O conceito de sociedade é conhecido e passado adiante sem contestações, sociedade é um monte de pessoas juntas que difere contextualmente entre regiões e tempos, essa diferença não foi planejada, suas estruturas e transformações históricas independem de qualquer pessoa em particular, mas para essa questão segundo o autor há duas abordagens diferentes, uma afirma que essa estrutura é planejada e outra não, talvez alguns indivíduos tenham ciência de que esse tipo de resposta (estrutura) mesmo que distorcido permanece imutável e outros não necessariamente.
Instituição, bancos, policia e o estado em si passa para as pessoas que esse modelo (repressivo) foi criado por uma outra pessoa (creio que o autor faça referencia há alguma entidade divina) para fins específicos para poder legitimá-la e quando se dão como fenômenos sociais que não podem ser explicados segundo esse artifício o pensamento estanca ou mistura-se ciência com fenômenos metafísicos afim de harmonicamente explicá-lo e pior é que se o fenômeno não for explicado como algo planejado e concebido perde-se a vista do que de fato interessa, direcionando para o conceito de que sociedade é a soma das manifestações psicológicas de bons momentos dos indivíduos que as vezes brigam entre si.
Todos sabem que os indivíduos formam a sociedade e a sociedade influencia cotidianamente na realidade que parece um quebra cabeça onde as pessoas não compõem uma imagem integra, faltam para nós conceitos que nos permitam entender o que vivenciamos no dia-dia e compreender que somos mais que um monte de indivíduos vivendo isolados. O autor usa um exemplo aristotélico para contextualizar o cenário, “A casa e as pedras formam a unidade, sendo que não se pode compreender a unidade todas olhando isoladamente cada lado da casa”, o todo é diferente da soma das partes, o todo tem elementos incorporados que não podem ser elucidados sem isolá-los. Isso é de difícil aceitação, pois assim sendo não somos seres individuais, mas parte de um todo social. A maior contrapartida atual da sociedade é se devemos ver a sociedade como meio que concebe o bem estar aos indivíduos ou o fim feito pelos indivíduos? Devemos procurar modos para compreender essa relação, só podendo haver uma vida comum e melhor se formos livres das perturbações e tensões e se todas as pessoas conseguirem satisfação suficiente, e só pode haver uma melhor existência individual mais satisfatória se a estrutura social for mais livre das tensões e perturbações, além dos conflitos. O problema é que uma das duas idéias sempre leva a pior, as contradições entre exigências sociais e necessidades individuais são traços permanentes em nossas vidas.
Os conflitos resultantes das relações entre individuo e sociedade restringem nossos pensamentos e impõem limites, esses limites impõem medos que podem ser vistos facilmente na carga afetiva, tudo que serve para colocar o individuo e a sociedade como ponto mais alto parece ser irrelevante, algo eu nos vale a pena ser pensado. Os que se confrontam como inimigos dessa idéia se legitimam como se tivessem recebendo saberes dos céus ou de uma esfera da razão imune a experiência.
A sociedade e o individuo não existem um sem o outro, o individuo como companhia de outros e a sociedade como um monte de indivíduos de um modo desprovido de objetivos.
Para entender o que é a relação entre individuo e sociedade, primeiro precisamos deixar de lado nossos interesses pessoais e depois deixar nossas vontades prevalecerem a partir daí começarmos a nos dar conta da questão mais fundamental no saber, que é “o que é realmente em todo o mundo a relação entre individuo e sociedade”. Como é possível que essa existência simultânea de pessoas, vidas, atos recíprocos e relações mutuas dêem origem a algo que nenhum dos indivíduos isoladamente tencionou ou promoveu em uma estrutura de indivíduos interdependentes. Antes de resolver esse problema, primeiro temos que entender o funcionamento do mesmo e não errar no diagnóstico, para partindo daí desenvolver a terapia. Analisar sons, palavras são apenas guias grosseiros que nos mostram aonde esta o problema, dão um ponto de partida de onde lentamente podem-se seguir as próprias idéias em contato com a experiência. No meio do turbilhão chamado sociedade há uma ordem oculta e não diretamente perceptível pelos sentidos, cada pessoa do turbilhão tem um espaço, comida e até os moradores sem teto são componentes da ordem oculta que subjaz a confusão, cada um dos sujeitos passantes tem uma função perdida na sociedade. Há todos os tipos de pessoas, cada uma delas é obrigada a estar preso a certas formas especificas de comportamentos. As pessoas estão inseridas num complexo funcional da estrutura bem definida e não pode mudar, deve-se apenas moldar-se de acordo com ele e talvez se desenvolver bem limitadamente. Ainda é possível que o sujeito não conheça ninguém nesse meio, mas mesmo assim ele faz parte de um circulo de relações mesmo que seja por meio das memórias.
Todas as pessoas estão ligadas entre si por laços invisíveis, desde pequenas vem uma serie de dependências que não são passiveis de modificação, pois vive no circulo de relações moveis e ai está o verdadeiro problema em cada ser humano, esse contexto funciona diferente, mas mesmo assim todos sofrem com as tensões especificas. O contexto que tanto falo tem suas leis próprias das quais dependem, pois é algo que existe fora do individuo, numa sociedade como a nossa os indivíduos precisam se vincular e formar cadeias de atos em que cada um cumpra sua finalidade, assim cada pessoa em dependência funciona a partir de outra. Essas cadeias não visíveis e tangíveis, mas são reais e fortes, não é simplesmente limitar o abismo entre individuo e sociedade para isso requeremos um esforço, pois as dificuldades provem de hábitos que hoje estão arraigados na consciência de cada um de nós. Esses hábitos constantemente originam anomalias especificas no pensamento dos diferentes tipos de pessoas e experiências sociais, esses hábitos forçam nos juntamente com experiências sociais especificas que se concentram na autonomia das relações humanas ocultas da própria relação humana.
Fundamentando-se nessas regularidades sociais as pessoas só conseguem conceber a sociedade como algo supra-individual, inventando como meio de sustentação de uma mentalidade coletiva, a relação entre individuo e sociedade é singular, não encontra analogia em nenhuma outra esfera da existência, não estou dizendo que olhar outras esferas não ajude, estou dizendo que esse olhar pode afrouxar ou ampliar os hábitos mentais da questão que estamos tratando.
O modo como os indivíduos se portam é determinado por suas relações passadas ou presentes com outras pessoas, ainda que se afastem de todas as pessoas tudo que fizer será relacionado com o outro, uma exploração da natureza e da estrutura dessas próprias relações nos dá uma idéia estreita e profunda da importância que tem as relações entre as pessoas para composição do individuo, muitas das pessoas conservam o mito da criança, mas hoje aparece varias outras versões, porem ainda são compelidas a pensar por meio do mito que descendemos de um ser primeiro adulto perdendo de vista que todos viemos crianças. ( critica as idéias impostas). Fica difícil entender que os indivíduos se ligam por meio de uma unidade maior uns através dos outros, quando se oculta de si mesmo essa percepção de que estamos ligados por uma cadeia de pais e filhos que conseqüentemente vão ser pais. Todos os indivíduos nascem de grupos que já existem antes dele. Uma premissa é que existam antes do sujeito para que possa fazê-lo crescer e é fundamental a presença simultânea de diversas pessoas inter-relacionadas, portanto devemos rever o mito de que havia um só adulto, pois de fato haviam diversos vivendo juntos causando prazer e dor uns aos outros como fazemos hoje.
Ao nascer cada individuo pode ser diferente, conforme sua constituição natural. Mas é apenas na sociedade que a criança pequena, com suas funções mentais maleáveis e relativamente indiferenciadas se transforma num ser mais complexo. Somente na relação com outros seres humanos é que a criatura impulsiona e desamparada que vem ao mundo se transforma na pessoa psicologicamente desenvolvida que tem o caráter de um individuo e merece o nome de ser humano adulto. Somente ao crescer num grupo é que o pequeno ser humano aprende a fala articulada. Somente na companhia de outras pessoas mais velhas é que pouco a pouco desenvolve um tipo especifico de sagacidade e controle.
O modo como uma criança se desenvolve cristaliza-se gradativamente baseada nos contornos mais nítidos dos adultos, nunca exclusivamente de sua constituição, mas sempre da natureza entre ela e as outras pessoas. A individualização do ser humano não depende apenas de sua constituição natural, mas de todo o processo de individualização. A personalidade da criança influi no seu destino e o destino não esta trancado pela natureza biológica, advêm de suas características pessoais que se desenvolvem durante o crescimento, seu destino é especifico da sociedade que nasceu.
A rede humana é a totalidade da relação entre individuo e sociedade, mas isso jamais será compreendido enquanto a sociedade de indivíduos existir, mas apenas quando verem a sociedade de indivíduos feita por crianças que nascem, crescem e morrem. A historicidade de cada individuo, o fenômeno do crescimento até a vida adulta é a chave para compreensão do que é sociedade, a criança, as idéias e os comportamentos se transformam constantemente, elas se adaptam mais facilmente que os adultos.
Por mais certo que seja que toda pessoa é uma entidade completa em si mesma, um individuo que se controla e que não poderá ser controlado ou regulado por mais ninguém se ele próprio não o fizer, não menos certo é que toda estrutura de seu autocontrole constitui um produto reticular formado numa interação continua de relacionamentos com outras pessoas, e que a forma individual do adulto é uma forma especifica de cada sociedade.(reticular é a troca de informações em uma interação)
Existe hoje uma padronização muito difundida de auto-imagem que induz o individuo a se sentir e pensar “estou aqui inteiramente só, todos os outros estão lá fora e cada um segue seu caminho” (Parece uma reflexão interna). Essa atitude perante si mesmo e os outros se afigura inteiramente natural e obvia a aqueles que a adotam. Ela se constitui a expressão de uma singular formação histórica do individuo pela rede de relações, por uma forma de convívio dotada de uma estrutura muito especifica.
Não raro se oferecer ao jovem o mais amplo horizonte possível de conhecimentos e desejos, uma visão abrangente da vida durante seu crescimento; ele vive numa espécie de ilha afortunada de juventude e sonhos que marca um curioso contraste com a vida que o espera quando adulto. É incentivado a desenvolver as faculdades para as quais, na estrutura atual, as funções adultas não deixassem margens alguma, e diversas inclinações que o adulto tem que reprimir. Eles se sentem impelidos pela estrutura social a violentar sua verdade interior. Sentem-se incapazes de se transformar no que realmente queriam vir a ser.
Poderíamos indagar porque a estrutura da rede humana e a estrutura do individuo se modificam ao mesmo tempo de certa maneira, como na transição da sociedade guerreira para a nobiliárquica, ou para a sociedade trabalhadora de classe media.
Idéias, convicções, afetos, necessidades e traços de caráter produzem-se no se “eu” mais pessoal e nas quais expressa, justamente por essa razão, a rede de relações de que emergiu na qual penetra.
A diferenciação é um processo sócio histórico de uma transformação da estrutura da vida comunitária. Moldagem social faz assumir uma forma especificamente humana, o que falta no homem em seus traços hereditários é substituído por uma determinação social, uma moldagem sociogênica das funções psíquicas. As estruturas psíquicas humanas são indissociavelmente complementares, só podendo ser estudadas em conjunto. Elas não existem e se movem na realidade com o grau de isolamento presumido pelas pesquisas atuais. Formm, ao lado de outras estruturas, o objeto de uma única ciência humana. Uma compreensão mais profunda do fato fundamental da existência do homem, a que tantas vezes nos referimos: o fato de a rede humana ter uma ordem e estar sujeita a lei diferentes e mais poderosas do que aquilo que planejam e querem os próprios indivíduos que as compõe. Podemos discutir até onde essas possibilidades são limitadas por certas características hereditárias ou pela historia da sociedade ancestral.
Cabe a psicologia uma tarefa bastante curiosa. Cada criança ao nascer é produto de um destino que tem uma dimensão natural e uma dimensão social, a historia de seus ancestrais, se perde de vista na obscuridade dos milênios passados. Os seres humanos são parte de uma ordem social e uma ordem natural, as considerações mostraram como é possível esse duplo caráter. Na base desses mecanismos e tendências automáticos de mudança social encontram-se formas particulares de relações humanas, tensões de um tipo e intensidades específicos entre pessoas. Mas a monopolização desse tipo de bens é apenas um tipo de monopólio entre outros. Alem disso nunca existe isoladamente.
Os seres humanos criam um cosmo especial próprio dentro do cosmo natural, e o fazem em virtude de um relaxamento dos mecanismos naturais automáticos na administração de sua vida em comum. Juntos eles compõem um continuum sócio-historico em que cada pessoa cresce como participante, a partir de determinado ponto. Mas a historia não é obviamente um sistema de alavancas mecânicas inanimadas e automatismo de ferro e aço e sim um sistema de pressões exercidas por pessoas vivas sobre pessoas vivas, o desfecho poderá depender em ampla medida dos instintivos da energia pessoal e da inteligência de um ou mais indivíduos dentro dos grupos.

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