Sentimos necessidade de um deus criador, porque vemos o mundo, mas vemos muito pouco dos processos que geraram sua existência, vemos o produto, mas não a sua produção. Quanto ao comportamento, nós dispomos de outra evidência: podemos ver ou observar introspectivamente nossos próprios corpos enquanto nos comportamos e é possível que o que vemos seja o processo de criação.

O comportamento é produto de três tipos de seleção: Natural, comportamento operante e contingências sociais, os termos que definem um indivíduo que se comporta dependem do tipo de seleção. A seleção natural nos dá o organismo; o condicionamento operante, a pessoa; e, como discutiremos, a evolução de culturas nos dá o eu. Um organismo é mais do que um corpo; é um corpo que faz coisas.

Organismo significa executor, pessoa significa mascara e contingências sociais de reforçamento são os repertórios de comportamentos das mascaras. Diferentes contingências constroem diferentes pessoas, possivelmente dentro da mesma pele.

Hoje se pode fazer uma distinção clara entre pessoa e eu: uma pessoa, enquanto repertório de comportamento, pode ser observada pelos outros; o eu, como um conjunto (set) de estados internos que o acompanham, é observado somente através de sentimento ou introspecção.

Por haver outras pessoas no mundo, devemos usar o Self como My Self ou Eu Mesmo e somente por meio de contingencias verbais especiais que respondemos a certos aspectos do nosso corpo. Já pessoa são aqueles repertórios de comportamentos que todos podem observar. Eu é mais ligado a sentimento, enquanto pessoa a exteriorizado.

A língua inglesa desenvolveu-se numa época em que, de um modo geral, acreditava-se que o comportamento se originava dentro do indivíduo. As pessoas sentem o ambiente e atuam sobre ele.Na analise experimental o ambiente atua primeiro entre as maneiras possíveis, como conseqüência reforça o comportamento, dá origem ao operante e como contexto elicia o comportamento. Porém o que se questiona nesse texto é se de fato o eu é o iniciador?

Exemplos:

A auto Observação é influenciada por contingências verbais, a primeira contingência a se desenvolver foi a de DAR MODELO que é como se comportar de modos facilmente observáveis e imitáveis. Embora não necessariamente vocal, no sentido de que o reforçamento é mediado por outras pessoas não podemos imitar, a menos que exista um modelo, e não estamos dando modelo, a menos que nosso comportamento esteja sendo imitado.

Fazer, certamente, inclui a experiência sensorial. Nós não apenas observamos que fazemos coisas; observamos que vemos coisas e a psicoterapia é, freqüentemente, um esforço para aumentar a auto-observação, para “trazer à consciência” uma parcela maior daquilo que é feito e das razões pelas quais as coisas são feitas.

Auto estima, O eu de que uma pessoa gosta parece ser produto das práticas positivamente reforçadoras do ambiente social, as culturas geralmente controlam seus membros através de estímulos aversivos, com reforçadores negativos com punições, que suprimem o comportamento indesejado. Assim, as culturas asseguram que seus membros são responsáveis pelo que fizeram e os membros “se sentem responsáveis”.
Eles dificilmente protestam, mas somente o fazem quando uma análise comportamental transfere para o ambiente a responsabilidade que lhes era atribuída. A resposta usual a uma análise comportamental é protestar contra o controle que ela demonstra, quer seja ele positivo ou negativo. O uso de estímulos aversivos, como reforçadores negativos ou como punição, é desaprovado.

Apesar de não termos, controle sobre nosso comportamento é importante que acreditemos ter porque quando acreditamos em nós fazemos o melhor, mas o eu no qual confiamos pode ser um produto do fazer bem feito e não sua causa.

Pessoas que não são bem sucedidas naquilo que fazem podem perder a fé em si mesmas, mas um terapeuta pode restaurar tal fé, fazendo com que recordem sucessos que não estão sendo levados em conta, restabelecendo assim, pelo menos em parte, o estado corporal que sentiram naquelas situações.
O modo mais efetivo de restaurar a crença em si mesmo é, com certeza, restabelecer os sucessos, talvez simplificando as contingências de reforçamento. O efeito mais imediato do sucesso é, freqüentemente, chamado de autoconfiança.

Eu racional
Parece que sentimos um outro eu quando nos engajamos no comportamento governado por regras. Dizemos que agimos racionalmente quando somos capazes de mencionar razões para o nosso comportamento, mas a maior parte do nosso comportamento não é racional nesse sentido.

As contingências de seleção afetam o nosso comportamento, quer as reconheçamos ou não. Freud é talvez responsável pelo fato de que o termo “racionalizar” sugere dar falsas razões. Entretanto, essas questões dizem mais respeito à mente do que ao eu.

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