Na década de 60 surgiu à crise da psicologia social brasileira, Pois se questionava conceitos teóricos e metodológicos e a psicologia passava a firmar a busca por relevância social. (RODRIGUES, 1979, CITADO PELO AUTOR).
Estudava princípios como individualismo, experimentalismo, etnocentrismo, utilitarismo, cognitivismo e a negativa do poder dos agentes históricos (a-historicismo). (KRUGER, 1986, CITADO PELO AUTOR).
A crise da psicologia social e dos serviços de saúde foi responsável pela psicologia comunitária ter aparecido.
Na época os psicólogos encontraram dificuldades porque se formavam muitos psicólogos e as universidades privadas cresciam demasiadamente e a área se limitava a clinica em formação psicanalítica que atendia uma pequena parcela privilegiada da população que restituía o terapeuta com pagamentos, pois a clinica psicanalítica é muito dispendiosa.
Em um país preso ao capitalismo que submetia a massa ao trabalho assalariado levou a crise dessa atuação profissional.
A crise se deu porque a profissão era predominantemente feminina, em uma sociedade machista levou a crise, porque desvalorizava a classe, a atuação da maioria dos profissionais era na clinica, isso isolava a classe como categoria profissional, então, a busca por uma saída dessa crise, permitiu o surgimento de formas alternativas de se abordar a saúde psicológica. (VASCONCELLOS, 1985, CITADO PELO AUTOR, 2012.)
A psicologia no Brasil em 1962 passou a ter como campo a psicologia clinica, do trabalho e da escola, mesmo assim, nessa década, percebemos o desenvolvimento de outra área a comunitária.
Os primeiros sinais dessa psicologia podem ser reportados a estudantes da PUC-SP na década de 60, pois já refletiam sobre a psicologia elitista que se voltava ao atendimento de privilegiada.
A expressão psicologia comunitária surgiu na Inglaterra e nos Estados Unidos para se referir a uma psicologia em reação aos contornos das tradicionais psicologias.
Comunitária é uma expressão da preocupação com uma nova temática, o social. Social entendido não como lugar onde os comportamentos ocorrem, mas um espaço onde aspectos culturais, econômicos e históricos são importantes para entender o homem e sua relação com a sociedade.
Práticas da psicologia comunitária incomodou a neutralidade para constituição dos saberes psicológicos, em contraposição a esse fundamento o psicólogo comunitário negou o neutralismo e considerou a ciência resultada de uma construção social e histórica.
O termo comunitário foi introduzido no campo da clinica com objetivo de humanizar o tratamento do doente mental, depois o uso visava adequação de uma parcela a projetos culturais e econômicos.
Nos primeiros momentos era voltada para integração social, mas a partir de uma revisão critica, conduziu a um referencial marxista consolidando-se como uma pratica não elitista que visava transformação social, política e econômica de uma população alijada dos processos democráticos, onde a comunidade faz parte de uma reflexão critica do papel social das ciências e do paradigma da neutralidade cientifica.
O conceito de comunitário passou a ser usado no contexto da clinica e das instituições e não mais a um trabalho individualista, comunitária passou a ser sinônimo dos grupos excluídos da sociedade que com trabalho de conscientização.
Outro sentido foi o de caridade e benevolência. Para Andery (2008) citado pelo autor, a psicologia comunitária seria aplicada nos bairros e instancias populares com maior intensidade e frequência do que os psicólogos faziam. A partir daí o psicólogo passou a ser um repressor, mas contra o controle do estado.
Silvia Lane levou a psicologia comunitária a estimular a reflexão, o confronto e a conscientização, mas fundamentalmente a decisão e ações conjuntas (LANE, 1992, CITADO PELO AUTOR).
A psicologia comunitária expressou uma preocupação com a busca de uma psicologia voltada para a realidade pobre de um continente, levou o psicólogo a refletir sobre sua responsabilidade social e política, afastando-o completamente da pesquisa neutra baseada no modelo empírico analítico.
Arendt (1997) citado pelo autor (2012), não nega os ganhos da análise psicológica como reflexão histórica, social e política, nem prega um retorno ao neutralismo, mas chama a atenção para perda do objeto da psicologia comunitária ao deixar de lado o olhar psicológico que diferencia suas práticas dos seus pares das ciências sociais.
Isso é duplo reducionismo, primeiro redução do psicológico ao histórico, antropológico, político, educacional entre outros e depois se a psicologia tem objeto os processos cognitivos, mentais, comportamentais, entre outros, deveriam independentemente das diferenças de objeto, formular problemas psicológicos.
Nomear o campo da psicologia social ou mais especificamente psicologia comunitária como subárea da psicologia na qual teríamos espaço para o aspecto social, traz um problema, ou seja, as outras áreas da psicologia não precisariam apresentar no desenvolvimento de suas pesquisas, nenhuma relação com essas temáticas. (parágrafo preservado do artigo, original).
A necessidade de defini-la deve-se não apenas a nossa preocupação em discutir essa prática da psicologia social, mas em saber como os psicólogos se aproximaram de um campo, pois essa foi uma das marcas daqueles que estiveram engajados em um processo de transformação social e político.
Segundo Lane, citada pelo autor, grande parte dos trabalhos em psicologia comunitários desenvolvidos na America Latina, há ênfase na busca de conscientização e da autonomia da comunidade.
No Brasil havia predomínio de psicologia social de base experimental que segundo o autor, desconsiderava aspectos históricos e sociais, apesar desse predomínio, já havia no Brasil resistência a essa perspectiva.
No fim dos anos 80 a psicologia comunitária era legitimamente brasileira, havia uma quantidade expressiva de psicólogos em comunidades atuando. Nos anos 90 a psicologia comunitária estava disseminada.
A psicologia comunitária permitiu uma superação dos modelos tradicionais dos espaços fechados e propiciou diferentes maneiras de atuação do psicólogo. Os psicólogos não se preocupavam em dar nomes as intervenções que faziam e muitos duvidavam do que aquilo que faziam era intervenção em psicologia, mas o que importa é que expandiram e quebraram o tradicional.

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