• Skinner, B. F. (1987) Upon Further Reflection. New Jersy: Prentice-Hall, Inc. Cap. 5.
    Texto traduzido por Hélio José Guilhardi e Patrícia Piazzon Queiroz, com revisão de Noreen Campbell de Aguirre, para uso exclusivo dos grupos de estudo e supervisão do Instituto de Terapia por Contingências e Reforçamento (Campinas – SP).

O inicio do texto Skinner propõe que mesmo quando uma característica evoluiu inicialmente devido a conseqüências bem diferentes daquelas que explicam seu valor de sobrevivência atual, uma história inicial plausível ainda é necessária. Dá o exemplo as asas dos pássaros, questionando sua origem e necessidade, e afirma que entre as características a serem explicadas desta maneira está o comportamento.

Segundo Skinner o primeiro comportamento foi o movimento, o segundo a sensação, a atribuição da sensação a diferentes órgãos fez com que resultasse em desenvolvimento de estruturas conectivas reflexas e tropismo.

Os padrões de comportamentos-gatilho provavelmente evoluíram através de estágios de complexidade crescente. É improvável que muitos exemplos atuais tenham ocorrido, desde o início, em seu estado atual, como variações que foram, então, selecionadas pela sobrevivência.

Skinner sugere que a adaptação se deu por conta de contingencias impostas mutáveis pelo ambiente no decorrer dos anos. O comportamento atual de um sujeito vem de outros menos complexos e antecessores, essas contingencias impostas e mutáveis promovem as condições para modelar os comportamentos mais complexos.

Comportamentos inatos e de reprodução variada, são mais difíceis de serem explicados por meio da cognição.

Processos comportamentais: Imitação e Modelação
A imitação é um dos processos de evolução do comportamento, A imitação filogenética poderia ser definida como se comportar como outro organismo está se comportando, sem nenhuma razão ambiental alternativa, mas alguma outra razão pode ter sido inicialmente necessária.

Condicionamento respondente
O condicionamento respondente poderia ter se iniciado como uma variação que tornou as características visíveis de determinado objeto. A resposta surgiu como um reflexo fraco, resultante da seleção natural, como posteriormente um reflexo condicionado. O alcance do condicionamento respondente é muito mais amplo do que seu papel no reflexo condicionado. As características do objeto desencadeador poderiam ter sido precisamente definidas, mas há menor envolvimento genético, se o seguir for desencadeado por qualquer objeto grande que se mova.

Condicionamento operante
A resposta operante seria uma réplica exata da resposta filogenética, e as conseqüências fortalecedoras seriam as mesmas, contribuindo para a sobrevivência do indivíduo e, conseqüentemente, da espécie, através tanto da seleção natural, como de uma suscetibilidade evoluída a reforçamento por uma redução dos estímulos dolorosos. Operante porque opera no ambiente, tem sua necessidade explicita para evitar os estímulos dolorosos, qualquer mudança sutil, que resultasse em um término mais rápido do dano subseqüente, deveria ter valor de sobrevivência, e o condicionamento operante, através de reforçamento negativo, seria uma mudança desse tipo.

Na espécie humana, o condicionamento operante substituiu amplamente a seleção natural. Argumenta-se, freqüentemente, que o condicionamento operante não consegue explicar o comportamento aprendido complexo. Tais afirmações são vulneráveis às demonstrações de que o condicionamento operante é suficiente. Devemos falar de sentimentos apenas quando o sentido é reforçador. Os reforços atrasados têm um efeito mais poderoso sobre comportamentos interpostos, e o comportamento tem que estar ocorrendo para poder ser modificado por uma conseqüência. O comportamento não é reforçado pela melhora, otimização ou maximização de coisa alguma. Ele é reforçado através de processos resultantes de evolução, que têm os efeitos finais a que tais termos se referem.

A evolução de práticas culturais

A imitação e a modelação desempenham importantes papéis na transmissão de resultados de contingências de reforçamento excepcionais. Algumas das grandes realizações do homem se devem a acidentes extraordinariamente afortunados. A espécie humana progrediu ainda mais na transmissão do que já tinha sido aprendido, quando seu aparelho vocal ficou sob controle operante. Uma cultura pode ser definida como as contingências de reforçamento sociais mantidas por um grupo. Como tal, ela evolui a sua própria maneira, à medida que novas práticas culturais, independentemente de como surjam, contribuem para a sobrevivência do grupo e, por isso, são perpetuadas. A evolução de culturas não tem aqui maior relevância, porque não estão envolvidos quaisquer processos comportamentais novos.

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