As mulheres são vitimas de uma permanente e constante opressão ideológica desde o dia do nascimento. Crescem inseridas num contexto social que as subjuga e que tem seus moldes anteriores formados, mas que parece disseminador de liberdade com os movimentos feministas.
Exemplo claro desta ambivalência são os contos em que o papel da mulher geralmente aparece expresso como sexo frágil, donzela puritana e com notórias habilidades culinárias em prol da serviçal atividade que precisarão exercer ou as historias mais modernas com estilos pitorescos que coloca a mulher em exacerbada posição de destaque diante dos homens.
É obvio que as mulheres são os organismos melhores adaptados, pois são os únicos capazes de existir numa sociedade que as estigmatiza, rotula e tiranicamente oprime, podemos ver isso na história da humanidade e da sexualidade cuja descrição se encontra nos anais da civilização para corroborar tal afirmação.
Exemplo claro e obvio são as maneiras como os escritores modernos desenham o estereotipo feminino sempre delineando diversas frustrações ou implicando a mulher uma visão cujos contornos despertam nos homens certas vontades, mas isso apenas passa a mulher à impressão estigmatizada de desacredibilidade de Goffman.
O estigma imposto explicita claramente uma perspectiva em que as características das experiências femininas são previamente conhecidas e evidentes rejeitando claramente a possibilidade de unicidade do organismo no sentido de cada vida ser uma vida e que não necessariamente as experiências são iguais, embora possam ser parecidas.
Recentemente avaliei uma obra de uma renomada autora moderna “Tati Bernad” que escreve sobre a “feminilidade” podemos perceber que a literatura é de fácil compreensão e de fluidez, mas também é um modelo abrupto de literatura que coloca a mulher numa posição claramente solitária, frustrada, desapegada e inserida num contexto mercadológico ideológico ou certas vezes desenha a mulher como sexo notadamente mais forte e superior ao homem.
Muito me incomoda perceber que a mulher é colocada numa situação em que deve ser uma ou outra coisa em relação ao que é, sendo que às vezes aparece a contraditória dissonância que permite que seja ambas, mas geralmente lhe é abdicado o direito de ser livre, ou seja, ser realmente o que quer ser sem influencias significativas que lhes imponha o jeito de ser e como viver. Essa categorização empobrece a mulher no quesito experiência porque além de estigmatizá-las também estereotipa as experiências mostrando apenas aquelas menos agradáveis e pior, coloca a mulher em estado perpetuo de vigília contra a vida, pois as mesmas sempre esperam que o pior aconteça.
Nesse tipo de literatura as mulheres são expostas e tal exposição se resume ao acumulo de espetáculos que serve como objeto de mera contemplação de experiências negativas.
A ideologia feminina coloca a mulher como um objeto cujo deliciar se torna possível por meio de espetáculos de sucesso. Atualmente está sendo implantada uma adaptação em que a mulher seria capaz de ser o que quiser ser, mas dentro de padrões pré-estabelecidos, portanto, só pode ser o que está categorizado.
Isso não é o cerne da questão, o que de fato importa é que as mulheres nascem, vivem e morrem numa sociedade extremamente preconceituosa que as priva de viver a liberdade, ou seja, viver a possibilidade de um dia ser o que quiser ser sem imposições ou influencias. Ser mulher é viver em um contexto que não permite ser o que quer ser no momento em que quiser ser.
Um dado interessante é que há momentos posteriores em que aparece com muita evidencia a reflexão, quando ocorre à reflexão e a mesma se mostra capaz de operar contra todo o despotismo a qual as mulheres são submetidas à própria sociedade atua fortemente como um caçador atroz capaz até de eliminá-las impondo-lhes características que as inferiorizam.
Para viver em sociedade é necessário se submeter a diversos sacrifícios em prol do próximo, mas apenas as mulheres são capazes de ceder de tal modo que abnegam em certos casos da sua própria liberdade individual e a maior parte dos homens por não ter autoconhecimento suficiente, não tem “consciência” disso.
Ser mulher é mais importante do que ser mulher, se mulher é ser Mulher

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