O papel do psicólogoSegundo o autor o modelo atual social dos povos centro-americos é a estrutural da injustiça causada pela conversão desses povos em satélites norte americanos.
São sociedades pobres e subdesenvolvidas que distribuem desigualmente seus bens disponíveis, submetendo a maioria do dos povos a condições de miséria que permitem a pequena minoria de desfrutarem de luxo e de todo tipo de comodidades.
Na América central a maior parte do povo jamais teve suas necessidades básicas satisfeitas , e o contraste entre essa situação miserável e a superabundância das minorias oligárquicas constitui se na primeira e fundamental violação aos direitos humanos nesses países.
A manutenção secular desta situação só tem sido possível graças a aplicação de mecanismos violentos de controle e repressão social, que tem impedido ou frustrado todo esforço histórico para mudar e reformar estruturas sociais opressivas e injustas.
Em quase todos os países do mundo há uma realidade ideologicamente reprimida que sofre com as quase guerras ou de guerra propriamente dita mantida pelos estados unidos da América.
As conseqüências desse estado generalizado de guerra só pode ser adequadamente avaliadas quando se somam a situação de miséria estrutural que é por si só catastrófica.
Os Estados Unidos forçam os países a se submeterem a uma economia débil, a dedicar maior parte do de suas reservas ao esforço bélico, onde deveriam ser construídas escolas e fabricas.
O autor critica fortemente o modelo de intervenção nas políticas internas dos países pelos americanos, segundo uma visão de que os países pequenos estão sob um risco característico que necessitam do sacrifício de uma parte de sua soberania nacional.
Os norte americanos impõem um vinculo de pobreza e de dependência fazendo os países pobres acharem que não é ruim depender deles, estão locando sua identidade e autonomia perdendo a possibilidade de um futuro melhor pautando suas idéias e decisões políticas na segurança nacional dos estados unidos com a justificativa de que suas cidades estão mais próximas do progresso.
Os estados unidos não pensam em realizar a solução dos problemas do mundo, mas estão mantendo a insurreição.Nesse contexto, evidenciamos o questionamento de Para que serve o psicólogo? Para alguns o papel é oferecer a possibilidade de mudar o individuo visando assim solucionar os conflitos sociais sem mudar a ordem social pensando que se mudar o individuo mudará também a ordem social.
Deve-se levar em conta que há o problema da subjetividade local e sua posição política, deve-se saber que o psicólogo deve perceber qual atividade psicológica produz uma determinada sociedade.
As criticas aos profissionais da psicologia é que esses se focam apenas no individuo esquecendo-se dos fatores sociais, porém de fato esses fatores influenciam já que a natureza é um pressuposto inquestionável na vida do sujeito.
Assim pode-se crer que a psicologia se transformou em instrumento da ordem social vigente, um instrumento de reprodução do sistema, além de que podemos afirmar com veemência que todas as profissões estão a serviço dessa mesma ordem.
Essa ordem impõe a nós vermos o que somos de modo objetivo e direto fazendo esquecermos de que poderíamos ser.
O autor critica a visão humana de um organismo que apenas opera no ambiente devido a estímulos e reforços e da limitação da psicologia apenas ao que é observável sem dar foco a caixa preta da consciência humana, obviamente sem descartar a analise do comportamento .
Afirma que o conhecimento mais importante é o da pratica cotidiana independente do bom ou ruim, dizendo que no comportamento deve ser vista a luz de seu significado pessoal e social, do saber que põe manifesto, do sentido que adquire a partir de uma perspectiva histórica. A luz desta visão é a conscientização, conscientização é o processo de transformação pessoal e social que experimentam os oprimidos, segundo Paulo Freire.
O processo de conscientização supõe três aspectos:
Transformar e modificar sua realidade;
Gradual decodificação do mundo;
Aquisição do novo saber da pessoa sobre a realidade circundante sobre si mesmo, o mundo e os outros. A conscientização supõe uma mudança das pessoas no processo de mudar sua relação com o meio ambiente e, sobretudo com os demais. O fazer psicológico consiste em buscar a dês-alienação nas pessoas e nos grupos, que ajude a chegar a um saber critico sobre si próprio e sobre sua realidade, no sentido de eliminar ou controlar aqueles mecanismos que bloqueiam a consciência da identidade pessoal e levam as pessoas a se comportarem como loucos ao mesmo tempo que controlar ou eliminar os mecanismos que fazem o sujeito se comportarem como dominados ou dominadores, explorados ou exploradores ou marginalizados ou oprimidos.
O psicólogo não deve limitar-se ao plano abstrato do individual, mas deve confrontar também os fatores sociais onde se materializa toda individualidade humana.
Não se pode fazer psicologia sem assumir uma seria responsabilidade histórica, porém é preciso fazê-lo como psicólogos, a partir da especificidade cientifico pratico.
Uma simples consciência sobre a realidade não supõe, por si só, a mudança dessa realidade, mas dificilmente se avançará com as mudanças necessárias enquanto véu de justificativas, racionalizações e mitos encobrir os determinismos últimos da situação dos povos. A conscientização não muda, mas facilita a mudança, pois rompe com os esquemas fatalistas que sustentam ideologicamente a alienação das maiorias populares, a conscientização leva as pessoas a recuperar a memória histórica, assumir seu passado e depurar o mais genuíno do seu presente e a projetar tudo isso em um projeto pessoal e nacional.
É possível para a maioria dos psicólogos a dificuldade de que não resida tanto em aceitar este horizonte, mas em visualizá-lo em termos práticos.
Isso significa que a psicoterapia deve apontar diretamente para o desaparecimento de uma identidade social cultivada sobre os protótipos de opressor e reprimida e a configurar uma nova identidade das pessoas enquanto membros de uma comunidade humana.
Não esta nas mãos do psicólogo mudar as injustas estruturas socioeconômicas de nossos países, porém , há uma tarefa importante que é reconhecer os principais problemas dos povos e conscientizá-los. O psicólogo é chamado para intervir nos processos que viabilizam essas estruturas injustas e conciliar as forças e interesses sociais, ultimamente esta cabendo apenas a encontrar caminhos para substituir hábitos violentos por hábitos mais racionais, quando se coloca o saber psicológico a serviço da construção de uma sociedade em que o bem estar dos menos não se faça sobre o mal estar dos mais.

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