Arte e ciência são formas de conhecimento que interagem e se integram e que muitas vezes se excluem, mas mostram o momento histórico, social e cultural de diferentes civilizações.
A autora para contextualizar dá ênfase ao Renascimento, pois nesse momento houveram muitas mudanças estruturais introduzidas pelos novos paradigmas da estética no conhecimento social.
Nessa época houve um processo de transformações oriundos da expansão e acumulação do capital e entram em cena classes e a representatividade do interesse comercial dominante. O termo renascer não significa tornar a nascer, mas dar um novo sentido, reinterpretando a antiguidade social e mostrar as novas perspectivas culturais do momento.
O uso da perspectiva como técnica pictórica aparecia junto da ideia de representação do mundo exterior de modo objetivo. A noção de perspectiva e seu uso técnico cientifico conduziram também a ideia de pontos distantes e acontecimentos que antes eram impossíveis de serem alcançados.
A burguesia alia-se a nobreza construindo o poder absolutista terminando de vez o feudalismo cavaleresco, as empresas manufatureiras impõem-se em relação as coorporativas de ofícios artesanais, o primeiro banco nasce em Florença e os custos e lucros são calculados não permitindo haver desperdícios e são afastados as formas de coerção econômica existentes no feudalismo.
O trabalho é valorizado e deixado aos poucos de ser considerado degradante ou desonroso pela aristocracia dominante. As obras de arte e os trabalhos técnicos científicos são assinados como produtos de um dado individuo, a noção de individuo se predomina sobre a de pessoa e a noção de pessoa implica na ideia de que o homem é definido em função de um lugar na família, na comunidade e na organização societária.
A consciência do individuo no mundo social, a noção de pontos distantes são fenômenos novos associados a uma nova forma de produção econômica, artística e cientifica. Todos esses fenômenos são encontrados nas artes onde na musica por exemplo o a capella se diminui onde atribui-se a uma voz se sobrepondo sobre as outras (cantus firmus).
No teatro a concepção de individuo revela-se principalmente em Shakespeare em que o personagem representa um indivíduo único, insubstituível e o seu conflito interior é especifico e vivido por um determinado individuo. Na magia natural que se opunha as formas populares (mau olhados e bruxarias que revelam os conflitos sociais existentes no interior de um grupo). E a magia natural passa a ser dos sábios eleitos buscando legitimidade na filosofia do neoplatonismo e em uma estética construída por sábios místicos, eclesiásticos místicos e universitários da picatrix.
Assim a magia e a filosofia renascentistas introduziram e reinterpretaram os antigos conhecimentos trazidos pelos gnósticos, árabes, egípcios, hebreus e construíram um imaginário sobre o universo conhecido.
Posteriormente surgiu com Lullia as combinações matemáticas para traduzir elementos cósmicos e esse uso matemático foi amplamente utilizado nas obras de da Vinci, sendo assim, podemos perceber nitidamente nas artes certas características do tempo e da sociedade.
É interessante como tivemos a alquimia, magia natural, astrologia, enfim, a revolução Copérnica entre outros fatores que quando bem analisados mostram claramente o contexto do tempo e espaço em que foi construído e por isso torna arte e ciência dois corpos complementares de faze conhecimento..

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