência (r = 0,19; p < 0, 001). Todavia, a correlação positiva encontrada entre este tipo de interesse vocacional e os valores suprapessoais (r = 0,14; p < 0,05) não era esperada teoricamente. A correlação negativa esperada com os valores de experimentação não foi também verificada nesta amostra (r = 0,07; p > 0,05). Além disso, outra correlação desde tipo de interesse foi observada, a saber, aquela que diz respeito aos valores interacionais (r = 0,13; p < 0,05).
Em resumo, observa-se um padrão de correlação entre os tipos de personalidade (interesses vocacionais) e os valores humanos que, embora reproduza resultados prévios de pesquisa, evidencia alguma especificidade da associação entre tais construtos no contexto em que a pesquisa foi desenvolvida. Procura-se a seguir discutir mais pormenorizadamente os resultados encontrados.
DISCUSSÃO
A medida utilizada no presente estudo é, como na maioria dos estudos, de tipo verbal, fato que dificulta o estudo de variáveis sobre interesses vocacionais em pessoas analfabetas (Gusmão, 2004), limitando-se a amostra a pessoas com grau de instrução ao menos funcional. Seria, portanto, interessante em estudos futuros poder contar com medidas não-verbais, que possibilitassem cobrir uma amostra mais abrangente e diversificada, o que pode também ser levado a cabo com respeito aos valores humanos.
Observou-se que valores suprapessoais, como beleza, conhecimento e maturidade, parecem independer dos tipos de interesse vocacional das pessoas; estão relacionados com quaisquer deles, isso no caso de se pretender dividir operacionalmente os tipos de personalidade vocacional em termos de orientação social.
Pode-se observar que as pontuações elevadas em valores interacionais, como apoio social, convivência e afetividade, só não se correlacionam com pontuações em tipos de personalidade vocacional que exprimem maior aversão a ambientes sociais, nos quais se necessita interação maior com outras pessoas.
A correlação esperada entre interesse vocacional realístico e os valores normativos não foi corroborada, tendo-se em vista que em estudo realizado com uma amostra de universitários em final de curso havia sido corroborada (Gusmão, 2004).
Tal resultado sugere que um envolvimento maior com a profissão definida, não sendo o caso de estudantes de ensino médio, participantes desta pesquisa.
Aquelas pessoas interessadas por profissões da área investigativa e artística priorizam atualizar seus conhecimentos sem ter interesses muito limitados quanto aos benefícios, de maneira que seus valores são algo mais que pessoais (suprapessoais)
Os resultados referentes ao tipo de interesse empreendedor, o qual é típico de pessoas que se interessam por liderança ou persuasão, indicam que indivíduos que valorizam ser chefe de uma equipe ou tomar decisões e obter o que se propõem (por exemplo, poder e êxito, valores de realização; Soh e Leong, (2002) tendem a apresentar pontuação alta em profissões com a característica citada.
É compreensível que pessoas que apresentem interesse convencional apreciem assegurar estabilidade pessoal e sobrevivência, valores que cobrem a função de existência, pois são pessoas mais próximas do concreto, da busca material, ligadas a aspectos financeiros, fazendo sentido pensar na sua relação com a importância dada a tais valores.
Contudo, este tipo de interesse não apresentou padrão correlacional tão claro.
Finalmente, diante dos resultados anteriormente descritos, poderia ser interessante realizar estudos longitudinais ou transversais em que se verificassem as correlações entre estas variáveis no decorrer do processo vocacional dos indivíduos. A contribuição deste estudo está em fornecer a um campo ainda iniciante no Brasil (Gusmão, 2004) dado sobre a relação entre as prioridades valorativas de adolescentes e os seus interesses profissionais.
Destarte, conhecer que valores orientam a escolha profissional das pessoas pode ser útil para entender mais acerca do contexto psicossocial em que se realiza esta escolha.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

Valdiney V. Gouveia, Universidade Federal da Paraíba, CCHLA, Departamento de Psicologia, CEP 58051-900, João Pessoa-PB. E-mail: vgouveia@cchla.ufpb.br
Pesquisa Qualitativa na Atenção à Saúde – Catherine Pope e Nicholas Mays
http://www.scielo.br/
www.educ.fc.ul.pt/docentes/ichagas/mi2/T1Estudos%20correlacionais. pdf –
.Banco de dados sobre trabalhos com o DSC. Disponível em Www.Fsp.Usp.Br/Quali-Saude.
.Lefevre F; Lefevre AMC; Teixeira JJV. O Discurso do Sujeito Coletivo. Uma nova abordagem metodológica em pesquisa qualitativa. Caxias do Sul; Educs 2000
.Lefevre F; Lefevre AMC. O Discurso do Sujeito Coletivo. Um novo enfoque em pesquisa qualitativa. Desdobramentos. Caxias do Sul, Educs 2003
.Batista, M. N; Morais, P.R. Delineamento Experimental. Em: M. N. Baptista e D. C. Campos, Metodologias de Pesquisa em Ciências: análise quantitativa e qualitativa. 2005

ESTUDO CORRELACIONAL
O delineamento é a estrutura da investigação e é também uma parte do método cientifico, neste caso o delineamento escolhido para o estudo relacionado como o tipo de informação, com o que se quer saber sobre fenômeno que se pretende estudar. O Estudo Correlacional é utilizado quando se quer saber se duas ou mais variáveis são relacionadas e como é esta relação, este método vem sido muito utilizado para pesquisas na área de Psicologia.
Como citado anteriormente os Estudos Correlacionais tem como objetivo identificar relação entre variáveis, porém esta categoria de estudo muitas vezes engloba dois tipos diferentes. Um deles é a relação que se procura é saber se uma variável muda em intensidade semelhante á mudança de outra variável, neste tipo de delineamento se privilegia o uso de um teste estatístico denominado teste de correlação, e o resultado pode ser três tipos: a) não há relação entre as mudanças observadas nas duas variáveis; b) quando aumenta a intensidade em uma variável, aumenta também a intensidade nas outras variáveis; e c) quando aumenta a intensidade de uma variável diminui a intensidade na outra. Em outro tipo de delineamento procura-se saber se os grupos apresentam diferentes intensidades em relação a uma determinada variável, neste caso tem dois tipos de resultados; a) os grupos apresentam distintas intensidades; e b) as diferenças que os grupos apresentam são pequenas o suficiente para serem atribuídas ao acaso.
OBJETIVO DO ESTUDO CORRELACIONAL
Os Estudos Correlacional, poderão ser efetuados a partir de dois grandes objetivos que são: em primeiro é estudar e estabelecer relações entre as variáveis; em segundo é predizer o comportamento de uma das variáveis.
No primeiro caso a investigação é conduzida com a intenção de testar a hipótese formulada pelo investigador de que existem relações entre as variáveis envolvidas no fenômeno em estudo. No segundo caso o objetivo é estabelecer uma relação entre o comportamento da variável dependendo da outra variável (independente).
CORRELAÇÃO
Para avaliar e expressar em termos qualitativos e quantitativos o grau (intensidade) e o sentido da relação entre variáveis utilizam-se coeficientes de correlação. Atualmente existem vários tipos de medidas de correlação e a sua escolha depende do tipo de variáveis que estamos a utilizar e das suas escalas de medidas (COHEN ET al. 2000). O conceito de Correlação enfoca a variação de dois fenômenos ao mesmo tempo.
Hoje é possível considerar que o uso de correlação em suas muitas formas se transformou no motor da pesquisa e da analise quantitativa, porém nossa realidade vai um pouco além, ela é constituída por fatos que acontecem simultaneamente. Por exemplo, enquanto uma pessoa esta namorando, outra esta se separando, enquanto uma pessoa esta sentada estudando, outra esta se alimentando, por esses exemplo é fácil distinguir um determinado grupo do outro principalmente pelo intervalo entre as duas observações. Em geral observamos fatos do nosso cotidiano, em geral ficamos atentos a sua seqüência e procuramos uma explicação ou interpretação para eles, nesta busca pela explicação em nosso cérebro organizamos os fatos observados, que estejam ocorrendo em simultaneidade, dependência, coincidência, independência.
Para que seja estabelecida a existência de uma uniformidade ou regularidade nos dados observados, utiliza-se algum ponto de referencia, ou seja, tiramos conclusões sobre novas experiências com experiências já armazenadas é por isso que fazemos comparações. Nossas teorias e concepções sobre fenômenos geralmente são baseadas em supostas correlações.
CORRELAÇÃO INTUITIVA
Quando percebemos que uma coisa varia ou muda em algum aspecto e associamos essa mudança a alguma outra observação, por exemplo; conforme aumenta de idade, a criança fica mais alta; conforme aumenta o preço das coisas, aumenta o salário, porém podemos constatar também que, quando mais tenho que estudar, menos tempo tenho para me divertir; ao lado disso, posso observar que quanto mais agressiva uma pessoa se torna, menos amizades ela constrói. Os primeiros exemplos significam que conforme aumentou a intensidade de um fenômeno aumenta também a intensidade do outro, dizemos que dois fenômenos se correlacionam positivamente. Nos dois últimos exemplos um fenômeno a intensidade aumentou e no outro diminuiu, essa tendência indica uma correlação negativa.
O COEFICIENTE DE CORRELAÇÃO PRODUTO – MOMENTO
Primeiramente a discrepância a ser observada na mesma pessoa ou objeto de informação, é preciso que os sujeitos sejam os mesmos para se analisar a covariação de duas variáveis. Em segundo as medidas das variáveis podem ser de diferentes magnitudes, ou seja, algumas variáveis pode ter sido medida em um intervalo de 0 a 50 e a outra em um intervalo de 30 a 100, por exemplo, em outros termos as unidades pelas quais são computadas as intensidades de uma variável ou a quantidade de condutas observadas podem diferir de variável para variável. Sendo assim uma variável pode ser quilômetros e a outra, em reais, entretanto seja qual for essas formas de variáveis elas devem ter como fonte de informações a mesma pessoa.
A questão de se compararem coisas diferentes em unidades diferentes é um problema clássico, a matemática consegue resolver estes tipos de problemas, atualmente já existem programas para fazer este tipo de calculo. Um coeficiente de correlação varia em um intervalo que vai de +1 até -1, passando pelo valor zero. Assim o valor um é a correlação positiva máxima, ou seja, isso que dizer que as duas variáveis covariam positivamente e perfeitamente, o valor de correlação é -1.
A facilidade de uso desses coeficientes é que muito rapidamente podemos saber como covariam duas variáveis quaisquer, qual a sua direção e quanto de dispersão há nessa covariação. Quando a correlação chega à zero significa simplesmente que as pontuações de duas variáveis variam separadamente.
CORRELAÇÃO NÃO LINEAR
A analise da correlação é baseada no pressuposto de uma relação linear entre duas variáveis. O fato de se obter a um coeficiente de linear baixo ou perto do zero apenas indica que não relação linear. Independentemente das estatísticas utilizadas, o investigador deve sempre começar por uma representação gráfica dos dados mesmo tendo razão para acreditar que a relação não é linear. Se no gráfico houver indicio de relação o investigador deverá utilizar outro tipo de analise.
CORRELAÇÃO MUTIPLA
A correlação múltipla indica o grau de associação entre várias variáveis. Não esta apenas relacionada às variáveis dependentes, mas com as intercorrelações entre as variáveis dependentes.
CORRELAÇÃO PARCIAL
A correlação parcial estabelece o grau de associação entre duas variáveis depois da influencia de uma terceira ter sido controlada ou posta parcialmente de fora.
RELAÇÃO ENTRE O ESTUDO CAUSAL
A diferença básica entre o Estudo Correlacional e o Estudo Causal é que o primeiro não permite estabelecer causalidade entre variáveis que estão sendo investigado, já o modelo do segundo permite. Em suma, apenas quando que possibilitaram o estudo foram obtidos por meios experimentais e com os cuidados necessários e apropriados é que se pode falar em causa e efeito.
Os Estudos Causal só são realizados quando não possível fazer uma abordagem experimental, isso é, selecionar, controlar, manipular as variáveis envolvidas em um determinado fenômeno. Este método permite que cada investigador estabeleça uma grande quantidade de hipóteses a serem estudadas, de acordo com a informação disponível.
Na realidade, os profissionais de Psicologia têm certa preferência pelo método experimental, porque podem manipular condições de pesquisa e tirar conclusões sobre causa e efeito. A matriz esta na possibilidade de controlar e explicar por que as coisas acontecem e sua possibilidade de mudá-las. Isso não deixa de ser particularmente interessante, principalmente quando se esta atendendo em consultório e se visa à melhora do paciente.

CONCLUSÃO
Assim sendo, pode-se colocar que a novidade que o DSC apresenta é a dupla representatividade – qualitativa e quantitativa – das opiniões coletivas que emergem da pesquisa: a representatividade é qualitativa porque na pesquisa com o DSC cada distinta opinião coletiva é apresentada sob a forma de um discurso, que recupera os distintos conteúdos e argumentos que conformam a dada opinião na escala social; mas a representatividade da opinião também é quantitativa porque tal discurso tem, ademais, uma expressão numérica (que indica quantos depoimentos, do total, foram necessários para compor cada DSC) e, portanto, confiabilidade estatística, considerando-se as sociedades como coletivos de indivíduos.
Discute-se aqui o Discurso do Sujeito Coletivo como proposta qualiquantitativa para as pesquisas de opinião ou representação social. Propõe-se a apresentação, nas pesquisas, da opinião coletiva como uma variável empírica de natureza qualitativa e quantitativa capaz, pela interposição de um sujeito de discurso ao mesmo tempo individual e coletivo, de se exprimir, diretamente, sem a mediação da meta discurso do pesquisador e sem a transmutação da opinião em variável quantitativa, com prejuízo de sua natureza essencialmente discursiva.
Os Estudos Correlacional são propostas qualitativas e quantitativas, na apresentação a equipe visa mostrar a importância do método correlacional que podem fornecer informações úteis sobre o que as pessoas fazem, pensam e sentem, pois é mais fácil obter dados atrás de experiências, pois a sua base na maioria dos casos são observados e perguntados é a melhor opção a ser utilizada quando uma experiência não pode ser realizada.

ANEXOS
ARTIGO 1

ARTIGO 2
Valores Humanos e interesses Vocacionais:
Um estudo correlacional.
Este estudo teve como objetivo principal identificar em que medida os interesses vocacionais dos adolescentes se relacionam com os valores que indicam como prioritários em suas vidas. Para alcançar este objetivo contou-se com a participação de 307 estudantes do ensino médio (público e privado) de João Pessoa (PB), com idade média de 16 anos (DP =1,60). Os participantes responderam ao Inventário de Interesse Vocacional (UNIACT) e ao Questionário dos Valores Básicos (QVB). Os resultados demonstraram que os interesses vocacionais e os valores humanos estão correlacionados. Tais achados são discutidos em função das congruências entre as características descritoras de ambos os construtos.
Palavras-chave: valores humanos, interesses vocacionais, adolescentes.
Os interesses vocacionais que as pessoas manifestam têm relação com as prioridades que elas dão aos valores que lhes guiam a vida. O objetivo do presente estudo é conhecer em que medida os interesses vocacionais dos adolescentes se relacionam com os valores que indicam como prioritários em suas vidas.
O presente estudo trilha um caminho interessando-lhe contribuir com dados empíricos para o campo dos interesses vocacionais, porquanto não tem sido até o momento esta a ênfase dos trabalhos realizados na temática (ver Gouveia, Meira, Gusmão, Gouveia & Pessoa, no prelo).
Para o estudo dos interesses vocacionais, considerou-se o modelo teórico descrito a seguir.
Estas têm como um dos autores mais conhecidos e influentes John L. Holland (Giacaglia, 2003), cujo modelo será mais adiante considerado.
O estudo dos interesses vocacionais tem se guiado, principalmente, por uma ênfase em abordagens psicodinâmicas, de cunho predominantemente clínico, procurando conhecer, por exemplo, o papel da presença dos pais, da perda parental ou de sua ausência e do contexto familiar na orientação profissional
O MODELO RIASEC DOS INTERESSES
VOCACIONAIS
Holland (1997) propôs uma teoria a respeito das personalidades vocacionais que tem sido aplicada com sucesso na prática de psicólogos, conselheiros e orientadores vocacionais na atualidade (Day &
Rounds, 1998; Giacaglia, 2003; Weinrach, 1996).
Holland (1996, 1997) postula classificar os interesses vocacionais de acordo com seis tipos de personalidade e/ou de ambiente. A nomenclatura RIASEC, que dá nome ao modelo, deriva da letra inicial de cada um dos tipos de personalidade postulados por Holland (1997). Para esse autor, é possível identificar empiricamente cada tipo de personalidade nos questionários que procuram medi-los, e estes se estruturam ou são representados de acordo com um hexágono.
A consistência vem dada pela correlação entre um tipo de personalidade outro. Destarte, para tipos adjacentes, como realístico e investigativo ou investigativo e artístico, se espera correlações mais fortes, enquanto entre aqueles em lados opostos – por exemplo, realístico e social ou investigativo e empreendedor -, comprovam-se correlações mais fracas.
Já entre tipos de personalidade alternados, como realístico e artístico, haveria uma correlação intermediária. Holland (1997) afirma que as pessoas com determinado tipo de personalidade se sentiriam mais confortáveis em trabalhar em um ambiente que maximizasse seus valores, sua visão de mundo e suas práticas diárias.
Os tipos de personalidade e/ou de ambiente postulados por esse autor podem ser expressos resumidamente como apresentados a seguir (Day & Rounds, 1998; Holland, 1997).
Já entre tipos de personalidade alternados, como realístico e artístico, haveria uma correlação intermediária. Este esquema de consistências tem uma implicação prática, isto é, indica que pode ser menos perturbador ou menos conflitante migrar entre tipos de personalidade adjacentes.
Em outras palavras, a compatibilidade, isto é, a congruência entre tipo de personalidade e ambiente, produziria o máximo bem estar subjetivo e proporcionaria, por extensão, melhor desempenho e maior produtividade no trabalho. Os tipos de personalidade e/ou de ambiente postulados por esse autor podem ser expressos resumidamente como apresentados a seguir (Day & Rounds, 1998; Holland, 1997). Os achados acerca dos valores e destes tipos de personalidade provêm do estudo de Sagiv (2002).
Realístico (R). A pessoa que apresenta este tipo de personalidade tem preferência por atividades ordenadas, com manipulação sistemática de objetos, máquinas, ferramentas e animais, apresentando aversão a atividades educacionais e terapêuticas.
De acordo com Sagiv (2002), este tipo não apresenta claro padrão correlacional com os valores, porquanto representa motivações diferentes para pessoas diferentes, sem relações sistemáticas com qualquer tipo de valor.
Investigativo (I). Quem apresenta este tipo de personalidade prefere atividades de observação, simbólicas, sistemáticas, investigação criativa de fenômenos físicos, biológicos e culturais para entendê-los e controlá-los, assim como é avesso a atividades persuasivas, sociais e repetitivas. Tem também características analíticas, intelectuais, céticas, pessimistas, críticas, complexas, curiosas e talento acadêmico, mas poucas habilidades interpessoais, podendo ser definido como não-popular. Tal pessoa expressa uma motivação para entender aspectos abstratos e profundos do Universo, além de ser motivada por autonomia. Este tipo de personalidade relaciona-se positivamente com os valores autodireção e universalismo, fazendo-o negativamente com conformidade, segurança e tradição.
Artístico (A). Os que são caracterizados por este tipo de personalidade têm preferência por atividades ambíguas, livres e não-sistemáticas, costumam ser abertos à experiência, inovadores, desordenados, emocionais, expressivos, idealistas, independentes, introspectivos, originais, sensíveis intelectuais, todavia com poucas habilidades clericais ou de negócios.
Social (S). Este tipo de personalidade indica alguém que opta por atividades que envolvem outras pessoas com aversão a atividades ordenadas, sistemáticas ou que impliquem a manipulação de materiais físicos, ferramentas e máquinas. A pessoa é empática, paciente, cooperativa, amigável, persuasiva, compreensiva, responsável e possuem habilidades interpessoais, estas preferências refletem uma motivação para cuidar dos outros. Neste tipo de personalidade foi observada uma correlação positiva com o tipo motivacional benevolência.
Empreendedor (E). Quem apresenta este tipo de personalidade prefere atividades que evidenciem a “manipulação” dos outros para obter ganhos pessoais, seja no plano econômico seja no organizacional.
Demonstra igualmente pouco interesse por atividades simbólicas e sistemáticas. Prima pela aquisição de competências de liderança, interpessoais e persuasivas, com habilidades de vendas e de persuasão, mas com poucas habilidades científicas.
Tal pessoa apresenta como características principais ser enérgica, agradável, dominadora, ambiciosa, falante, otimista e autoconfiante. Poder e realização, positivamente, e universalismo, negativamente, foram os valores que se mostraram correlacionados com este tipo de personalidade.
Convencional (C). Este tipo de personalidade é típico de pessoas que têm preferência por atividades ordenadas, de manipulação sistemática de dados, de manutenção de arquivos, reprodução de materiais, organização de relatórios, numeração de dados de acordo com planos prescritos, operação de máquinas de caixa, evitando atividades ambíguas, livres ou não sistemáticas.
Tais pessoas preferem desenvolver competências computacionais, clericais e de negócios, mas têm pouco interesse em atividades artísticas.
Além disso, refletem a motivação para se envolver com o familiar e evitar o novo, o diferente, resistindo a mudanças. Pessoas assim tenderiam a dar importância a valores como conformidade, segurança e tradição, não priorizando aqueles como autodireção, estimulação e universalismo.
Em resumo, os cinco tipos de personalidade, em alguma medida, podem ser correlacionados com os valores humanos, ao menos como os operacionaliza S. H. Schwartz (Sagiv, 2002). Apesar da importância deste modelo teórico (Ros, 2001), partiu-se de outro, que é mais parcimonioso e reúne informações sobre sua adequação métrica e capacidade explicativa no contexto brasileiro (Chaves, 2007; Gouveia, Albuquerque, Clemente & Espinosa, 2002; Pimentel, 2004; Santos, 2008). A seguir se descreve este modelo, que será empregado para conhecer os valores humanos.
VALORES HUMANOS BÁSICOS
Gouveia (1998, 2003) tem proposto que os valores humanos podem ser explicados com base nas funções a que servem tipo motivador (materialista ou humanitário) e tipo de orientação (pessoal central ou social). A combinação de tais funções permite derivar experimentação (emoção, prazer e sexo), realização (êxito, poder e prestígio), interação (afetividade, apoio social e convivência), normativa (obediência, religiosidade e tradição), existência (estabilidade pessoal, saúde e sobrevivência) e suprapessoal (beleza, conhecimento e maturidade).
Cada tipo de orientação abarca duas subfunções: valores pessoais (experimentação e realização), valores centrais (existência e suprapessoal) e valores sociais (interacional e normativo). Por outro lado, cada tipo de motivador concentra três subfunções: materialista (existência, realização e normativa) e humanitário (suprapessoal, experimentação e interacional).
Este modelo parece explicar adequadamente a estrutura dos valores apresentada por Schwartz (2005), Schwartz e Bilsky (1987), conforme os achados de Gouveia (2003).
Neste sentido, podem-se assumir como referência os padrões de correlações descritos por Sagiv (2002) entre os valores e os interesses (tipos de personalidade) vocacionais.
VALORES E INTERESSES
Os valores sugerem uma relação com os interesses vocacionais, pois, como afirma Holland (1997), eles são parte dos eventos que criam disposições ou tipos de personalidade para exibir um comportamento característico.
Em muitas profissões é permitido atuar de acordo com os valores de cada um, entretanto, há profissões exercidas em ambientes em que predominam certos valores (Kasser & Ahuvia, 2002). Se alguém não valoriza ou não acredita na salvação da alma, profissões como sacerdote, pastor ou rabino não se aplicam a ele (Giacaglia, 2003).
Em pesquisa realizada com estudantes dos Estados Unidos (n = 180) e Singapura (n = 184), em que foram aplicados, entre outros instrumentos, o Questionário de Valores de Schwartz e o Inventário de Interesse Vocacional (UNIACT-R), Soh e Leong (2002) averiguaram que poucos foram os valores correlacionados com os interesses vocacionais. Concretamente, constataram que as pontuações no tipo de personalidade definido como empreendedor se correlacionaram diretamente com a importância atribuída aos valores dos tipos motivacionais poder (r = 0,32, p < 0,01) e realização (r = 0,23, p < 0,01); poder também se correlacionou com o tipo de personalidade conversador (r = 0,23, p < 0,01); e, finalmente, as pontuações no tipo motivacional de valor denominado de benevolência se correlacionaram com aquelas obtidas no tipo de personalidade social (r = 0,31, p < 0,01). Nenhuma outra correlação estatisticamente significativa (p < 0,01) foi destacada por estes autores.
No estudo de Furnham (1988), por exemplo, verificaram-se diferenças nas prioridades valorativas de estudantes de Medicina, Enfermagem e Psicologia. De acordo com esse autor, os estudantes de Psicologia, comparados aos demais grupos, valorizaram em maior medida um mundo em paz, amor maduro, imaginativo, intelectual e felicidade. Estudantes de Medicina, por outro lado, valorizaram mais uma vida excitante e lógica do que valores como um mundo em paz e educado.
Os estudantes de Enfermagem se mostraram mais conservadores, valorizando, por exemplo, segurança familiar, salvação, alegria, limpeza, obediência, educação e autocontrole.
O objetivo específico desta pesquisa foi verificar que relações podem ser observadas entre os tipos de personalidade (interesses vocacionais) e as subfunções psicossociais dos valores humanos. Embora seja possível presumir que existam, é preciso que se comprovem a direção e magnitude destas correlações no contexto brasileiro, onde não se encontrou qualquer estudo a respeito.
MÉTODO
Delineamento e hipóteses
O presente estudo compreendeu um delineamento correlacional ex post facto, considerando dois conjuntos principais de variáveis: os valores humanos e os interesses vocacionais. Na Figura a seguir são apresentadas as correlações que deveriam ser esperadas entre estes construtos, de acordo com o que foi observado por Sagiv (2002).
Interesses Vocacionais

Funções Psicossociais R I A S E C
Experimentação + –
Realização +
Existência +
Suprapessoal. +
Interacional + + – –
Normativa +
Normativa – +

Hipóteses sobre a Relação dos Valores
Humanos com os Interesses Vocacionais
Amostra
A pesquisa foi realizada contando com a participação de 307 jovens, estudantes do ensino médio, oriundos de três escolas públicas e três particulares de João Pessoa, PB. Estes apresentaram uma média de idade de 16 anos (amplitude de 14 a 26, DP = 1,60); em sua maioria eram do sexo feminino (58,6%) eram solteiros (93,8%), considerando-se predominantemente de classe social média (66,8%).

Instrumentos
Os participantes responderam a dois instrumentos principais: Questionário dos Valores Básicos, QVB: compreende uma medida objetiva dos valores humanos, proposta por Gouveia (1998 2003).
Considera-se aqui a versão composta por 18 itens (valores) específicos, distribuídos eqüitativamente nas seis funções psicossociais anteriormente descritas.
Estes itens são respondidos em escala de 7 pontos, com os seguintes extremos: 1 = Nada importante e 7 = Muito importante.
Inventário de Interesse Vocacional, UNIACT: este, fundamentado no modelo teórico de Holland
(1997), consta de 90 itens eqüitativamente distribuídos sem seis fatores principais: realístico (por exemplo, procurar defeitos em produtos; consertar um brinquedo), investigativo (por exemplo, aprender como o cérebro funciona; artístico (por exemplo, ler sobre estilo literário de autores modernos; social (por exemplo, prestar primeiros socorros para uma pessoa ferida; empreendedor (por exemplo, dirigir uma pequena empresa; e convencional (por exemplo, calcular os juros de um empréstimo; a tarefa do participante é avaliar quanto gosta do que expressa, utilizando para isso uma escala de três pontos, com os seguintes pesos: 1 = Não gosta 2 = Indiferente e 3 = Gosta.
Além destes dois instrumentos, que foram contrabalanceados, apresentou-se uma lista com perguntas de natureza demográfica, a saber: sexo, idade, estado civil. Estas, invariavelmente, figuraram como a última parte a ser respondida.
RESULTADOS
Para efetuar as correlações entre os valores humanos e os interesses vocacionais foram realizados alguns procedimentos prévios. No caso dos valores humanos, procedeu-se ao somatório da pontuação bruta de cada sujeito em cada valor básico, obedecendo ao critério de pertença a cada uma das seis subfunções psicossociais dos valores humanos. O resultado das somas era dividido pelo número de valores básicos que compunha a função correspondente. Este procedimento fornecia um valor ponderado para as seis subfunções psicossociais. .
Os itens da escala (UNIACT) foram computados obedecendo à orientação fatorial proposta, composta por seis fatores (RIASEC). Ao final, cada uma das seis pontuações representava os fatores em questão. Os resultados da correlação entre estes dois construtos podem ser visualizados na Tabela 1.

Tabela 1.
Correlação entre os Fatores do RIASEC e os Valores Humanos
Funções R I A S E C
Experimentação 0,04 0,00 0,13* 0,04 0,10 0,07
Realização 0,02 0,07 0,04 0,06 0,15** 0,10
Existência 0,07 0,08 0,05 0,10 0,08 0,19**
Suprapessoal 0,18* 0,280,270,260,230,14*
Interacional 0,10 0,10 0,190,390,19*0,13
Normativa 0,02 0,03 0,08 0,14* 0,11 0,01
Significativamente estatístico para* p < 0,05, ** p < 0,001

As pontuações altas no tipo de interesse vocacional (tipo de personalidade) realístico apresentaram, surpreendentemente, correlação direta com os valores suprapessoais (r = 0,18; p < 0,05). Por sua vez, os altos índices no interesse investigativo mostraram-se, como esperado, correlacionados positivamente com os valores suprapessoais (r = 0,28; p < 0,001). Pontuações altas no fator artístico mostraram-se correlacionadas positivamente com os valores suprapessoais (r = 0,27; p < 0,001), tal como havia sido hipotetizado. Por outro lado, não se confirmaram as hipóteses que indicavam que este interesse (tipo de personalidade) se correlacionaria negativamente com os valores normativos (r = 0,08; p > 0,05). Houve correlação positiva e significativa com valores interacionais (r = 0,19; p < 0, 001) e de experimentação (r = 0,13; p <<<<, 05). No que se refere ao interesse vocacional (tipo de personalidade) social, este apresentou um padrão de correlação de acordo com o esperado teoricamente. Encontraram-se correlações positivas com os valores suprapessoais (r = 0,26; p < 0, 001), normativos (r = 0,14; p < 0,05) e, principalmente, interacionais (r = 0,39; p < 0, 001). Esta última correlação corrobora a hipótese inicial, entretanto a primeira não havia sido prevista. Esperava-se encontrar também uma correlação inversa entre os valores de experimentação e o interesse social, porém isto não foi observado (r = 0,04; p > 0,05).
Para o tipo de personalidade (interesse) empreendedor, previu-se encontrar correlações positivas com os valores de experimentação e realização, porém negativas com aqueles suprapessoais. Apenas a segunda hipótese foi confirmada: realização (r = 0,15; p < 0, 001); os valores de experimentação não apresentaram correlação significativa com este tipo de interesse (r = 0,10; p > 0,05). Contudo, empiricamente, foram observadas correlações, todas diretas, da pontuação no tipo empreendedor com os valores suprapessoai s(r = 0,23; p < 0, 001) e interacionais (r = 0,19; p < 0, 001). Finalmente, quanto ao tipo de personalidade convencional, das correlações teoricamente esperadas, uma positiva foi confirmada: aquela referente às pontuações neste tipo com os valores de existência (r = 0,19; p < 0, 001). Todavia, a correlação positiva encontrada entre este tipo de interesse vocacional e os valores suprapessoais (r = 0,14; p < 0,05) não era esperada teoricamente. A correlação negativa esperada com os valores de experimentação não foi também verificada nesta amostra (r = 0,07; p > 0,05). Além disso, outra correlação desde tipo de interesse foi observada, a saber, aquela que diz respeito aos valores interacionais (r = 0,13; p < 0,05).
Em resumo, observa-se um padrão de correlação entre os tipos de personalidade (interesses vocacionais) e os valores humanos que, embora reproduza resultados prévios de pesquisa, evidencia alguma especificidade da associação entre tais construtos no contexto em que a pesquisa foi desenvolvida. Procura-se a seguir discutir mais pormenorizadamente os resultados encontrados.
DISCUSSÃO
A medida utilizada no presente estudo é, como na maioria dos estudos, de tipo verbal, fato que dificulta o estudo de variáveis sobre interesses vocacionais em pessoas analfabetas (Gusmão, 2004), limitando-se a amostra a pessoas com grau de instrução ao menos funcional. Seria, portanto, interessante em estudos futuros poder contar com medidas não-verbais, que possibilitassem cobrir uma amostra mais abrangente e diversificada, o que pode também ser levado a cabo com respeito aos valores humanos.
Observou-se que valores suprapessoais, como beleza, conhecimento e maturidade, parecem independer dos tipos de interesse vocacional das pessoas; estão relacionados com quaisquer deles, isso no caso de se pretender dividir operacionalmente os tipos de personalidade vocacional em termos de orientação social.
Pode-se observar que as pontuações elevadas em valores interacionais, como apoio social, convivência e afetividade, só não se correlacionam com pontuações em tipos de personalidade vocacional que exprimem maior aversão a ambientes sociais, nos quais se necessita interação maior com outras pessoas.
A correlação esperada entre interesse vocacional realístico e os valores normativos não foi corroborada, tendo-se em vista que em estudo realizado com uma amostra de universitários em final de curso havia sido corroborada (Gusmão, 2004).
Tal resultado sugere que um envolvimento maior com a profissão definida, não sendo o caso de estudantes de ensino médio, participantes desta pesquisa.
Aquelas pessoas interessadas por profissões da área investigativa e artística priorizam atualizar seus conhecimentos sem ter interesses muito limitados quanto aos benefícios, de maneira que seus valores são algo mais que pessoais (suprapessoais)
Os resultados referentes ao tipo de interesse empreendedor, o qual é típico de pessoas que se interessam por liderança ou persuasão, indicam que indivíduos que valorizam ser chefe de uma equipe ou tomar decisões e obter o que se propõem (por exemplo, poder e êxito, valores de realização; Soh e Leong, (2002) tendem a apresentar pontuação alta em profissões com a característica citada.
É compreensível que pessoas que apresentem interesse convencional apreciem assegurar estabilidade pessoal e sobrevivência, valores que cobrem a função de existência, pois são pessoas mais próximas do concreto, da busca material, ligadas a aspectos financeiros, fazendo sentido pensar na sua relação com a importância dada a tais valores.
Contudo, este tipo de interesse não apresentou padrão correlacional tão claro.
Finalmente, diante dos resultados anteriormente descritos, poderia ser interessante realizar estudos longitudinais ou transversais em que se verificassem as correlações entre estas variáveis no decorrer do processo vocacional dos indivíduos. A contribuição deste estudo está em fornecer a um campo ainda iniciante no Brasil (Gusmão, 2004) dado sobre a relação entre as prioridades valorativas de adolescentes e os seus interesses profissionais.
Destarte, conhecer que valores orientam a escolha profissional das pessoas pode ser útil para entender mais acerca do contexto psicossocial em que se realiza esta escolha.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

Valdiney V. Gouveia, Universidade Federal da Paraíba, CCHLA, Departamento de Psicologia, CEP 58051-900, João Pessoa-PB. E-mail: vgouveia@cchla.ufpb.br
Pesquisa Qualitativa na Atenção à Saúde – Catherine Pope e Nicholas Mays
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.Lefevre F; Lefevre AMC; Teixeira JJV. O Discurso do Sujeito Coletivo. Uma nova abordagem metodológica em pesquisa qualitativa. Caxias do Sul; Educs 2000
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.Batista, M. N; Morais, P.R. Delineamento Experimental. Em: M. N. Baptista e D. C. Campos, Metodologias de Pesquisa em Ciências: análise quantitativa e qualitativa. 2005

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