ROCHAEL NASCIUTTI, J.C. (1999). A instituição como via de acesso à comunidade. In: CAMPOS, R.H.F. (Org.). Psicologia Social Comunitária. Da solidariedade à autonomia. Rio de Janeiro: Vozes. p.100-126.
Resenha da obra A instituição como via de acesso a comunidade, de Jacyara C. Nasciutti
Instituições sociais ganham força no mundo atual, quando um sujeito entra na universidade tem várias expectativas se espera que todas as pessoas no ambiente em questão se comportem co m o prestigio e a função da universidade, espera se que os objetivos dos alunos sejam comuns ao menos em parte ao de todos que estão lá.
Todos sabem e acreditam que se submeterem as regras impostas antes de entrar no ambiente serão reconhecidos. Todos se deparam com um ambiente que se por um lado exerce e promove as leis e as regras por outro as ações são determinadas por necessidades e desejos dos indivíduos e a instituição é o palco dessas articulações.
Viver efetivamente implica na divisão de papéis de trabalho e na hierarquia das relações sociais gerando conseqüentemente relações de poder que permeiam toda e qualquer relação social.
Instituição é tudo aquilo que se estabelece no social, aquilo que é reconhecido por todos como fazendo parte de um amplio sistema. Nessa concepção, institucionalizada é reconhecido pela sociedade e pelo estado.
Instituições são ligadas a cultura local influenciando e sendo influenciada pelo contexto social, político e econômico nos quais se inscrevem atravessadas pelo imaginário social, incluindo nisso o sistema simbólico dos objetos.
Na visão da psicologia social os processos individuais são considerados como tendo o mesmo grau de importância que os processos sociais e na verdade o social atua de forma determinante sobre o comportamento individual, na representação que ele faz de si mesmo e dos outros, nas relações que ele mantém com o outro. Assim tudo aquilo que se refere a vida coletiva organizada é tudo o que se refere ao individuo.
Na psicologia, existem diversos olhares e conceitos diferentes e divergentes entre si, mesmo assim tentamos estabelecer relações entre nossas teorias, visando uma maior compreensão da realidade complexa e impossível de ser explicada a partir de único olhar.
A concepção do ser histórico, segundo Lane, S, inclui aspectos ideológicos e da consciência que marcam a atividade do homem na sociedade, contribuindo assim para analise psicossocial junto a grupos, instituições e comunidades.
Analise psicossocial institucional se filiou a correntes teóricas e metodológicas de diferentes origens, Lewin, K, Freud, S, Marx,K, de cada um deles herdou algo significante e atuante ativo na atual psicologia, buscando nessas linhas que apesar de diferentes buscam uma mudança nas relações sociais, pelo questionamento de praticas instituídas e cristalizadas, pela reflexão sobre a condição histórica que permeia as inter-relações institucionais. Mesmo mantendo suas especificidades teóricas, procuram, através da interdisciplinaridade chegar um pouco mais perto desse objeto-sujeito de estudo que somos nós, seres que se relacionam socialmente.
O psicólogo tenta olhar para a realidade institucional enquanto objeto-complexo de pesquisa, dotado de um sistema simbólico que lhe dá um sentido social, atravessado por um imaginário social, produto e produtor de imaginários individuais.
O conceito de instituição como estrutura social inclui, além da organização, o espaço social, simbólico e psicológico onde se encontra a organização. Constitui assim uma identidade instituída sobre uma lei própria, interiorizada num sistema de regras e inclui ainda a transmissão de um saber que lhe é próprio, ligado a uma ideologia, a valores precisos, à formação da sociedade e da cultura, conforme analisa Barus Michel, J.
As instituições são manifestações e concretizações das realidades da vida em sociedade. Não precisam de estabelecimentos para existir, mas sempre se estabelecem, criam suas leis, regras e códigos, suas ideologias, costumes, prêmios e punições, transmitem valores e estabelecem limites.
Segundo Pierson (1974), as comunidades surgem do simples fato de viveremos em simbiose, de viverem juntos num mesmo habitat indivíduos tanto semelhantes quanto diferentes e da competição corporativa em que se empenham.
Podemos supor, sem grandes riscos de erro, que a ênfase e a prioridade dada a esse trabalho se deve as graves questões sociais brasileiras, ao imenso fosso que separa os agrupamentos sociais em função das desigualdades de renda e de condições de vida, ao descaso dos setores públicos para com essas comunidades.
Na linha da ecologia social, pesquisadores da psicossociologia buscam atender as relações do homem e de grupos com o espaço construído, seja nas metrópoles ou nas zonas rurais, seja na remoção de comunidades e suas conseqüências no âmbito da família, da profissão, do lazer e etc.
Instituições tem sido analisadas quanto as suas próprias estruturas e características funcionais e ideológicas que definem, em grande parte, o modo como são vivenciadas pelos que delas participam, como afirmei desde o inicio do texto.

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