Classe Poder:
A tipologia das classes vem de dois corpos conflitantes complementares que são os empresários exploradores e do patriciado que são responsáveis pelo desempenho de cargos, sendo que cada um aspira ser patrão, a partir disso determinam o destino alheio. Nesse aspecto também está agregado o setor da classe estrangeira que também é dominante; Essas classes controlam a mídia, conformam as opiniões e contratam os tecnocratas mais eficientes.
Abaixo fica a classe intermediaria que são os pequenos oficiais e profissionais liberais e o baixo clero, esses prestam homenagens à classe dominante pensando em tirar alguma vantagem disso, dentro dessa classe surgem os raros intelectuais e subversivos;
Mais abaixo ainda está a classe inferior oprimida que formada principalmente por negros e mulatos moradores da periferia.
Há uma organização hierarquizada de poder dentro dessas classes que são responsáveis pela manutenção da distancia social, onde as classes ricas e pobres se distanciam por claros e distantes modos sócios culturais.
O pobre social é visto como fraco, doente, velho precoce, feio diante da imensa maioria, já o rico, Possi traços refinados, inteligência repleta de instrução e introdução aos costumes patrícios e cosmopolitas dos dominadores.
Quando um individuo consegue atravessar a barreira e ingressar na classe superior, nota-se que depois de duas gerações que os descendentes crescem em estatura, se embelezam, refina e educa seus modos a poder-ser confundir com o patriciado tradicional;
O sujeito brasileiro sofre com um profundo processo continuo de degradação do caráter do homem da classe dominante;
O escravo e ex-escravo estão condenados a dignidade de lutadores pela liberdade, já os dominadores são senhores condenados ao opróbrio de lutadores pela manutenção da desigualdade e da opressão.
O negro luta menos agressivamente do que deveria ser, contextualize com a luta indígena;

A diferença entre os negros e os europeus importados é que o segundo veio com objetivo de conquistar e deixar de ser explorado;
Negro é uma raça brasileira, porque não é índio nativo e nem branco reinol, mas sua identidade é constituída aqui;
Atualmente o negro vem perdendo a vergonha de ser negro por efeito do sucesso do negro americano;
O racismo no Brasil é peculiar porque promove a mestiçagem onde as relações inter-raciais são pouco ou quase nunca criticadas; isso não é democracia racial, mas sim símbolo da carga de opressão, preconceito e discriminação anti negro, porque a expectativa do negro desaparece com a mestiçagem e isso jê é um racismo.
Os apartheids tem conteúdos de tolerância que nós ignoramos, pois quando se afasta, permiti-se que se conservem lá longe sua identidade, pois lá, eles podem ser quem realmente são, além de induzir a solidariedade interna e capacitar para luta por seus direitos sem admitir o paternalismo;
Nas conjunturas assimilacionistas ao contrario, se dilui a negritude numa vasta escala de gradações que quebra a solidariedade, reduz a combatividade, insinua a idéia de que a ordem social é uma ordem natural, senão sagrada; Dá imagem de maior sociabilidade quando de fato desarma para a luta contra a pobreza e contra o preconceito que é imposto, além de dissimular a violência.
É uma pseudo democracia racial que afeta até os intelectuais, pois libera campanhas de conscientização do negro para conciliação social com objetivo é criar condições em que o negro possa aproveitar as linhas de capilaridades para ascender as formas de conduta e de etiqueta dos brancos bem sucedidos;
Alguns negros de talento constroem suas carreiras sem encontrar uma linguagem apropriada para a luta anti-racista;
O assimilacionismo cria uma atmosfera de fluidez nas relações inter-raciais, dissuadindo o negro para sua luta especifica sem compreender que a vitoria sé é alcançável pela revolução social.
Segundo Darcy Ribeiro em o povo brasileiro, o censo de 1950 mostra que a cada 1.000 brancos, 23 são empregadores e desses 23 apenas 4 são negros;
Comparando 4 milhões de pretos maiores de 10 anos com 1 milhão de estrangeiros, 20 mil empregadores são pretos, sendo os estrangeiros empregadores somados a 86 mil;
Podemos perceber que os estrangeiros encontraram condições de ascensão social mais rapidamente, sendo que essa estimativa também é valida para os cargos de alto padrão, 1 preto para 23 brancos;
Depois da abolição surgiu o famigerado abandono, os negros não estavam abandonados a sós, mas agora formavam um contingente de negros, pardos e brancos pobres, confundidos pelo nome de trabalhadores livres; Na qual para se livrar das condições de abandono impostas pela liberdade, começaram a aceitar se deixar aliciar pelo trabalho sob condições ditatoriais dos latifundiários, nessas condições devemos explicar a gritante discrepância entre os contingentes negros e brancos que compõem o povo brasileiro.
Pesquisas do anuário estatístico do Brasil (IBGE 1993) mostra que 12 % dos brancos maiores de 10 anos eram analfabetos, 30% eram negros e 15% pardos, sendo o rendimento anual de 32212 para os brancos, 13295 para os negros e 15308 para os pardos.
A sociedade usando a industrialização finge alargar suas bases, mas não rompe com a centralização da riqueza, do poder e do prestigio monopolizado, mantém as condições de inferioridade produzida pelo tratamento opressivo que o negro suportou por séculos sem nenhuma satisfação compensatória, garante a manutenção de critérios racialmente discriminatórios que obstaculam a ascensão a simples condição de gente;
Isso tornou mais difícil para o negro ser educado e incorporado as forças de trabalho dos setores modernizados.
Na pratica enquanto não haver real interesse de agir em defesa dos negros no sentido de inserção, no Brasil não haverá democracia racial, tão pouco democracia.
O grande problema é que os negros operam não como negro, mas como integrante da pobreza que aspira por processos de igualação econômica e social;
A natureza do preconceito racial no Brasil é diferente dos de outras sociedade, porque aqui é na verdade discriminatório, porque aqui funciona como mecanismo integrador e não segregador.
Aqui há uma expectativa missigenadora que é discriminatória porque faz com que os negros aspirem por clareamento em lugar de se aceitar;
Alem de que os brasileiros tem ainda mais preconceito de classes de que de cor propriamente, assim é mais facilmente admitido o casamento e o convívio com negros que ascendem socialmente e assumem as posturas, maneirismos e hábitos da classe dominante por sua efetiva discrepância social;
Fala-se sobre relações sexuais entre etnias, isso é uma ideologia integracionista encorajadora, pois é o valor mais positivo da conjunção de brasileiros na linha das aspirações populares racistas, porque espera que os negros clareiem, que os alemães amorenem, japoneses generalizem seus olhos, isso tem o valor de reprimir antes ao caldeamento.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.