Segundo autor vivemos ainda hoje num modelo de vida vitoriano onde mantemos nossa sexualidade contida por conta da hipocrisia.
Diz que antigamente as coisas eram mais abertas, mais inocentes e sem vergonha, onde as coisas corriam sem incômodos nem escândalos, mas que um rápido crepúsculo teria seguido a luz até a monotonia da burguesia vitoriana onde a sexualidade fica cuidadosamente encerrada e o conceito muda-se para apenas reproduzir e em torno do sexo que se cala.
Segundo Foucault o único espaço social onde a sexualidade é reconhecida é no quarto dos pais, fora desse ambiente há silencio. Impor um silêncio geral sobre o assunto é próprio da repressão que funciona como condenação ao desaparecimento em que o sexo real aparece apenas em lugares clandestinos, fora desses lugares emerge o puritanismo.
Esse discurso sobre a repressão moderna do sexo se sustenta porque é fácil ser o dominado. A crônica que fala do sexo se transpõe imediatamente na cerimônia histórica do modo de produção.
O sexo é reprimido com tanto rigor por ser incompatível com uma colocação no trabalho de uma época sistematicamente focada no trabalho.
O sexo e seus efeitos não são fáceis de decifrar, mas a repressão é facilmente analisada. E a causa do sexo se encontra ligada as horas de causas políticas.
Faz tempo que se fala de sexo fazendo pose como se fosse subversivo falar sobre isso; Falar abertamente sobre isso parece revolucionário que se aproxima da nova lei.
Segundo o autor, a maioria das pessoas não encontra a felicidade por medo do ridículo ou amargor da historia que puni quem reivindica falar sobre esse tema que parece ser promiscuo é falar contra o dominante.
Falar contra os poderes promete a liberdade em que empregamos o rigor do saber e a vontade de mudar a lei e isso sustenta a obstinação do falar de sexo.
Os projetos revolucionários foram transferidos para o sexo. A idéia do sexo reprimido não é somente uma teoria, mas afirmação de uma sexualidade que nunca foi tão dominada como na época de hipocrisias.
Dominar o sexo é ir de encontro a todos interesses discursivos que o sustentam. Pois o sexo está ligado ao pecado. A repressão é histórica e fala-se a tanto tempo é porque está profundamente firmada.
Pelo modo como ocorre à repressão parece que o primeiro modo de fazê-lo foi proibindo que se falasse sobre abalando o discurso. Mas o resultado da proibição é inverso, os assuntos se proliferam e se acentuou nos séculos seguintes, mas com ar de indecente que perdura até hoje.
Com a expansão religiosa e a contra reforma e confissão de fé fez se pensar que nessa matéria a carne não há nada de pequeno e leve em relação a pecados e daí surge a tão peculiar constrição do ocidente moderno.
Como as pessoas estavam proibidas de falar começaram a usar a literatura com esse fim e as partir disso começou a ser libertinos que se dedicam a uma vida sexual.
No século dezoito nasce uma incitação a falar do sexo. Sob a perspectiva de analise através de pesquisas. Levar em conta o sexo e formular sobre ele um discurso que não apenas moral, mas racional torna-se uma necessidade onde se deve falar de sexo publicamente de uma maneira que seja ordenada em função de demarcar o licito e ilícito. Falar do sexo como uma coisa que não se deve condenar, mas gerir, inserir em nossa utilidade e regulá-lo para o bem de todos.
Percebe-se que é mais útil falar do sexo por meio de discursos que por meio de proibições, entao sob a perspectiva de desenvolvimento industrial é necessário perceber as vantagens da natalidade no que cerne a recursos humanos.
E difunde-se a idéia de que o futuro da sociedade consiste não somente as virtudes da população, mas ao modo como usam seu sexo. Entao entre o estado e o individuo o sexo se tornou objeto de disputa.
Segundo Foucault não se deve fazer divisão binária entre o que se diz e o que não se diz, porque não existe um silencio, mas vários, do mesmo modo discursos. Segundo Foucault a sexualidade está em tudo ativa, precoce e permanente.
A partir do século xviii o sexo das crianças e adolescentes segundo autor, passou a ter foco em torno do qual se dispuseram inúmeros dispositivos e estratégias discursivas sutilmente hierarquizadas e articuladas em torno de um feixe de relações de poder.
Sem duvida há uma exaustiva disposição discursiva constrangedora que fala sobre sexo refinado ou rústico.
Nenhuma outra sociedade na historia num período tão curto jamais tenha acumulado tanto discurso sobre sexo. Pode ser que falamos mais dele do que de qualquer outra coisa, mas tentando nos convencer de que não falamos o suficiente e que somos tímidos, medrosos e que escondemos por submissão e que para ter é preciso sair à procura.
O segredo do sexo não é a realidade fundamental em relação a todas as incitações sobre falar sobre sexo.
O que é próprio das sociedades modernas é terem se devotado a sempre falar sobre.
Segundo o autor uma possível objeção para a repressão do discurso cometeria um engano ao ver a proliferação do assunto porque o que importa não é falar, mas falar com propriedade.
Toda manipulação do sexo se encontra pautada em uma função de uma preocupação que é assegurar o povoamento, reproduzir a força do trabalho e reproduzir a forma das relações sociais proporcionando uma sexualidade economicamente útil e politicamente conservadora.
Segundo o autor no século xix iniciou-se os períodos das perversões onde se explorava as diversas formas de sexo em suas concepções mais absurdas.
Século xviii o sexo era mantido por três códigos. Costume e pressões de opinião que regiam as praticas sexuais, as relações matrimoniais onde o dever conjugal era cumprido e as questões pastorais e canônicas. O resto permanecia confuso e atento para a incerteza de sodomia ou indiferença distante da sexualidade
Os diferentes códigos não faziam distinção entre infrações as regras da alianças e os dos desvios em relação a genitália. Romper o casamento ou procurar prazeres estranhos mereciam condenação.
Em que dentro dos pecados graves estavam os relacionados ao sexo e os tribunais podiam condenar a homossexualidade e a infidelidade pois era visto como contra a natureza.
A natureza em que as vezes se apoiavam era uma espécie de direito.
Agora as outras pessoas que fogem do comum devem avançar para tomar a palavra e fazer a difícil confissão do que são, sem duvidas, são menos condenadas.
Segundo o autor nesse cenário promiscuo do final do sec xviii até o nosso surgem as sexualidades periféricas em que o sinal de regra perde o vigor e a severidade dos códigos de sexualidade se atenuou e a intervenção da igreja na sexualidade conjugal perdeu nos últimos 200 anos muito de sua insistência.
Mas tbm nesse contexto a medicina penetrou com grande aparato nos prazeres dos casai inventando toda uma parafernália patológica orgânica funcional ou mental originada nas praticas sexuais incompletas classificando isso como perturbações.
O importante segundo Foucault não está no nível de indulgencia ou no nível de repressão, mas na forma de poder exercido, pois quando se dá nome a toda a sexualidade como se fosse para alistá-la trata-se de excluí-la da realidade.
De fato ao longo da campanha secular o mundo foi mobilizado para apoiar o prazer, escondendo para descobrir e permitir.

A nova caça a sexualidade periférica provoca a incorporação das novas especificações dos indivíduos.
Nada do que o sujeito é escapa a sexualidade. Está presente no todo, nas condutas, inscritos sem pudor na face e no corpo que se atrai sempre.
A homossexualidade aparece como uma figura da sexualidade que foi transferida para uma espécie de androgenia que não passa de velhas interdições que implica em confissões e confidencias que superam a inquisição.
Atualmente o poder que toma cargo a sexualidade assume o dever de roçar os compor e intensifica as regiões dramatizando os momentos conturbados.
Houve nitidamente um aumento da eficácia do domínio, mas também de sexualização do poder e benéfico do prazer.
O prazer se difunde através do poder e este fixa o prazer que acaba de desvendar
O poder que se deixa invadir pelo prazer, poder se firma no prazer e se mostra a fim de prazer.
O poder funciona como um mecanismo de apelação.
Diz que a sociedade moderna tentou reduzir a sexualidade ao casal heterossexual, pode dizer tbm que organizou cuidadosamente e fez proliferar grupos com elementos múltiplos circulante numa distribuição de pontos de poder hierarquizados nivelados em busca do prazer.
A sociedade moderna é sem duvida hipócrita porque impõem uma serie de barreiras em torno da sexualidade possibilitando uma germinação perversa e criando um monte de patologias do instinto sexual.
Exerce um tipo de poder sobre o corpo e sexo que procede mediante a redução da sexualidade singular, produz o desproposito sexual.
O crescimento das perversões não é um tema moralizador, mas produto real da interferência do poder.
Já a três séculos o discurso sobre sexo tem se multiplicado e traz consigo proibições que garante a solidificação de um desproposito sexual que desempenha um papel de proibição.
De tanto falar sobre acabamos por reduzi-lo. Podemos considerar tudo que é dito como uma maneira meticulosa de esquiva já que há incapacidade ou recusa de falar sobre isso.
O sexo ao longo de todo século xix parece estar pautado em dois saberes distintos, um da biologia e a da obediência a regras de origens cheia de obstáculos morais.
Tudo se passa como uma resistência fundamental se opondo a enunciação se opondo a verdade impondo a obstinação do não saber.
É obvio que o sexo no sex xix e cheio de ofuscações sem duvida nisso está o ponto crucial, ou seja recusa que se refere aquilo que se fazia aparecer imperiosamente.
Sob o pretexto de dizer a verdade provocavam medos e atribuíam a sexualidade os males fadados. Afirma que é perigoso a sociedade inteira os hábitos furtivos do sexo.
Quando se comprara os discursos sobre a sexualidade em questões como época e fisiologia é surpreendente o fraco teor da racionalidade elementar que coloca a sexualidade a parte dos conhecimentos.
Existem historicamente duas maneiras de reproduzir a verdade do sexo, a verdade extraída do próprio prazer encarado como pratica e recolhido como experiência onde esse saber deve recair sobre si proporcionalmente e ampliar seus efeitos. (civilização oriental) já nossa civilização desenvolveu procedimentos que se ordenam em função de uma forma de poder rigoroso.
O autor coloca culpa da manipulação da sexualidade sobre as questões meras religiosas dizendo que uma da manipulações ocorreu diretamente pela igreja usando a questão da confissão, chega a afirmar que o homem se tornou um animal que se confessa.
A metamorfose da busca heróica das provas de bravura ou santidade passa a ser um meio de alcance negar a sexualidade.
A obrigação da confissão é imposta a partir de pontos diferentes profundamente incorporada a nós que não percebemos como o efeito do poder que nos coage.
É preciso estar muito iludido com esse ardil interno da confissão para atribuir a censura, a interdição de dizer e de pensar num papel fundamental é necessário uma representação muito invertida do poder que nos faça acredita que é de liberdade que nos falam todas essas vozes da nossa civilização
Desde a penitencia cristã até os nossos dias o sexo tem sido matéria privilegiada de confissão.
A colocação do sexo em discurso e o reforço do desproposito sexual são duas peças do mesmo dispositivo que se articula graças ao elemento central de uma confissão que obriga a enunciação verdadeira da singularidade sexual.
O que ela supõe como segredo não está ligada ao alto preço do que tem a dizer nem ao numero dos que dele merecem se beneficiar, mas a sua obscura familiaridade e sua abjeção geral.
A confissão foi e é ainda hoje o mártir que rege a produção do discurso verdadeiro sobre sexo, entretanto se transformou consideravelmente.
A sexualidade é o correlato da pratica discursiva lentamente dos cientistas sexuais, as características fundamentais da sexualidade não traduz a representação confundida pela ideologia ou pela interdição que corresponde as exigências funcionais do discurso que deve produzir verdade.
A historia da sexualidade foi e é e será um dominante da verdade especifica do ponto de vista do discurso.
A historia nos mostra que o discurso sobre o sexo vive em função das táticas de poder que são imanentes.
Dentre os problemas nossa sociedade carrega o sexo como um que pode ser surpreendido, interrogado, contraído e volúvel ao mesmo tempo que foi um dia capturado por um mecanismo feérico invisível que faz o prazer se misturar ao involuntário.
Vivemos presos a uma curiosidade sobre o sexo, obstinado e insaciável como se fosse essencial o jogo sutil que passa de um para o outro.
A questão sobre o que somos foram acorrentadas ao sexo historia, sexo significação e ao sexo discurso. Colocamos nos o signo do sexo em uma lógica maior que a da física, não devemos nos enganar sobre as grandes oposições binárias que se referem ao sexo como uma mecânica sem razão e nem tanto anexar o sexo ao campo da racionalidade.
Cabe nos saber o que tão maravilhoso é ter poder e com respeito ao sexo ser um sultão imprudente.
É preciso fazer historia dessa vontade de verdade e saber que há séculos que o sexo brilha. Sexo: historia de obstinação e tenacidade.
A grande sacada do texto de Foucault é que ele diz que não há repressão, mas sim uma pseudo libertação de falar sobre o sexo, mas que essa libertação era uma maneira de proibição.
Você pode falar de sexo, desde que seja na confissão é um puro exemplo dessa manipulação, segundo o autor, falar sobre sexo é livre, mas também é algo promiscuo e ridículo, portanto a ideologia que predomina é abalar a moral da sexualidade de modo que falar abertamente sobre isso seja algo tão irrelevante e insignificante que ninguém fala.
Me parece que pra Foucault essa manipulação foi algo meio que proposital, pois é uma necessidade fisiológica com fim de reprodução e que se manipulado se torna possível abalar muito mais que meramente o homem, mas domina-se também a natureza como um todo.
Falar abertamente sobre sexo é permitido, mas de um modo confuso cuja objetivo é confundir quem dele fala, tornando o adversário mais fraco. Exemplo claro dessa situação é quando se fala sobre a homossexualidade e coloca-se o homossexual na posição de “homossexual” e não de humano.
É essa concepção e modo de discursar que comanda a temática da repressão e da dominação especifica formada pela relação de poder e determinando os instrumentos que analisa.
impor estigmas negativos ou relacionar negativamente, criar uma regra que reduz o tema e o submete a uma relação binária, colocar regimes de interdição em que o organismo não deve ser aproximar do outro da categoria determinada, suscitar uma lógica de censura e gerar um dispositivo de unidade em que categoriza como licito ou ilícito.
E por isso todos os modos de dominação, submissão e sujeição se reduzem ao efeito de obediência.
Se aceita facilmente essa ideologia porque é através dela que a elisão de tudo que poderia constituir uma eficácia produtiva dos mecanismos de poder sutis e delicados e a razão geral é apenas tática que se impõe a si mesma, ou seja, poder é tolerável. Poder como puro limite À liberdade.
Apesar das diferenças entre os tempos a representação do poder permanece marcada pela historia.
O poder é sempre discursivo e está ligado sempre a soberania é desta imagem que devemos nos libertar.
Essa historia de sexualidade é a historia das relações de poder entre o poder e o discurso sobre sexo.
Portanto analisar a formação de um tipo de saber sobre sexo não tem termo de repressão, mas de poder que induz os a vários mal entendimentos sobre a sua identidade, forma e unidade.
Poder não é um conjunto de instituições e aparelhos que garantem um status quo, nem violência etc, mas como a multiplicidade de correlações de forças imanentes ao domínio.
O poder está em toda parte porque provem de todos os lugares encadeados que se apóia uns nos outros e que mantém relação de troca, portanto poder não é instituição, mas o nome dado a uma estratégia complexa numa sociedade determinada.
Poder não é algo adquirido, mas vem de inúmeros pontos em meio as relações, não se encontra em posição exterior aos outros tipos de relação, mas lhe são imanentes, vem de baixo, sempre de uma relação binária onde há dualidade que repercuta sobre os grupos sociais, são ao mesmo tempo intencionais e não subjetivas, não encontra relação exterior ao poder porque estará sempre no poder.
Em linhas gerais ao invés de referir todas as violências infinitésimas que exercem sobre o sexo, todos os olhares a forma única de grande poder trata se de imergir a produção exuberante dos discursos sobre o sexo no campo das relações de poder múltiplas e móveis.
O que nos leva a colocar quatro regras a de imanência que não considera que existe um certo domínio da sexualidade, mas sobre as exigências de poder, econômica ideológica, regra de variações continuas busca esquematizar as modificações que a correlação de força implica, a regra do duplo condicionamento onde nenhum foco local poderia funcionar se através de uma serie de encadeamentos não se inserisse e a regra da polivalencia tática dos discursos que diz que o sexo não deve ser analisado como simples projeção.
Não devemos descrever a sexualidade como ímpeto rebelde, mas como um ponto de passagem particularmente denso pelas relações de poder, nas relações de poder a sexualidade é um elemento dotado de muita instrumentalidade que pode servir de ponto de apoio das mais variadas estratégias que não é única nem global, mas múltipla e sem redução.
Parece possível distinguir a partir do século xviii os conjuntos estratégicos de saber e poder sobre o sexo
Histerização do corpo da mulher, pedagogia do sexo da criança, concilialização das condutas de procriação e psiaquiatrização do prazer perverso. Essas estratégias trata se da própria produção da sexualidade. Não se deve concebê-la como uma espécie de dado da natureza, mas a sexualidade é o nome dum dispositivo histórico referente a intensificação dos prazeres, incitação ao discurso e a formação de conhecimentos que deu lugar a um dispositivo de alianças em toda sociedade para manter as leis que a regem servindo como forma de controle.
O dispositivo da sexualidade tem como objetivo proliferar de maneira cada vez mais intensa e detalhada forma de controle da população global.
A sexualidade não substituí a aliança,mas a recobre e detalhe, historicamente a sexualidade se utilizou da aliança para se instalar, pois a sexualidade brota duma forma de poder pautada na aliança e desde entao não parou de funcionar.

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