Skinner rejeita a idéia de que os processos iniciadores sejam internos, mas também rejeita que o iniciador seja os processos internos fisiológicos, assim como rejeita também os fatores explicativos do comportamento que devem explicar na verdade a sua relação como os outros eventos.
O condicionamento não é a mera sobrevivência de uma resposta bem-sucedida e a eliminação das respostas restantes, mas é um aumento ou fortalecimento da taxa da resposta pelas suas conseqüências.

O modelo de comportamento operante não substitui o respondente, mas dar maior abrangência a ele, pois no operante o comportamento deixa de ser determinado ou eliciado por estímulos antecedentes, mas passa a ser resultado de uma contingencia de três termos: Estimulo Antecedente (SA), Resposta Reforçadora (R) que é o estimulo conseqüente que fortalece e mantém a resposta.

Para Skinner a psicologia é parte da biologia, é uma ciência natural que examina o comportamento de organismos que tem métodos testados e altamente bem sucedidos. O Behaviorismo, não é o estudo do comportamento, mas uma filosofia da ciência interessada no tema e métodos da psicologia.

Skinner nega a existência de eventos mentais não-físicos, porém, não negou nem descartou o estudo de eventos privados físicos. Para ele, é tarefa da psicologia dar conta destes eventos privados, pelo papel que desempenham no autoconhecimento e no autocontrole.

Tudo aquilo que observamos, e sobre o que falamos, é sempre o mundo ‘real’ ou ‘físico’ e a
‘experiência’ é um construto derivado que deve ser compreendido através de uma análise de processos verbais seguindo o condicionamento operante. Isto significa levar em conta que uma resposta verbal é dada na presença de um estímulo antecedente e recebe conseqüências, é reforçada pela comunidade verbal.

No caso da análise operacional de termos subjetivos, é preciso conhecer as características das respostas verbais a estímulos privados. O que Skinner quer explicar, então, é o comportamento de falar sobre evento privados, seja ele do cientista ou outras pessoas.

Em outras palavras, os eventos privados físicos existem, mas o que é introspectivamente observado são certos produtos colaterais das contingências de reforçamento que aprendemos a conhecer através das contingências estabelecidas pela comunidade verbal.

Rejeita as noções de causa e efeito, substituindo-as pela noção de relação funcional. O que uma ciência do comportamento deve fazer é uma análise da relação funcional existente entre o comportamento e a operação realizada fora do organismo, da qual seu comportamento é função.

Neste sentido, Skinner nega que qualquer fator interno possa determinar o comportamento. As causas psíquicas são rejeitadas por não poderem ser diretamente observadas e por não possuírem dimensões físicas, enquanto as conceptuais por serem meras descrições redundantes.

Skinner passa a rejeitar teorias psicofisiológicas, assim como teorias que façam referência seja a eventos mentais, seja a um sistema nervoso conceptual, por lançarem mão de explicações de um fato observado que apela a eventos que ocorrem em outro lugar, em outro nível de observação, descrita em termos diferentes, e medida, se tanto, em dimensões diferentes.

Skinner não descarta a importância do estudo dos eventos privados, nem mesmo um papel para eles, e não descarta o comportamento que ele chama de encoberto. O que ele procura fazer é discutir a sua origem e avaliar seu papel na determinação do comportamento, e é ai que reside sua rejeição. Para Skinner, a explicação do comportamento deve ser sempre procurada nos eventos externos, nas contingências de reforçamento.

Skinner não nega a existência de fatores inatos, ele insiste nisso, o que ele quer saber sobre é como são estas respostas, no sentido de como elas surgem: se elas surgem inteiramente prontas em sua forma final e se são imutáveis, ou se não o forem qual é, neste caso, o papel do ambiente externo.

Há dois tipos de comportamento: aqueles de origem filogenética, devidos ao que ele chama de contingências de sobrevivência, e os de origem ontogenética, devidos a contingências de reforçamento.

No primeiro caso, os padrões herdados de comportamento teriam sido selecionados pelassuas contribuições à sobrevivência. Uma determinada resposta seria fortalecida pelas conseqüências relacionadas com a sobrevivência do indivíduo e da espécie.

No entanto, é preciso considerar que o ambiente muda e que o organismo que for capaz de modificar seu comportamento de acordo, terá maior probabilidade de sobrevivência. É esta a origem da possibilidade de condicionamento tanto operante como respondente que se dá na ontogênese.

Nenhum comportamento seja ele de origem filo ou ontogenética, surge pela primeira vez em sua forma final e acabada. Em ambos os casos é o ambiente que seleciona, modelando assim formas finais, que na verdade nunca são finais na medida em que o ambiente está sempre de alguma forma mudando.

Mesmo este repertório, considerado ‘inato’, foi ‘modelado’ pelas contingências ambientais de sobrevivência, a seleção natural que também é responsável pelo poder reforçador dos estímulos.

Skinner dá ênfase ao meio exercendo influencia nos comportamentos, ele os diferencia nominalmente em meio externo e interno que seria o que está dentro da pele do organismo que seria privado.

Skinner considera que é preciso primeiro observar algum aspecto do comportamento que ocorre repetidamente sob estimulação geral e, em seguida, descobrir os estímulos que eliciam essas respostas por exploração.

Skinner admite dois processos de condicionamento suscetíveis de alterar a probabilidade da resposta. São eles o condicionamento respondente e o condicionamento operante.

Quando dizemos que o comportamento é função do ambiente, o termo ‘ambiente’ presumivelmente significa qualquer evento no universo capaz de afetar o organismo, mas parte do universo está encerrada dentro da própria pele de cada um. Uma pequena parte do universo é privada.
O termo operante dá ênfase ao fato que o comportamento opera sobre o ambiente, gerando assim conseqüências são estas conseqüências que definem as propriedades que servem de base para a semelhança de Rs.

Skinner faz a diferença entre um operante como comportamento e resposta operante como uma instância. Para ele o que é reforçado é a resposta, mas o que é fortalecido é o comportamento no sentido de ter maior probabilidade de ocorrência futura, é através do condicionamento operante que se torna possível modelar, como o escultor modela a argila, novas formas de respostas ou novos operantes, Quando se reforça um operante muitas vezes produz-se um aumento na freqüência de outro operante.

Dividimos o comportamento em unidades rápidas e rígidas e depois nos surpreendemos ao constatar que o organismo menospreza os limites por nós colocados. Embora o que vem sendo analisado tenha se referido ao estabelecimento de uma R operante, na verdade observa-se, mais freqüentemente, não uma R única, isolada, mas uma cadeia de Rs.

Ss externos físicos, mencionadas ocorrerem muitas vezes a um nível interno parecem ter um outro status e envolver uma outra forma de controle. Podem ser aí incluídos o autocontrole, o comportamento encoberto e o comportamento governado por regras. Sua análise requer uma análise anterior do papel da linguagem e do social.

Pode-se simplificar a análise considerando exemplos de autocontrole e pensamento no qual o indivíduo manipule variáveis externas, mas será preciso completar o quadro discutindo a posição dos eventos privados em uma ciência do comportamento.

Com relação ao comportamento encoberto, Skinner diz que o comportamento pode ocorrer na realidade, mas em escala tão reduzida que não possa ser observado por outros, um repertório verbal estabelecido em relação ao caso aberto poderia se estender ao comportamento encoberto em razão de auto-estimulação semelhante. Skinner distingue entre o comportamento modelado pelas contingências e o comportamento governado por regras, no segundo caso, o indivíduo não precisa ter sido submetido diretamente às contingências de reforçamento, ele pode se comportar a partir de regras extraídas das contingências, o que envolve a linguagem e o social.

Concepção de linguagem Skinner considera que, na maior parte do tempo, o ser humano não age diretamente sobre o ambiente, mas indiretamente, agindo sobre os outros homens através do comportamento verbal. Seu comportamento é eficaz através da mediação de outros homens.

Para Skinner o comportamento verbal é comportamento, é todo comportamento reforçado através da mediação de outras pessoas. O termo ‘comportamento verbal’ enfatiza o falante individual assim como especifica o comportamento modelado e mantido por conseqüências mediadas. Skinner procura restringir essa definição de comportamento verbal por considerar que ela acaba abrangendo todo comportamento social, ele tem se referido ao comportamento verbal de falantes humanos, mas tem considerado que o comportamento do ouvinte, embora precise afetar o comportamento do falante, não precisa ser necessariamente verbal para caracterizar o comportamento de ambos como um episódio verbal.

Linguagem é comportamento verbal e este é comportamento, a aquisição da linguagem se dá seguindo os mesmos princípios da aquisição de qualquer outro comportamento. O que se requer é uma comunidade verbal e uma contingência de reforçamento.

De uma maneira geral, a aquisição da linguagem para eventos públicos e privados se dá da mesma maneira. No caso de eventos públicos, em determinada situação, na presença de um estímulo antecedente, a criança diz algo e é reforçada pelo adulto. No caso de eventos privados, sendo o estímulo antecedente privado, a comunidade verbal precisa inferir as condições internas da criança, e ela o faz a partir de condições públicas, como será visto posteriormente.

Skinner identifica, em primeiro lugar, o ‘mando’ que é definido como “um operante verbal no qual a resposta é reforçada por uma conseqüência característica e está portanto sob o controle funcional de condições relevantes de privação ou estimulação aversiva”.

Outros três tipos de operantes verbais são: ‘comportamento ecóico’, o ‘comportamento textual’ e o ‘intraverbal’, nos quais a resposta é determinada por um estímulo verbal antecedente, auditivo, escrito ou ambos.

No comportamento ecóico e no textual há uma correspondência ponto-a-ponto entre as propriedades do estímulo e da resposta. Assim, no caso do comportamento ecóico, ao ouvir ‘casa’, a pessoa diz ‘casa’, enquanto no comportamento textual ao olhar a palavra impressa ‘casa’, a pessoa diz ‘casa’. No caso do intraverbal a pessoa apresenta uma resposta tematicamente relacionada com a palavra lida ou ouvida; por exemplo, ao ler ou ouvir ‘capital da França’, a pessoa diz ‘Paris’.

O último operante verbal é o ‘tato’ que é definido como “um operante verbal no qual uma resposta de determinada forma é evocada (ou pelo menos fortalecida) por um objeto particular ou evento ou propriedade de um objeto ou evento”. Como exemplos têm dizer ‘livro’ na presença de um livro ou ‘vermelho’ na presença de um objeto vermelho. Neste caso, temos um estímulo, em geral, não-verbal, que controla a forma da resposta verbal.

Skinner considera que o controle é compartilhado por todas as propriedades do estímulo sendo que um novo estímulo que possua uma ou mais das mesmas propriedades pode ser também eficaz.

Além das variáveis controladoras mencionadas, Skinner observa que uma resposta única pode ser função de mais de uma variável e que em diferentes ocasiões uma comunidade pode reforçar diferentes respostas da mesma maneira. Além disso, ele admite que o controle de estímulo nunca é perfeito já que o comportamento verbal nunca é inteiramente independente da condição do falante e que este pode modelar seu próprio comportamento pelo fato de em algumas ocasiões ser falante e ouvinte simultaneamente.

Comportamento verbal como comportamento operante, Skinner passa a descartar as explicações tradicionais segundo as quais a linguagem envolveria a expressão de idéias, imagens, significado e informação.

O referente seria a propriedade ou conjunto de propriedades sobre as quais o reforçamento é tornado contingente e que controla a resposta. O cientista dá um conjunto de respostas para um determinado estado de coisas por causa das contingências reforçadoras estabelecidas pela comunidade verbal científica. O poeta emite um conjunto inteiramente diferente de respostas ao mesmo estado de coisas porque elas são eficazes de outras maneiras em outros tipos de ouvintes ou leitores. Qual comportamento mais se aproxima da situação atual não é tanto uma questão de fato, precisão, ou extensão, mas dos interesses e práticas das comunidades verbais.

Skinner não descarta a relevância do estudo de eventos privados. O que ele questiona é a natureza do que é sentido ou introspectivamente observado. Para ele, não é nenhum mundo imaterial da consciência ou da mente, mas o próprio corpo do observador. Uma das tarefas da psicologia seria justamente a de explicar como este conhecimento se dá.

Skinner distingue duas formas básicas para se ensinar respostas descritivas de condições internas. Na primeira, a comunidade verbal utiliza condições públicas, ou seja, estímulos públicos, que costumam estar associadas a estímulos privados. Na segunda forma, a comunidade verbal utiliza respostas colaterais aos estímulos que a pessoa deve aprender a identificar ou descrever.

Para Skinner, o conhecimento de eventos privados se dá da mesma maneira que o conhecimento de eventos externos. Isto é, o processo é o mesmo. Mas há uma diferença importante quanto à precisão do conhecimento interno devido ao problema da privacidade. É que, neste caso, a comunidade verbal não tem acesso aos estímulos privados da outra pessoa, e, portanto não pode estabelecer contingências precisas.

Skinner diz que comportamento encoberto é comportamento de magnitude reduzida que não é visível aos outros, mas tem as mesmas propriedades do comportamento público. O comportamento encoberto pode ser verbal, como quando falamos para nós mesmos, ou não, quando por exemplo giramos um volante privadamente. Skinner diz que o comportamento operante quase sempre começa de uma forma que afeta o ambiente externo, ou ele não seria reforçado. Mas pode tornar-se encoberto por este sempre mais prático e também para evitar a punição. No caso do comportamento verbal, ele pode tornar-se facilmente encoberto por não precisar de apoio ambiental já que pode ser reforçado pelo próprio indivíduo devido ao fato do falante ser no caso seu próprio ouvinte.

Tenho enfatizado uma diferença entre sentimentos e relatar o que sentimos. Podemos tomar o sentir como sendo simplesmente responder a estímulos, mas relatar é o produto de contingências verbais especiais arranjadas por uma comunidade.

Há uma diferença similar entre se comportar e relatar que estamos nos comportando ou relatar as causas de nosso comportamento. Ao arranjar as condições sob as quais uma pessoa descreve o mundo público ou privado no qual vive, uma comunidade gera aquela forma muito especial de comportamento chamada conhecer. Responder a um estômago vazio conseguindo e ingerindo alimento é uma coisa; saber que estamos com fome é outra.

A abordagem skinneriana coloca como visto todo o peso da constituição do sujeito em fatores externos. No entanto, parece não atribuir nenhuma especificidade à cultura ou ao social, embora reconheça sua importância.

Skinner considera que o comportamento humano é produto conjunto de três formas de contingências: as contingências de sobrevivência, as contingências de reforçamento e contingências especiais mantidas por um ambiente social evoluído. Skinner diz que o homem se torna social apenas porque outros homens são parte importante de seu meio, reconhecendo que grande parte do comportamento humano é produto de condicionamento operante sob contingências sociais mantidas por uma cultura. A cultura envolve os comportamentos costumeiros de um povo que devem ser explicados pelas contingências que os geram. O comportamento social surge porque um organismo é importante para o outro como parte de seu ambiente e muitos reforços requerem a presença de outras pessoas, o que parece caracterizar o comportamento social é não só seu efeito sobre a outra pessoa mas também o controle mútuo.

Mas apesar de Skinner incluir as contingências sociais dentro das contingências de reforçamento, ele admite algumas diferenças quanto a suas implicações, de uma maneira mais geral, Skinner considera que as forças mais importantes de controle do comportamento humano estão no meio social. É o desenvolvimento de uma cultura que distingue a espécie humana.

O auto-conhecimento é considerado de origem social por Skinner não apenas por só ser possível através do comportamento verbal mas também porque o mundo privado de uma pessoa só se torna importante para ela por ser importante para os outros.

A teoria de Skinner costuma ser enquadrada como uma teoria da aprendizagem, o que de saída a opõe à idéia de desenvolvimento, mas na verdade sua posição também é contrária à noção de aprendizagem se concebida como aquisição, Skinner rejeita por um lado a metáfora do desenvolvimento por considerar que ela não leva em conta as influências do meio ambiente, e por outro a metáfora da aquisição utilizada por teorias da aprendizagem que recorrem a noções como associações, conceitos, hipóteses que seriam adquiridos através da aprendizagem pelo indivíduo. Para ele, nenhuma das duas posições retrata o verdadeiro intercâmbio entre o organismo e o meio, enquanto a primeira se atém à estrutura ou forma do comportamento a segunda acrescenta o ambiente ou estímulo.

Para Skinner nenhum comportamento é herdado enquanto tal de uma forma pronta e acabada. Na verdade o que se desenvolve não é uma posse mental ou a personalidade, mas é o seu ambiente que se modifica.

Explicamos o desenvolvimento de uma espécie e o comportamento de um membro da espécie apontando para a ação seletiva das contingências de sobrevivência e contingências de reforçamento, tanto a espécie quanto o comportamento do indivíduo se desenvolvem quando são modelados e mantidos pelos seus efeitos sobre o mundo à sua volta. Este é o único papel do futuro.

Com relação à aprendizagem, Skinner a define como uma mudança na probabilidade da resposta, sendo necessário especificar as condições sob as quais ela ocorre, o que significa inventariar algumas das variáveis independentes das quais esta probabilidade é função. Ele não considera que ‘aprendizagem’ e ‘condicionamento operante’ sejam equivalentes porque tradicionalmente o termo ‘aprendizagem’ tem sido confinado ao processo de aprender como fazer alguma coisa, o que enfatiza a idéia de aquisição.

Ele discute então três tipos de teorias que ele chama de ‘aprender fazendo’, ‘aprender da experiência’ e ‘aprender por ensaio -e- erro’.
Na teoria do ‘aprender fazendo’ a pessoa aprenderia ao fazer algo. Neste caso, para Skinner, embora a execução do comportamento possa ser essencial, por si só, ela não garante a aprendizagem. O importante é a conseqüência do comportamento e não o mero comportamento. A segunda teoria, a da experiência, que enfatiza o estímulo antecedente, também não é aceita por Skinner por ele considerar que mesmo quando combinada com a anterior fica faltando algo na explicação. Aqui parece haver uma conexão entre o estímulo e a resposta que costuma ser explicadas por atividades internas hipotéticas como uma ação mental ou processamento de informação. Finalmente, a teoria da aprendizagem por ensaio-e-erro enfatiza a conseqüência, mas é descartada por Skinner por ele considerar que aprendizagem não é eliminação de erros, pois pode haver aprendizagem e fortalecimento da taxa da resposta, sem erros.

Skinner rejeita o mentalismo a partir de duas razões básicas. Em primeiro lugar, os eventos internos, por ele chamados de eventos privados, não são as causas do comportamento. Estas devem ser encontradas nos eventos externos antecedentes, como analisado anteriormente.

Em segundo lugar, os eventos privados são físicos ao contrário do que advoga o mentalismo tradicional.

Skinner considera que no primeiro caso ela costuma tomar como causa aquilo que ocorre imediatamente antes do comportamento, os sentimentos. E no caso da base não-fisica do mental estaria à tendência de reificar adjetivos e verbos, ou seja, transformá-los em substantivos, procurando-se então um lugar para as coisas por eles representadas.
Por exemplo, a partir da observação do andar cauteloso seria derivada a noção de ‘cautela’, um atributo mental possuído pela pessoa. Esta seria então basicamente, a origem do mentalismo.

Segundo Skinner, uma pequena parte de nosso universo está contida dentro da pele e precisamos examinar nosso comportamento de fazer contato com ela. Para ele, respondemos ao nosso corpo com três sistemas nervosos: extereoceptivo, intereoceptivo e proprioceptivo que têm, evolutivamente, funções específicas, mas passaram a ter uma nova função com o aparecimento do comportamento verbal.

Skinner considera então que: “Os sentimentos são apenas produtos colaterais das condições responsáveis pelo comportamento” São, assim, as condições corporais associadas a diferentes esquemas de reforçamento que geram os diferentes sentimentos que passam a ser conhecidos a partir do comportamento verbal.

Diz-se que a mente tem um papel importante no pensar. Às vezes fala-se dela como um lugar no qual o pensar ocorre, onde uma imagem, memória ou idéia leva a outra no ‘fluxo da consciência’… Às vezes a mente parece ser instrumento do pensar… Diz-se que é a mente que examina os dados sensoriais e faz inferências sobre o mundo externo, que armazena e recupera registros, que filtra a informação que entra, que toma decisões e quer agir. Em todos esses papéis tem sido possível evitar os problemas do dualismo substituindo a ‘mente’ pelo ‘cérebro’… Tanto a mente quanto o cérebro não estão longe da antiga noção de homúnculo… Uma “solução muito mais simples é identificar a mente com a pessoa”.

Em suma, o recurso à fisiologia parece ser tão danoso à compreensão do comportamento quanto o recurso ao mental. E isto permite concluir que mesmo a eliminação do pressuposto da base não física do mental parece não resolver o problema, persistindo o que parece ser então a principal discordância de Skinner: a da causação do comportamento que constitui o cerne de sua posição. Uma ciência do comportamento deve consistir de uma análise funcional das relações existentes entre as variáveis independentes, ou fatores externos, e a variável dependente, ou comportamento. É que propõe e caracteriza a Análise Experimental do Comportamento de Skinner.

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