Analise descritiva da obra Teoria da Semicultura de Theodor Adorno, feito por Harley Pacheco de Sousa, estudante de psicologia da universidade São Marcos. O texto abaixo se refere à obra acima citada, porém não repassa seus pormenores, além dos que considero muito importantes, porém está sob influencia do meu entendimento pessoal, portanto sugiro que após leitura desse texto busque a obra original.
O autor inicia o texto afirmando que não é apenas a pedagogia, tão pouco a sociologia unicamente responsável pela crise da formação cultural.
Os sintomas dessa crise podem ser vistos em toda parte, inclusive nas pessoas cultas, isso é causado pelo método de formação que segue um modelo que passa de geração em geração, sendo que reformas pedagógicas não serão suficientes para a mudança, ainda podem reforçar a crise em alguns momentos, pois acalma as necessidades exigidas aos que devem ser educados e porque mostram uma inocente despreocupação ao extrapedagogico, igualmente permanece sem importância ou insuficientes os fatores sociais que influenciam positiva ou negativamente na formação cultural.
A formação cultural se converte em uma semiformação socializada, na onipresença do espírito alienado que vem depois da formação e não durante, ou antes.
Isso acontece sem explicação, nada consegue explicar esse fenômeno, mas apenas apontar pontos cegos a qual deve ser aplicados o conhecimento. Apesar de toda informação que se difunde a semiformação passou a ser a forma dominante da consciência atual.
A formação nada mais é que a cultura tomada da pelo lado da sua apropriação subjetiva. O fracasso dos movimentos revolucionários que queriam implantar o conceito de cultura como liberdade, retraiu as suas idéias e dificultaram a implantação da idéia inicial. Pior é que na filosofia pura a cultura tornou-se valor, sua autarquia está vinculada a grandiosa metafísica especulativa e a musica que se uniu intimamente e foi entregue a vida real dos homens que as mantém cegamente.
Há pessoas que se dedicam a com paixão aos bens culturais e por isso assinam como socialistas nacionais, isso nos diz que há conteúdos intrínsecos aos bens culturais, a humanidade e a tudo que for inerente, a formação se esquece disso e acaba se transformando em semiformação.
No entanto nos casos em que a cultura é entendida como se adaptar a vida real impede os homens de educarem-se uns aos outros, pois evidencia apenas o momento da adaptação. Isso se faz necessário para reforçar a socialização e impedir a desorganização onde está estabelecida uma tradição de cultura espiritual autônoma.
O objetivo deste propósito é domesticar o animal homem e resguardar o que vinha da natureza. Quando o campo de forças que chamamos de formação se congela, cada uma delas, isolada se coloca em contradição com seu sentido e fortalece a ideologia, alem de promover a formação regressiva.
A cultura tem um antagonismo social que tem um equilíbrio momentâneo e transitório. A antiga injustiça se justifica como superioridade objetiva do principio da dominação, isso demonstra que essa relação é que mantém a relação. O sujeito só é capaz de se submeter ao que parece natural, essa acomodação persiste sobre a humanidade como um processo social que inclui o social como um todo. Mas como resultado justamente uma virtude em que a natureza sempre triunfa sobre seu dominador primeiramente pela magia e depois pela ciência.
No processo de assemelhar-se com o natural surge a contradição do que prega, o espírito se mantém antiquado frente ao domínio da natureza e a adaptação não ultrapassa a sociedade, mas a mantém cegamente restrito e limitado. Toda via a adaptação se reinstala e o espírito se transforma em superioridade fetichista organizado sobre o meio racional no brilho de toda racionalidade vazia.
Essa dinâmica é igual a formação da cultura que difere de época para época por seu conteúdo e instituições. A formação se formou com a burguesia tem até categorias especiais como o “fidalgo e o gentleman” além da antiga erudição teológica, a formação se tornou objeto de reflexão e consciente de si mesma cuja sua realização corresponde a uma sociedade burguesa de seres livres e iguais, porém essa se desgarrou de suas intenções reais.
Na idéia de formação cultural se postula uma humanidade sem status ou exploração, mas que trai a si mesma quando denigre a pratica dos fins particulares. O sonho da formação e da libertação da imposição dos meios e da estúpida e mesquinha utilidade é falsificado em apologia de um mundo organizado justamente pela imposição.
No ideal de formação que a cultura defende de modo absoluto é onde se encontra a problemática. A formação é um privilégio que a burguesia tomou posse para levar vantagem diante dos camponeses, sem a formação cultural dificilmente o burguês seria o empresário, gerente ou funcionário.
O socialismo não deu certo porque queria despertar a consciência do outro sobre si mesmo, mas estes ainda não estavam subjetivamente desenvolvidos. Os dominantes monopolizaram a formação cultural em uma sociedade formalmente vazia. A desumanização implantada pelo processo capitalista retirou das pessoas todos os pressupostos da formação e acima de tudo o ócio.
As tentativas pedagógicas de mudança nada mais são que nutrição de ilusões de formação isolada que exclui o proletariado. As contradições entre formação cultural e sociedade resultam em incultura do antigo estilo, o que muito se deve aos meios de comunicação especialmente radio e televisão que conquistaram o espírito da indústria da cultura.
No lugar da bíblia agora temos os esportes, a televisão e as historias reais que se apóiam na literatura ou ficcionismo. A formação cultural se mantém de uso exclusivo da burguesia que usa da mesma e se serve dela para diminuir os outros, exemplos são os profissionais que consertam rádios ou carros que são quase sempre considerados incultos, mas, no entanto domina muitos conhecimentos que não poderia adquirir se lhe faltasse conhecimentos sobre matemática, ciências entre outros.
Percebe-se que o conhecimento está mais próximo da classe inferior do que a arrogância acadêmica reconhece. A ideologia encobre grandemente a cisão entre os ricos e aqueles que devem carregar a carga. A estrutura social impede que esses neófitos os bens culturais ligados a formação cultural. Pode se falar de uma categoria psico-social chamada classe media onde aparece o véu da integração principalmente nas categorias de consumo, a integração é ideologia frágil e desmoronável. O modelo da formação hoje é a camada dos empregados médios. O que denuncio a respeito da formação cultural não se pode ler em nenhum outro lugar a não ser em sua figura antiga que também é ideológica.
No clima de semiformação cultural os conteúdos e objetos coisificados perduram a custa de seu conteúdo de verdade ao qual de certo modo corresponde a sua definição. O fato do termo educação popular ter desaparecido não é indicativo de que este fenômeno tenha desaparecido.
A cultura ideal que a dominação dissemina é aquela repleta de ideologias que se interpõem entre os sujeitos e a realidade, de tal modo carregadas de afetividade, que não lhe permita desinfetar a si próprio.
A não cultural é como mera ingenuidade é a ignorância que permite uma relação imediata com os objetos em virtude do ceticismo, engenho e ironia, qualidade que impedem elevá-los a consciência critica.
A semiformação está diretamente ligada a não cultura, dizer que a técnica e o nível de vida mais alto resultam diretamente no bem da formação e que todo podem chegar ao cultural é uma ideologia comercial pseudodemocrática.
Simultaneamente com a elevação do nível de vida, crescem as reivindicações de uma formação como índice para ser considerado integrante da camada superior da qual cada vez menos se distingue e como resposta se incentivam as camadas imensas a pretender uma formação que não tem e que antes estava reservada ao ricaço e isso se converteu em espírito popular.
As biografias romanceadas e vazias passam ao leitor a impressão de que estão conseguindo ou resumos de ciências inteiras disfarçadas convencem o leitor de que cada vez é mais culto, confiante na ignorância, o mercado cultural dela se une e a reproduz e reforça e alegre na e despreocupado o sujeito não percebe que se aniquila.
Todos os progressos em relação a consciência da liberdade cooperaram para que persista a falta de liberdade, essa falta de liberdade é esfera global sobre a qual brilha a frase comovedoramente ilusória extraída do antigo repertorio de idéias sócio democráticas.
Elementos que penetram em nossa consciência sem fundir-se me uma continuidade, se transformam em substancias toxicas e tendencialmente em superstições até mesmo quando as critica. A popularização que desloca atenção do tema se desvia do essencial fragmenta o conhecimento. É subjetivo o mecanismo que fomenta o prestigio de uma formação cultural que já não se acolhe e que só obtém uma atualidade malograda identificação. A semicultura colocou a disposição de todos, esse clube exclusivista.
O semiculto se dedica a conservação de si mesmo sem si mesmo. Permite a todos a formação cultural ao mesmo tempo em que objetivamente se coloca contra ela. A experiência, a continuidade da consciência a que perdura o ainda não existente em que o exercício e a associação fundamentam uma tradição no individuo fica substituída por um estado informativo pontual, desconectado, intercambiável e efêmero, e que se sabe ficara borrado no próximo instante por outras informações.
A semiformação é uma fraqueza em relação ao tempo, a memória, única mediação que realiza na consciência aquela síntese da experiência que caracterizou a formação cultural em outros tempos.

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