Resumo do escrito redigido por Hélio J. Guilhardi, a pedido dos autores Martin, G e Pear, J, para inclusão no Cap. 28 do livro Modificação de Comportamento – O que é e como fazer, publicado no Brasil pela Editora Roca, em 2009. Feito por Harley Pacheco de Sousa – 2012.

A Terapia por Contingencia de Reforçamento propõe que o terapeuta comportamental, embora se interesse pelos comportamentos e sentimentos, não atua com eles diretamente, mas com as contingencias da qual ambos são função. Essa perspectiva clinica segundo seu criador Helio Guilhard, é comprometida com a ciência do comportamento e com behaviorismo radical, mais especificamente com AEC e AAC, segundo Guilhard, TCR oferece os procedimentos para levantamento de dados, processo terapêutico e mudança de comportamento. Oferece também um modelo de organização dos eventos comportamentais como fenômenos interacionais do homem com ambiente, eventos funcionais, mas visto a partir das contingencias que o regula. Vê o sujeito e o ambiente a partir de uma concepção natural em que o homem e ambiente interagem, com uma visão monista de sujeito e mundo em que todos os comportamentos são da mesma natureza, descreve a interação pelo meio da produção da ação humana e de suas consequências no ambiente, sendo um influencia do outro, ou seja, o homem é sujeito e objeto na sua realidade, propõe que o estudo dos comportamentos e dos sentimentos humanos se baseie na sistematização e manejo das contingências de reforçamento das quais são função, excluindo a concepção de que comportamento ou sentimento causa comportamento.

A TCR se interessa por todos os eventos, desde que sejam vistos como comportamento e por isso diverge das terapias cognitivas, TCR inclui pensamentos, imagens, cognições, idéias etc. desde que sejam conceituados como comportamento na análise e intervenção terapêuticas. No entanto, de forma completamente distinta das concepções cognitivo comportamental, não lhes atribui função causal, distinção tão fundamental que não permite colocar as duas propostas terapêuticas como pertencentes a um mesmo padrão conceitual. Tais eventos encobertos são determinados por contingências de reforçamento atuais e as funções que foram adquiridas no processo de desenvolvimento da pessoa, como resultado da história de contingências que lhe é própria, ou seja, são comportamentos causados a serem explicados; e não causas que explicam comportamentos e sentimentos.

A TCR descreve os procedimentos de modo tecnológico, portanto tem uma avaliação objetiva dos determinantes da mudança, apresenta os fenômenos comportamentais que ocorrem na terapia de modo sistemáticos, estritamente comportamental e isso permite o entendimento do processo embasado pelo behaviorismo radical. A TCR aceita a distinção didática proposta por Skinner entre respondentes e operantes, mas, na prática, reconhece que a interação operante-respondente melhor descreve os fenômenos comportamentais, sendo uma distinção característica da TCR o rompimento teórico com constructos de Hull, não por negar, mas pó entender que não são objeto de estudo e de intervenção do analista do comportamento, além de tratar de excluir a explicação baseada em mecanismos neurofisiológicos conceituais.evitando incluir nas explicações comportamentais aquilo que Skinner denominou de “causas internas”, neurais, psíquicas e conceituais.

(Não confundir procedimentos experimentais – estes aceitos –usados pelos autores com explicações teóricas ou construtos hipotéticos que vão além das evidências factuais.) mantido do original.

O papel do comportamento verbal no processo terapêutico merece um destaque especial, uma vez que a maior parte das interações entre terapeuta e cliente é verbal. A partir de Skinner (1957), o que realmente importa não é a resposta verbal, mas de quais contingências de reforçamento o comportamento verbal é função. O interesse do analista de comportamento deve estar voltado para os determinantes do comportamento verbal; assim sendo, as maneiras pelas quais a resposta verbal se expressa e o conteúdo semântico em si são de importância questionável, já que são uma forma de estruturalismo. “Não é o que é dito, mas por que foi dito que deve ser levado em conta.” (Skinner, 1974, p.232) (grifo no original). O comportamento verbal contribui, acrescente-se, para que o terapeuta possa compor as contingências de reforçamento que operam no cotidiano do cliente e que determinam ações e sentimentos. São, no entanto, as evidências comportamentais, previsíveis nas contingências de reforçamento (conforme foram descritas pela Ciência do Comportamento), que confirmarão ou refutarão a fidedignidade do relato verbal. (Mantido do original escrito por Guilhard).

A TCR não é exclusivamente verbal e nem se restringe ao contexto da clínica, pois seu foco é detectar as contingências de reforçamento que operam na rotina do cliente, quaisquer estratégias que maximizem o acesso a tais contingências são utilizadas. Observações, interações do cliente no seu ambiente, interações com pessoas significativas para o cliente. . O terapeuta propõe tarefas para o cliente desempenhar na sua presença – na sala de atendimento e fora dela – a fim de observar comportamentos emitidos e eliciados (e não apenas descritos pelo cliente).

TCR considera que os comportamentos humanos são função da interação entre a história genética, a história de contingências de reforçamento, pois permite identificar a origem das funções de estímulos apresentados presentemente, bem como as características comportamentais do indivíduo.

A história de contingências e a função das contingências atuais se complementam para explicar os comportamentos e sentimentos presentes. O acesso à história de contingências permite uma compreensão mais abrangente dos comportamentos e sentimentos do cliente. Deve-se concluir, no entanto, que o terapeuta não produz mudanças comportamentais esperadas manejando contingências de reforçamento passadas. O passado não pode ser alterado. Quando o terapeuta discute com o cliente a história de desenvolvimento, pode-se afirmar que o tema da sessão foi o passado, mas a ação terapêutica eficaz é presente. As alterações comportamentais ocorrem a partir de mudanças nas contingências de reforçamento atuais.

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