Segundo os autores, o programa surgiu em um contexto político e econômico pontual da América latina. Diante de um contexto de revindicação social amplo em que os países passavam por processos de transição para modernidade e urbanização. (10). Esse período trouxe benefícios as classes operárias, mas manteve o equilíbrio da relação patrão x empregado. (11). Cenário esse que aumentavam as críticas e revindicações da esquerda. É de ressaltar que o programa em um período em que o México era o centros das atenções no cenário mundial por conta de sediar copa do mundo da época e ter sido sede das olimpíadas de verão.
Em meio a urbanização que os países latinos estavam o programa mostrou esse processo, onde estava atrelada a pobreza da população, todavia, não apontava à política ou ao sistema de governo estabelecido. (12).
O programa era o retrato da população mexicana e se aproximava muitos dos contextos latinos. Percebemos o assistencialismo do estado, a humildade do menino pobre que embora tenha dificuldades vai a escola, come esporadicamente, trabalha também, embora sem muito sucesso, mas trabalha, o malandro, enfim, apresenta características latinas, mas o que deve-se ressaltar é que o programa mostra que no fim as coisas acabam bem e de modo humorado. (14). Mas de modo geral, não se percebe criticas sociais acentuadas no decorrer dos episódios, mas mero conformismo com as dificuldades do cotidiano.
Chaves é usado para dar esperanças ao povo mexicano, principalmente quando o protagonista humilde vence as adversidades da vida. Mera ilusão. Frisamos que senhor Madruga é um personagem que mais mostra esperança em suas falas, mas esperanças essas conformistas. (15).
Segundo os autores, Chaves é um produto da industria cultural que sutilmente realiza criticas sociais, mas que não fomenta pensamentos mais profundos, serve como alienação e manipulação de uma população pobre e reprimida ideologicamente e que impede a formação de indivíduos autônomos, mas apenas reproduzem as leis gerais do status quo. Os autores citam Adorno: “impede a formação de indivíduos, autônomos, independentes, capazes de julgar e de decidir conscientemente. Mas estes constituem, contudo, a condição prévia de uma sociedade democrática, que não se poderia salvaguardar e desabrochar senão através de homens não tutelados”. (1987, p. 295).
Segundo os autores, o publico estabelece uma relação de dependência com a indústria cultural, consumindo seus produtos sem reflexão e chamam isso de cegueira voluntária citando indiretamente o conceito de Lefort e Baudrillard, (1975, p. 32) em que não pensar não significa não querer pensar, mas querer não pensar.
Segundo os autores a indústria cultural é o reflexo do cotidiano satirizado que proporciona distração sob medida para aqueles que tem que retornar ao trabalho repetitivo e que se satisfazem no divertimento das mesmas repetitividades do cotidiano. (16).
O programa temd e fato criticas, mas se limita a isso sem fomentar reflexões mais profundas, sem abrir o leque de possibilidades, mas reproduz apenas um ser americanizado movido por saberes importados principalmente no condizente a aos saberes dos empregadores e financiadores sociais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.