O sonho é um comportamento como qualquer outro que está sujeito às mesmas leis que regem os comportamentos observáveis. A única diferença é que sua manifestação só é observável pelo indivíduo que sonha.

Porém existem modos de avaliar a fidedignidade do relato verbal do sonho por parte de que sonha. Para se ter acesso ao sonho e podermos estudá-lo há necessidade do uso da auto-observação, do relato verbal da observação dos comportamentos observáveis enquanto o organismo dorme e correlação do sonho com as experiências presentes do organismo.

Isso não se trata da busca dos eventos mentais, mas observação do próprio organismo, pois o sonho não é nenhum mundo imaterial da consciência, mas, uma manifestação, uma classe de comportamentos emitida pelo próprio corpo do observador (Skinner, 1974, pp. 16 e 17).

O organismo, durante o sono, também se comporta. Não há razão para supor que os comportamentos, durante o sono, sejam regidos por leis diferentes daquelas que operam na vigília. A topografia e magnitude das respostas podem ser diferentes, mas não sua natureza. (Guilhard,H)

Os sonhos podem ser conceituados como comportamentos perceptivos que ocorrem durante o sono. O relato do sonho é um comportamento verbal, sob controle de estímulos verbais e ambientais, presentes no momento do relato.

Skinner argumenta que os eventos encobertos ou “privados” são estímulos observados e não construtos hipotéticos inferidos. Sonhos (bem como alucinações e imagens de memória) podem ser explicados como decorrentes de respostas perceptuais na ausência dos estímulos externos. (Guilhard, H)

O sonho pode ser descrito ou narrado, como função de uma simples discriminação de eventos encobertos. Mas, compreendê-lo envolve mais que isso. E necessário colocá-lo num contexto onde serão detectadas as variáveis independentes que determinaram tanto os eventos encobertos como os manifestos.

A determinação do significado do sonho não se baseia, necessariamente, no relato das relações funcionais feitas pelo sujeito, mas nas relações funcionais percebidas pelo terapeuta dentro de um contexto, em que o sonho aparece, em última análise, como elo de uma cadeia comportamental extremamente complexa.

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