Em 2012 agente comemora a regulamentação da psicologia. Comemorar remete a recordar a constituição da psicologia atual, seus anseios e projetos para o futuro. Isso nos faz refletir sobre a construção de conhecimento que se entende por construção histórica e social, engendrado nas relações que se estabelece entre os homens, determinada nas sociedades de classes por interesses antagônicos e a psicologia emerge para entender as contradições inerentes a sua produção no fluxo da historia.
A produção de saberes psicológicos no período colonial e o Brasil está articulado n expansão comercial europeia que avançava no capitalismo. O Brasil estava sob domínio português como ser de exploração e o espolio das riquezas baseava-se no monopólio da metrópole que determinava o que deveria ser produzido. A imensa riqueza obtida e havia necessidade de garantir isso a classe dominante cujo fruto era a vida de luxo e opulência.
A organização colonial exigia um forte aparato repressivo, um sólido aparto de ordem ideológica com a finalidade de transmitir, impor e manter as ideologias que justificavam e legitimavam a exploração.
Muitos jesuítas ocuparam-se de produzir e difundir conhecimentos que tinham como função organizar e manter a empresa colonial. Vieram com o processo catequético que tem sido expressado como a pedagogia do medo baseada nos castigos e na disciplina, além do controle moral. Pedagogia que se baseava no desapreço pela carne e pelas necessidades físicas.
Os jesuítas compareceram na condição de educadores, como protagonistas da difusão de conhecimento. Muitos destes foram indubitavelmente ideólogos privilegiados da metrópole portuguesa. Que tinham como preocupação a disposição para o trabalho e com aculturação indígena.
Estudos de Berenchtein Neto (2012 apud autora 2012) mostram que o suicídio na colônia era de escravos que encontravam na morte voluntária a possibilidade de fuga das condições desumanas de vida a eles impostas.
Entretanto, havia jesuítas que assumiam outras tendências e que defenderam concepções políticas e teóricas de outros interesses, mas a exceção só confirma a regra.
Contradições podem ser vistas documentalmente falando em estudos de Massimi (1997, 1990 apud autora 20120), contradições que emergiam de pessoas próximas à coroa.
Mas isso só remete as relações de exploração da colônia . os saberes psicológicos compõem-se de ideias que dão sustentabilidade a empresa colonial. Claro que saberes psicológicos nessa época eram ligados a educação que visava controlar uma colônia, esses saberes não eram totalmente psicológico, mas estudos De Massimi, mostram que havia sim certas praticas que hoje chamaríamos de psicológicas.
Pode-se dizer que o entendimento dessas contradições do processo de colonização é fundamental para a compreensão das contradições dos saberes psicológicos que essas são fundamentais para apreensão da historia da psicologia no Brasil.
Com o fim da condição colonial houve a necessidade de formação de quadros para o aparto repressivo e administrativo e para isso era necessário educação.
Portanto, o saber psicológico ficou a cargo de médicos e pedagogos num momento de incremento do processo de urbanização caracterizado pela precariedade das condições de saneamento que produzia graves problemas de saúde num problema de ordem social gravíssimo.
Entao, as elites letradas se referiam ao menos privilegiados como imundices, leprosos, loucos, prostitutas, mendigos, vadios, crianças abandonadas e alcoólatras. Foi nessa situação que emergiu a medicina social, mais preocupada com a saúde do que com a doença. Atribuindo aos excluídos os problemas e propondo a exclusão social como proposta de eliminação desse problema.
Devemos enfatizar, que antes o problema estava nos indígenas, mas estes, não se curvaram diante da exploração imposta pela empresa colonial, porque podia resistir fortemente, estavam em solo nativo, dentro de suas culturas e utilizando sua linguagem, mas os negros estavam a mercê da tirania escravocrata, pois eram tirado de sua terra, abdicavam de sua cultura por imposição e não podiam se comunicar.
Isso somado a ideias racistas de supremacia étnica dos exploradores resultou na formação social brasileira.
Coube ao pensamento cientifico resolver esse problema, mas uma questão importante era que esse movimento cientifico era composta de médicos elitistas filhos do patriciado que estudavam fora, por isso a construção da psicologia brasileira deve ser visto como saber fruto de intercâmbio com outras nações.
O avanço na Europa decorrentes do capitalismo avançado gerou desafios e necessidades de respostas e por isso precisava-se de praticas que auxiliassem no controle da conduta humana.
Deve-se lembra que a ideologia burguesa tinha no individuo o fundamento de uma sociedade baseada na propriedade privada impondo a necessidade de compreender o homem sob essa ótica, por isso precisavam justificar e legitimar uma sociedade que afirmava a igualdade de direitos e modalidade social que explicasse a desigualdade e exploração de uma classe sobre a outra, a divisão social do trabalho e do avanço, além da especialização do conhecimento.
Essas condições foram fundamentais para ampliar a produção dos saberes psicológicos no Brasil. As faculdades de medicina, foram uma entre as instituições que fomentaram a produção de saberes psicológicos no Brasil. Muitos destes representantes assumiram uma função de controle social, nomartização e higiene social, defendendo posições explicitamente a favor da exclusão, reclusão dos indesejáveis defendendo interesses das camadas dominantes e seus interesses.
Neste período já era profícua a produção da ciência psicológica na Europa e surgiam varias perspectivas teóricas que ampliavam-se nas possibilidades de intervenção. Nessa época dominada pelo interesse político e capital os movimentos das camadas sociais revelam descontentamento e a necessidade de transformação da ordem social. Os populares foram enfrentados por esquemas de repressão, mas isso não impediu a penetração de ideias anarquistas e anarcossindicalistas e socialistas. A crítica ao Brasil agrário e ao atraso econômico formou a base para o projeto de um Brasil moderno a altura do século.
Os movimentos gestados nas primeiras décadas do sec 20 culminaram no golpe militar de 30 e essas mudanças geraram amplo descontentamento na sociedade brasileira, esse movimento sagrou vitorioso e excluiu as camadas populares, pois seus representantes eram intelectuais e militares da classe dominante, além de industriais emergentes. Esse novo cenário exigia novos conhecimentos e praticas e usou a educação como instrumento de conformismo do novo trabalhador, afeito as necessidades industriais.
Depois veio a regulamentação da psicologia, mas em seguida houve o golpe militar que abriu e promoveu a abertura do ensino no país, deu margem a iniciativa privada para ampliação da educação, mas educação de baixo nível que na verdade reprimiu e impediu os movimentos estudantis e docentes de ser oposição.
A proliferação de instituições privadas de educação foi uma das consequências dessa reforma, muitas criadas em condições acadêmicas precárias com uma vocação mercantilista.
Foi nessas condições que a psicologia logrou-se, buscando respostas para problemas sociais inicialmente no interior dos campos tradicionais e depois se implantando em novas modalidades, em outras palavras a psicologia passou a se preocupar com a maioria da população e seus problemas sociais, tendo em vista a transformação da sociedade.
A psicologia expandiu se em qualidade quando a pós graduação começou a produzir melhoras na formação, embora ainda de forma desigual.

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