O roubo de carga é um fenômeno recorrente no Brasil, muito dados apontam que são crescentes e que ocorrem com extraordinária frequência, nesse sentido são necessários estudos que visem explicar o problema. Esse fenômeno gera perdas financeiras significativas às empresas de diversos segmentos e evidentemente prejuízos emocionais aqueles sujeitos que a experiência enquanto vitimas diretas e por isso estudos que focam seus olhares para essa problemática se fazem justificados.

Baltazar & Fanti (2011) realizaram um estudo que apontou que as vitimas de roubo de cargas (entendem-se por vítimas os condutores de caminhões) tinham em comum questões emocionais conflitantes antes dos roubos e defenderam que essas questões os tornavam mais suscetíveis a serem roubados. Baltazar & Fanti (ibid) defenderam que diante do fenômeno existe um tripé formado pelo delinquente, vítima e pelo papel que cada um assume, ou a elação entre eles que podemos chamar de delito.

Baltazar & Fanti (ibid) argumentaram que as vítimas tem um tipo de corresponsabilidade diante do fenômeno por emitirem comportamentos esperados nas vitimas, comportamentos esses que servem como um tipo de estereótipo para que sejam identificadas como vítimas na relação delito, vítima e delinquente. Podemos pensar que as vítimas antes de participarem do evento se comportam como tal, enfatizando e potencializando a percepção do delinquente como de superior. Nesse sentindo, as vitimas agem como se fossem cúmplices do delinquente.

Baltazar & Fanti (ibid) escreveram que o estereótipo de vítima é potencializado por tensões e pressões psicológicas vividas nos ambientes, mas que são sofrimentos potencializados pelas relações de trabalho hostis e predatórias que são muitas vezes: “experiências de conflito, angústia, cobranças e medo, que tem por consequência a vivência diária no sofrimento.”. (Baltazar & Fanti, ibidem, p.19). Essas experiências amplificam a vítimização.

Os autores defenderam que a vitimização está mais próxima das classes operárias, pois estes são mais suscetíveis as pressões psicológicas das relações de trabalho, pois são esses que encaram o sofrimento, partindo deste pressuposto, criam defesas estratégicas que reagem, instintivamente, às pressões sofridas, externando-a de maneiras diversas o que sofre transparecendo ao delinquente essa fraqueza que reage de modo mais seguro em seu intento.

Referencias:
Baltazar e Fanti (2011) Vitimização e Responsabilidade: O Roubo de Carga na Cidade de São Paulo a partir de um olhar psicológico. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de psicologia da Universidade São Marcos, São Paulo, 2011. Recebido por meio de correio eletrônico em: 22/03/11.

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