Analise descritiva da Obra Reflections on Behaviorism and Society, cap.4. Prentice Humanismo e Behaviorismo de B.F. Skinners, feito por Harley Pacheco de Sousa, estudante de Psicologia da universidade São Marcos, utilizando o Texto traduzido por Hélio José Guilhardi e Patrícia Piazzon Queiroz.

Parece haver duas maneiras para conhecer, ou saber a respeito de outra pessoa, uma é associada ao existencialismo, fenomenologia e estruturalismo, esta é uma forma de conhecer passiva e contemplativa, e a outra maneira de conhecer diz respeito ao que uma pessoa faz, na qual podemos, usualmente, observar isto tão diretamente quanto qualquer outro fenômeno no mundo;

Sendo assim, explicamos por que uma pessoa se comporta, nos voltando para o ambiente e não para as atividades ou estados interiores através da análise dos efeitos do ambiente sobre cada organismo, podemos ainda, avançar para a predição e controle de comportamento.

É razoável a visão de que aquilo que sentimos, quando temos sentimentos, são estados de nossos próprios corpos e de que os estados da mente que percebemos através da introspecção são outras variedades dos mesmos tipos de coisas. É neste ponto que uma análise behaviorista do autoconhecimento se torna muito importante e, infelizmente, mais propensa a ser interpretada erroneamente, cada uma de nós possui uma pequena parte do universo debaixo de sua própria pele, não é, por essa razão, diferente do resto do universo, mas trata-se de uma propriedade privada: Temos maneiras de saber a seu respeito que são negadas aos outros, é um engano, concluir que a intimidade de que desfrutamos significa uma forma especial de compreensão.

Saber é mais do que responder a estímulos, saber requer contingências especiais de reforçamento que têm que ser arranjadas por outras pessoas, e as contingências que envolvem eventos privados nunca são muito precisas porque as outras pessoas não estão efetivamente em contato com eles.

Apesar da intimidade com nossos próprios corpos, nós os conhecemos com menos precisão do que conhecemos o mundo que nos cerca, há outras razões pelas quais conhecemos o mundo privado dos outros ainda menos precisamente.

Contingências sociais importantes para a sobrevivência devem ter emergido em áreas como comportamento social e maternal, elas eram, presumivelmente, os únicos sistemas disponíveis quando as pessoas começaram a “conhecer-se a si mesmas”, como resultado de respostas a questões sobre o seu comportamento.

Ao responder a questões como: “Você vê aquilo?” ou “Você ouve aquilo?” ou “O que é aquilo?”, uma pessoa aprende a observar suas próprias respostas aos estímulos ao responder a questões como: “Você está com fome?” ou “Você está com medo?”, aprende a observar estados do seu corpo relacionados à privação e a respostas emocionais e ao responder a questões como: “Você estará indo?” ou “Você pretende ir?” ou “Você está a fim de ir?” ou “Você está inclinado a ir?”, ela aprende a observar a força ou a probabilidade de seu comportamento.

A comunidade verbal faz esse tipo de questões porque as respostas são importantes para ela e, num sentido, ela torna as respostas importantes para a própria pessoa. O fato importante é que tais contingências, sociais ou não sociais, não incluem nada além de estímulos e respostas; elas não incluem processos mediadores.
O que sentimos quando temos sentimentos e o que observamos através da introspecção não são nada mais que um conjunto variado de produtos colaterais ou sub-produtos das condições ambientais com as quais o comportamento se relaciona.

Mas por que temos atribuído tanta importância aos nossos sentimentos e estados da mente, a ponto de negligenciarmos o ambiente? Porque Muitos eventos relevantes em nossa história pessoal passaram sem serem notados, ou não se mostrarão relevantes ou ainda não ocorreu e não pode contribuir para as contingências que nos levariam a observá-los.

a aparente causalidade alojada dentro do mundo privado debaixo da pele, gera um “senso de eu” (sense of self). Sentimos que há um “eu” que sabe o que irá fazer e o faz. Cada um de nós está ciente ou consciente de pelo menos um desses eus, que aprendemos a manejar mais ou menos eficientemente, no entanto, é o desenvolvimento de uma cultura, um ambiente social que contém as contingências que geram autoconhecimento e autocontrole e É este ambiente que tem sido, por tanto tempo, negligenciado por aqueles que têm se interessado pela determinação interna da conduta.

Diz-se com freqüência que uma análise behaviorista “desumaniza o homem”. Mas ela simplesmente não precisa de uma ficção explicativa perniciosa. Sendo assim, move-se muito mais diretamente para os objetivos, do que a ficção erroneamente proposta para alcançá-los. As pessoas entendem a si mesmas e governam a si próprias mais eficazmente quando entendem as contingências relevantes.

Uma fonte muito mais eficaz de valores é encontrada nas contingências ambientais. As coisas que as pessoas consideram como boas são reforçadores positivos e reforçam por causa das contingências de sobrevivência sob as quais a espécie evoluiu.

Recentemente a espécie poderia sobreviver à fome, à peste e a outras catástrofes apenas se seus membros procriassem em todas as oportunidades e, sob tais contingências, o contato sexual se tornou altamente reforçador. O sexo não é reforçador porque é bom; é reforçador e é bom por uma razão filogenética comum. Alguns reforçadores podem adquirir seu poder durante a vida do indivíduo. Bens sociais, tais como atenção ou aprovação, são criados e usados para induzir pessoas a se comportarem de maneiras que sejam reforçadoras para aqueles que os usam. O resultado pode ser bom para o indivíduo tanto quanto para os outros, em especial quando conseqüências atrasadas são mediadas.

Há cinco grupos clássicos de seres humanos que têm sido maltratados: o jovem, o velho, prisioneiros, psicóticos e retardados, são maltratados porque os responsáveis por eles não têm afinidade, compaixão, benevolência, ou falta-lhes consciência? Não; o fato importante é que eles são incapazes de se defender. É fácil maltratar quaisquer desses cinco tipos de pessoas sem ser, em conseqüência, maltratado por elas, não está claro que as origens da consciência não podem ser encontradas nas verdades psicológicas, mas nas sanções punitivas.

Uma análise ambiental possui uma primazia especial para promover um tipo de valor interessado no bem da cultura. As culturas evoluem sob contingências especiais de sobrevivência. Uma prática, que torne mais provável a sobrevivência de uma cultura, sobrevive com a cultura.

Através dos anos, homens e mulheres têm, vagarosa e desordenadamente, construído ambientes físicos e sociais nos quais têm se aproximado mais do preenchimento e realização do seu potencial. Não mudaram a si mesmos mudaram o mundo em que vivem. Pode-se dizer que, no planejamento de sua própria cultura, o homem controla seu destino.

Eu definiria um humanista como uma daquelas pessoas que está interessada no futuro da humanidade, porém há um movimento que se denomina “psicologia humanista” que segue uma trajetória bem diferente. Ele tem sido descrito como “uma terceira força” para se diferenciar do behaviorismo e da psicanálise; no entanto, “terceira” não deveria ser entendida como avançada, nem “força” sugere poder.

Uma vez que, tanto o behaviorismo como a psicanálise vêem o comportamento humano como um sistema determinado, os psicólogos humanistas têm dado ênfase a um contraste, ao defender a autonomia do indivíduo. Têm insistido que a pessoa pode transcender seu ambiente, que ela é mais que um estágio causal entre ambiente e comportamento, que ela determina quais forças ambientais atuarão sobre si; em outras palavras, que ela tem livre escolha.

Tal posição é evidente no existencialismo, na fenomenologia e no estruturalismo, a ênfase é sobre o que a pessoa é ou está se tornando. A expressão “auto-atualização”, de Maslow, encaixa-se perfeitamente: o indivíduo deve completar-se, não apenas através da gratificação, é claro, mas através do “crescimento espiritual”.

Os psicólogos humanistas não estão despreocupados com o bem dos outros, nem com o bem de nossa cultura, mas sua proposta é essencialmente egoísta, a estratégia tem tido resultados benéficos, mas tem levado a um exagerado enaltecimento do indivíduo, exemplo, melhores formas de governo não serão encontradas em melhores legisladores, melhores práticas educacionais em melhores professores ou melhor terapia em terapeutas mais compreensivos.

O equívoco secular está em procurar a salvação na natureza dos homens e mulheres autônomos, ao invés de buscá-la no ambiente social que surgiu na evolução das culturas e que pode ser explicitamente planejada.

Ao mudar a ênfase do homem qua homem para as condições externas das quais o comportamento do homem é função, tornou-se possível planejar melhores práticas para cuidar dos psicóticos e retardados, para os cuidados infantis, para a educação, para os sistemas de incentivo na indústria e nas instituições pessoais.

Nestas e em muitas outras áreas podemos agora trabalhar mais eficazmente para o bem do indivíduo, em benefício do maior número de pessoas e para o bem da cultura ou da humanidade como um todo.

Estas são, certamente, preocupações humanistas, e ninguém que se chame de humanista pode se dar o direito de ignorá-las. Homens e mulheres nunca se defrontaram antes com maior ameaça para o futuro da espécie. Há muito a ser feito, e rapidamente, e nada menos que a prática ativa de uma ciência do comportamento bastará.

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