Analise da obra “Terapias Cognitivo-Comportamental e Behaviorista Radical: São diferentes?” de Eliane Falcone, publicada em 2004. Por Harley Pacheco de Sousa.

As escolas de behaviorismo cognitivo e comportamental não são diferentes apenas em nível de rigor metodológico, mas também nesse nível. A diferença entre as escolas são claras e obvias se bem analisadas. O behaviorismo radical rompe claramente com a cognitivista na compreensão do funcionamento do sujeito e de mundo, portanto o produto dessa diferença será a nível técnico de atuação profissional.
Discordo plenamente de suas colocações a respeito das diferenças estarem a nível filosófico apenas, porque estão a nível teórico e também pratico. Se essa diferença não está aparente talvez seja pela inabilidade dos psicólogos comportamentais radicais de indicarem essas diferenças em suas explicações.
Concordo plenamente que a ascendência do cognitivismo no behaviorismo se dá porque os terapeutas têm dificuldades para lidar com as bases teóricas do behaviorismo porque entendem o mesmo apenas como um referencial teórico da ciência psicologia e se afastam das questões filosóficas pura.
Hayes (1987) foi perfeito no argumento de que existem lacunas a serem explicadas pelo behaviorismo radical, mas a solução encontrada pelos terapeutas foi equivocada. Tento tratar deste tema com certa contundência em um ensaio chamado “Revisão da obra Dissonância no preenchimento das lacunas dos referenciais teóricos nas práticas da psicologia”.
Discordo da sua colocação a respeito de Watson ser Monista, pois em sua obra deixa claro que existe um mundo que não pode ser observado, isso quer dizer que literalmente é dualista, mas que prefere abdicar de tal estudo por conta da impossibilidade de observação do que não é físico.
No seu artigo há uma citação interessante: “Mantendo a ênfase na determinação ambiental, os behavioristas radicais procuram compreender as contingências que apóiam a relação entre pensamentos e outras formas de ação humana, através do estudo do comportamento controlado por regras ou controle verbal” (Hayes, 1987).

Peço encarecidamente que use com cuidado os termos, pois pode tonar a concepção behaviorista radical equivocada. Skinner é um cientista, portanto não fala de relação de causa e efeito, mas de fato rompe com essa concepção, pois segundo ele mesmo, o fenômeno humano é único e complexo, fluido e evanescente por isso não pode ser reduzido de tal modo que possa ser estabelecida uma relação de causa e efeito, sendo assim usa estatística e probabilidade para tentar prever um comportamento, ou seja, pragmatismo puramente cientifico. Logo, não devemos usar os termos “determinação, determinado, mecânico ou reducionista do sentido de redução de fenômeno, mas talvez apenas de evento”.

O cognitivismo está vinculado de algum modo ao movimento empirista da filosofia, já o behaviorista radical ou filosófico está ligado ao empirismo e ao positivismo.

Behavioristas radicais não são flexíveis no uso de técnicas e não se utilizam de técnicas de outras abordagens em suas atividades. Alias, não usam compartilhando dos postulados que explicam as técnicas, mas usam as técnicas baseados num referencial teórico e filosófico peculiar.

Qualquer abordagem que se utilize de técnicas de outra abordagem se mostra ineficaz e incompetente, obviamente se utilizá-las partilhando do mesmo principio teórico da abordagem “proprietária”. Tento tratar desse tema em um ensaio chamado: ”Ecletismo teórico em psicologia”, mas creio que preciso revê-lo e formular com mais propriedade o conteúdo do texto, não da idéia.

O behaviorista se utiliza de um saber exclusivo “Analise da Tríplice Contingencia” que se caracteriza por encontrar o reforçador de uma conseqüência que é um comportamento. Reforçador é um termo que de modo mais amplo pode ser substituído por “ganho”, essa palavra não é utilizada por conta das limitações do vocabulário, pois nem sempre “ganhos são bons”, mas o que importa é que o terapeuta behaviorista radical deve achar o ganho que mantém um comportamento. O modo como o terapeuta manipulará esse “ganho” é questão de outra analise, mas de modo algum podemos denominar de ecletismo técnico como você expressa.

Ambas as teorias se excluem porque suas visões de mundo e sujeito são diferentes. Não há como funcionalmente tratar algo de uma maneira se na concepção da escola que justifica o tratamento o sujeito funciona de outro. Portanto, de modo algum podem ser consideradas a mesma abordagem com posturas diferentes, mas correm em paralelo explicando o funcionamento do sujeito cada uma a seu modo.

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