Segundo Marx. K, na historia atual os homens são submetidos ao poder de terceiros legitimados pelo espírito universal do mercado ideológico que aliena o sujeito de tal modo que os mesmos permanecem em estado perpetuo de letargia que tem como produto absoluto à privação de liberdade individual.
A privação de liberdade individual é a manifestação pura e obvia de relações de poder extremamente repressoras e dominantes que geram a pobreza que pode ser definida como carência de bens e serviços, rendimentos ou riquezas, exclusão social e impossibilidade de participação nas relações sociais inerentes a educação e informação, mas não apenas isso, privação de aquisição de novos saberes e experiências.
Segundo Benjamin. W, algumas experiências valem mais que qualquer tesouro, sendo que a felicidade que é a valiosa experiência e mais verdadeira está no trabalho e nas relações e não no ouro material.
Atualmente passar experiências está em baixa porque quase sempre não são boas as que se relatam, tornando os jovens cada vez mais ricos em ter experiências comunicáveis, mas cada vez mais pobres.
Nesse contexto, segundo Safra. G, surgiu, uma nova forma de miséria que é a técnica se sobrepujando ao humano e a angustiante riqueza de idéias se difundiu entre os povos. Essa pobreza que falamos impede o bárbaro de recomeçar, de partir a frente, começar de novo, contentar-se com pouco e fazer muito com pouco sem olhar para esquerda ou direita. Não conseguimos dar inicio a nossos projetos a partir de uma tabua rasa. Essa pobreza se chama alienação.
Segundo Safra o sofrimento é decorrente da vida pessoal e do mal estar causado pela cultura alienada. Pobreza de experiência é aspirar um mundo em que se possa ostentar tão pura e claramente sua pobreza esperando que algo resulte disso.
Ficamos pobres e abandonados afastados de todo o patrimônio humano que está empenhado por um valor baixíssimo, em que a tenacidade é um privilégio de poucos poderosos.
Segundo Vigotsky. L, a sociedade é divida em classes com objetivo de confirmar o caráter da natureza de distinções que são responsáveis pela formação humana. Nessa perspectiva torna se nítida as várias contradições internas que são encontradas nos diferentes sistemas sociais que tem funções peculiares dentro dos sistemas.
O crescimento da implantação das distinções humanas dentro da sociedade é provocada pelo crescimento demasiado da sociedade capitalista industrial e de suas respectivas metodologias tecnológicas que respondem diretamente pela divisão entre o trabalho intelectual e o físico, pela separação entre a cidade e o campo, pela exploração cruel do trabalho da criança e da mulher, pela pobreza e pela impossibilidade de um desenvolvimento livre e completo do pleno potencial humano.
Nesse contexto são ampliadas e promovidas as pseudo necessidades extravagantes do ócio e do luxo que resultam em um tipo de humano diferenciado e fragmentado em vários tipos e numa diversidade de classes sociais que permanecem em contraste umas às outras, mas também na corrupção e distorção da personalidade humana e sua sujeição a um desenvolvimento inadequado e unilateral.
Segundo Vigotsky. L, a mais fundamental e importante contradição em toda esta estrutura social consiste no fato que dentro dela, sob pressão inexorável, estão evoluindo forças para sua destruição, e estão sendo criadas as precondições para sua substituição por uma nova ordem baseada na ausência da exploração do homem pelo próprio homem.
O modelo capitalista só é possível se houver nas relações uma premente dualidade entre donos do capital e proletariado na qual os donos do capital serão os responsáveis pela ordenação e manutenção do Status Quo.
Para manutenção do mesmo é necessária a utilização de técnicas e instrumentos de ordenação eficientes que consigam diminuir o modo árduo como os contrates aparecem evitando assim a possível rebelião contra ideologias.
O primeiro passo para manter a “paz” e a boa funcionalidade do modelo atual da sociedade é a utilização da repressão de palavras.
Fédon de Elis já dizia nos primórdios da filosofia grega que o silencio não é de ouro, mas na verdade a palavra que é, porque uma vez dita é forjada e dourada, queima e destrói como também cura as corrupções da matéria e que o provérbio que diz que o silêncio é ouro deve ter sido criado pelos governos despóticos, pois isso claramente se parece com uma ideologia truculenta dos governos tiranos que sem silêncio não impõem escravidão.
O segundo modo de manter a legitimidade do Status Quo é privando o sujeito do pensamento. O poeta grego helenístico Teócrito argumenta em sua literatura que não há abuso mais abominável que o de tentar impor limitações ao pensamento, pretender suprimir o pensamento de quem quer que seja é o pior dos crimes, pois é contra a humanidade.
Segundo Teócrito, os tiranos não gostam que as pessoas pensem, fazem esforço pra deformar o pensamento, estabelecem fabricas de pensamentos, porém todas as vezes que o povo se dispôs a exercer com todo vigor o seu direito e o seu atributo de pensar, os tiranos foram derrotados, levados ao ostracismo e os despotismos derrubados.
E o terceiro modo de manter o estado atual das coisas e fazendo o humano parar de ter vontades criando conceitos de utilidade e inutilidades que vão de encontro às missões e valores da ideologia predominante.
Segundo Kant. E, a utilidade ou inutilidade não pode acrescer ou tirar de algum valor e não serve para avaliar o valor de alguma coisa, quanto mais uma razão que é cultivada e que se consagra pela felicidade.
A vontade é apta para cuidar, dar segurança e para manutenção de nossas necessidades, então seu verdadeiro destino deverá produzir uma vontade não apenas boa se não for despertada de maneira útil a cidadania.
Esses instrumentos são utilizados de modo bastante eficiente por meio da tecnologia moderna que atualmente, segundo Marcuse. H, é parte integrante e inseparável da sociedade. Não estamos falando sobre a influencia da mesma, estamos falando sobre os grupos que direcionam sua utilização.
A tecnologia é uma forma de perpetuar as relações sociais, é a manifestação dos pensamentos e dos padrões de comportamentos dominantes, ou seja, é um instrumento de controle e dominação. Por causa da tecnologia novos valores e padrões de individualidade estão se disseminando na sociedade inclusive valores diferentes até opostos aos que se propunham no iniciam da implantação desses processos.
O individuo humano que afirmava que a boa vida estava alicerçada em valores da unidade fundamental como no fim da sociedade, apoiavam valores que se contradizem se destacados na sociedade atual. Pensava se que a tecnologia traria facilidade e livraria o homem de suas fadigas, mas uma contradição entre o incentivo de lucratividade e o modelo de vida que esse aparato tornou possível é evidente, uma vez que o controle de produção esta na mãos de empresários que trabalham pelo lucro, eles terão a sua disposição o que quer que surja como excedente depois das despesas, esses recursos são mantidos nos níveis mais baixos possíveis, sob essa circunstancia o aparato interfere negativamente na racionalidade dos que servem
Sob o rigor dessa vista a racionalidade individualista se viu transformada em racionalidade tecnológica.
Para maioria da população a liberdade do sujeito foi submersa pela eficiência, a contribuição de um operário na indústria é típica de um serviçal, cuja função é manter seu ritmo afinado ao da maquina que auxilia suprindo apenas os locais onde a maquina é limitada. Seu trabalho suplementa o da maquina ao invés de fazer uso dela, a maquina é que usa o operário.
O home aprende que para manipular a maquina é necessário submeter-se a ela por meio de métodos de utilização e aqueles que não possuem a “finess” desta pericial atuação é lançado ao Léo a cunho da marginalização.
Althusser. L, diz que a produção são os processos inter-relacionados que dão força para formar o sistema social, portanto para um sistema social sobreviver precisa reproduzir as versões anteriores do sistema social. Podemos concluir que é muito improvável que o sistema social e ineficiente, déspota e dominador algum dia saia da presente realidade.
Sabe-se que para a produção de algo dar certo é necessário que se copie o mo modo de produzir. Deve-se entender que falamos de reprodução dos meios de produção e não da força produtivas. Vemos que mesmo a escola é uma instituição que serve para moldar o sujeito com as regras que vão inseri-lo no modelo social repugnante do agora, formando os escravos e os marginalizados do sistema.
A escola nos ensina habilidades e conceitos, mas nos limita a ideologia da classe dominante.
Logo, é perceptível que na força do trabalho revela não apenas a reprodução, mas também a submissão ideológica. Aprendemos todos s conceitos que estereotipam a persona.
Nessa dominação que se faz presente e continua em nossa sociedade e que mantém a produção e reprodução dos escravos, dominados, marginalizados e pobres não há um agente puramente ideológico ou físico, se olharmos com cuidado veremos que há diversas combinações sutis de repressão e que essa repressão é feita conscientemente pelos organizadores da mesma, as classes dominantes usam de alianças para reprimir ideologicamente a realidade humana. A repressão ideológica está mascarada com os lemas de igualdade e fraternidade.
Hebert Marcuse fala sobre a falta de liberdade da civilização industrializada desenvolvida, onde a falta de liberdade é suave e confortável. No inicio do surgimento da sociedade industrializada o direito e a liberdade foram fatores importantes que renderam muitos avanços a sociedade, porém, esses fatores estão perdendo a sua lógica e seu conteúdo tradicional.
A idéia de liberdade de um estado cuja produtividade era baixa perdeu força desde que a liberdade das necessidades se mostrou uma possibilidade real de atender a necessidades dos indivíduos.
Se o mercado não obrigasse o sujeito economicamente livre a se vender essa pseudo liberdade econômica desapareceria e isso seria uma vitoria para civilização e os processos tecnológicos nos libertariam para que direcionássemos nossas energias para um caminho inexplorado e haveria libertação da imposição ao mundo do trabalho. Se a produção fosse orientada e organizada para a satisfação das necessidades vitais poderíamos controlar o modelo vigente e isso não impediria a autonomia individual.
A liberdade política é ser livre da política, liberdade intelectual é ser livre da comunicação e da dominação em massa, porém, isso é utopia. A mais eficaz forma de minar a liberdade é a implantação das necessidades matérias e intelectuais.
As necessidades humanas são preconizadas até mesmo acima do nível biológico, ela é imposta como desejável de acordo a necessidade dos interesses e instituições sociais comuns, as necessidades humanas são históricas no qual as necessidades individuais são sujeitos a padrões. Para manutenção da pobreza e do espírito alienado são impostas necessidades falsas, essas são aquelas que são impostas por interesses particulares, a satisfação destas, são agradáveis, mas a felicidade não procede delas. Essa implantação de necessidades falsas é um tipo de repressão que quanto mais racional, técnica e produtiva for menos indivíduos poderão romper a servidão e conquistar a liberdade.
A particularidade da sociedade industrial é de sufocar a libertação, estimula a necessidade de consumo de desperdício sustentada pelo trabalho estupefante onde não há necessidades reais. Essa incorporação de idéias, se torna uma ferramenta repressiva para dominação, onde é dada uma idéia de livre escolha, porém, a livre escolha de senhores não garante a abolição.
Os meios de informação nos fazem acreditar que somos capazes de satisfazer as necessidades que nos são impostas e nos mostram que existem sujeitos que não são capazes os colocando em um cenário ridicularizado e oprimido. De fato transpassar as necessidades sociais para o individuo é a maneira mais eficaz de dominação, do que propriamente a diferença, portanto nos deparamos novamente com os aspectos mais perturbadores da civilização industrial, que é o caráter racional de sua irracionalidade.
Será muito difícil ultrapassarmos a barreira da alienação, pois a sociedade barra todo tipo de pensamento oposicionista tornando conceitos ilusórios e sem sentido.
A dominação é permanente e se estende a todas as esferas da cultura. Adorno, T. afirma que não é apenas a pedagogia, tão pouco a sociologia unicamente responsável pela crise da formação cultural imposta pela escola e pelos órgãos formadores. Os sintomas dessa crise podem ser vistos em toda parte, inclusive nas pessoas cultas, isso é causado pelo método de formação cansativo e inadequado que segue um modelo que é passado de geração em geração.
“A formação cultural se converte em uma semiformação socializada, na onipresença do espírito alienado que vem depois da formação e não durante, ou antes…“
Segundo adorno, no lugar da bíblia agora temos os esportes, a televisão e as historias reais que se apóiam na literatura ou ficcionismo que serve para nos alienar e inserir em um contexto mais amplo. A cultura ideal que a dominação dissemina é aquela repleta de ideologias que se interpõem entre os sujeitos e a realidade, de tal modo carregadas de afetividade, que não lhe permita desinfetar a si próprio.
A semiformação está diretamente ligada a não cultura, dizer que a técnica e o nível de vida mais alto resultam diretamente no bem da formação e que todo podem chegar ao cultural é uma ideologia comercial pseudodemocrática.
A dominação se impõe inclusive nas expectativas e no tempo livre do homem. Segundo Adorno. T, o tempo livre mantém as pessoas sob um fascínio que nem em seu trabalho nem em sua consciência dispõe de tanta liberdade, pois é nesse momento que as pessoas podem ser quem realmente são ou podem ser.
Se apegarmos a idéia de Marx que diz que o trabalho foi coisificado então a palavra hobby conduz ao paradoxo de que aquele estado que se entende como o contrário de coisificação, como reserva de vida imediata em um sistema total completamente mediado, é, por sua vez, coisificado da mesma maneira que a rígida delimitação entre trabalho e tempo livre.

Segundo Parsons. T, a sociedade é dividida em componentes e segundo Tadeu.T, cada componente tem sua função que se apresenta por meio da identidade que é aquilo que se é. Nessa visão a identidade tem como referencial a si própria, sendo ela auto contida e auto-suficiente, tendo como antagonista a diferença que nada mais é que identidade independente que pertence ao outro onde ser uma coisa é negar ser outra.
Os termos que fazem parte da linguagem humana são parte de cadeias de negações quase intermináveis potencializado pelas limitações gramaticais inseridas numa contundente relação binária em que ser brasileiro é não ser argetino, ser rico é não ser pobre a relação desse dinamismo se dá por meio do binarismo em que ser algo é negar ser outro algo.
Há uma organização hierarquizada de poder dentro dessas classes que são responsáveis pela manutenção da distancia social, onde as classes ricas e pobres se distanciam por claros e distantes modos sócios culturais.
O pobre social é visto como fraco, doente, velho precoce, feio diante da imensa maioria, já o rico, Possi traços refinados, inteligência repleta de instrução e introdução aos costumes patrícios e cosmopolitas dos dominadores.
A pobreza, desigualdade e todas as outras incongruências da sociedade, são mantidas propositalmente para cada vez mais alienar o sujeito que nega essa posição e o mantê-lo dentro do sistema social capitalista devorador onde o trabalho duro e a labuta diária é a única salvação para evitar a pobreza.
O sujeito estereotipado pelo estado atual das coisas sofre com um profundo processo continuo de degradação do caráter sendo que para ser oposição a isso o homem precisa se submeter a escravidão da labuta diária da perspectiva capitalista, porém parece não perceber que o escravo e ex-escravo estão condenados a dignidade de lutadores pela liberdade, já os dominadores são senhores condenados ao opróbrio de lutadores pela manutenção da desigualdade e da opressão.
Para resolver esse cenário lamentável a qual estamos inseridos é necessário que permitir a obtenção das riquezas efetivas e libertações espirituais libertando da alienação e do consumismo.
A revolução é a força motriz da mudança e a classe revolucionaria é a que pode dar inicio a uma revolução mais forte e aguda. A revolução só vai acabar quando não for mais necessário apresentar um pensamento que seja valido apenas para um interesse particular.
Referencias:
Herbert Marcuse – Algumas implicações sociais da tecnologia moderna
Walter Benjamim – Experiência e Pobreza
Erich From – Método e função de uma psicologia social analítica
Theodor Adorno – Teoria da Semicultura
Theodor Adorno – Tempo Livre
Lev Vigotsky – A transformação Socialista do homem
Ralph Linton – Cultura e personalidade
Karl Marx – História
Talcot Parsons – Homem e sociedade
Hebert Marcuse – Ideologia da sociedade industrializada
Louis Althusser – Ideologias e aparelhos ideológicos de estado
Norbet Elias – Sociedade dos indivíduos
Fedon de Elis – Fedon e a palavra
Teocrito de Corinto – Teocrito e o pensamento
Emanuel Kant – Vontade e Razão
Gilberto Safra – Atenção e necessidades da Alma

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