Podemos identificar três momentos psicológicos no étnico raciais no Brasil. XIX e XX com a consolidação do modelo médico e exclusão social negra que era taxada como perigosa. Depois o período de 1930 até 1950 com categorizado com a inserção da psicologia no ensino superior r pelo debate sobre a construção sociocultural das diferenças e depois em 1990 os estudos críticos do legado social étnico racial de maneira critica.
A constituição brasileira veio do fluxo migratório ligado aos processos de colonização, então no século XX o tema étnico racial adquire importância capital para um Brasil que acabara de se tornar livre dos portugueses e que se encontrava diante de um grande desafio que era se tornar uma nação moderna e com projeto unitário político, social e cultural. (Massimi 2007 citado pelos autores).
A psicologia foi um saber chamado para auxiliar a solucionar problemas ligados á saúde, educação e organização do trabalho, por isso, foi amplamente associada à medicina e educação. Segundo Antunes (1998) citado pelos autores, as teses associava características étnicos raciais e tipos de caráter a certos tipos de doenças mentais e esses trabalhos ganharam forte evidencia por conta da ascendência que a impressa tinha na época, então, no final do século XIX esses trabalhos geraram frutos atribuindo os problemas a presença de mestiços e negros na sociedade brasileira. Raimundo Nina Rodrigues, médico desenvolveu um trabalho que joga todas as responsabilidades sobre a miscigenação, atribuindo o retrocesso à inserção negra.
A progressiva penetração de teorias cientificas na cultura brasileira associou-se fortemente as formas de interpretação das relações étnico raciais, nesse período, os negros e mestiços recebiam mais diagnósticos a doenças infecciosas e eram mais acometidos as doenças como esquizofrenia e psicose maníaco depressivo.
Na década de 30 o debate sobre nação e raça se intensificou, então, estudiosos como Donald Pierson trouxe de Chicago conceitos de psicologia social americanizado e inaugura o pensamento social focado nos problemas sociais e na reparação.
Roger Bastide e Florestan Fernandes coordenaram uma pesquisa de Virginia Leone Bicudo que mostrava que o preconceito se manifestava a medida que o negro ia ascendendo socialmente. Ela realizava analises sociais em pesquisas iniciais americanas fazer frente ao evolucionismo social e ao determinismo biológico investigando as motivações psicossociais de hostilidade.
Essa interface entre sociologia e psicologia ganha mais evidencia no final dos anos 40 com eco causado pelo holocausto.
Em 1950 Aniela Ginsberg estuda grupos sob diversos aspectos com objetivo de compara-los com a preocupação de detectar as especificidades raciais, culturais e nacionais questionando a universalidade dos saber psicológico.
Em 1953 Otto Klinenberg sustenta que as diferenças encontradas nos estudos comparativos acima se devem a variáveis externas e não a internas, os determinantes do meio geram as diferenças e as particularidades. (Azevendo 2001 citado pelos autores).
Dante Moreira Leite em (1950) diz que na percepção do comportamento de uma pessoa interferem os sentimentos negativos e positivos que tem relação com essa pessoa. Quando a percepção é deformada por conceitos pré existentes e que serve para reforça-los ocorre a permanecia do preconceito. (Graciano 1976, citado por Paiva 2000 citado pelos autores).
Esses estudos, principalmente de Virginia Leone Bicudo, Aniela Ginsberg e Dante Moreira Leite, explicam as diferenças entre raças através de fatores ambientais e combatem duramente a noção de que existem determinantes genéticos subjacentes a essas diferenças.
Criticam a mostram que a visão biológica das raças que prevalecia até então, não é fato, mas que a interação dos grupos com a sociedade que tornam as diferenças em desigualdades.
Em 1990 o pensamento de Jurandir da Costa Freire com a noção de branqueamento mostrou como no Brasil uma ideologia racial não preserva os grupos, mas os reinserem, ou seja, são diminuídas as hostilidades, mas porque os negros e os mestiços passam a se apropriar dos comportamentos sociais dos brancos, ou seja, a embranquecer seus traços. (Consta 2007 citado pelos autores).
Maria Aparecida Bento (2002) citada pelos autores diz que esse branqueamento é um processo político e psicológico das elites brasileiras do crescimento da população negra e mestiça. Por isso essa ideologia faz com que incorporem um modelo branco de padrões construindo um modelo étnico racial.
Esses estudos de branqueamento foram iniciados nos estados unidos e fez surgir uma nova visão da psicologia social sobre outros radicalizados como a mulher e o feminismo, o gênero e a heterossexualidade e homossexualidade em que a lógica foi tirar o olhar das identidades consideradas a margem da e volta-los para autoconstrução do centro com intuito de ver, revelar e denunciar o conteúdo dessas identidades hegemônicas.

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