A produção do conhecimento proletário silenciou pessoas importantes na formação do partido comunista do Brasil simplesmente porque eram oposição as propostas de esquerda. Na época o PCB era o personagem central contra as políticas oligárquicas estaduais e o varguismo.
Era uma ‘guerra’ entre stalinistas e trotskistas e isso dificultava ainda mais a complexidade da práxis política que se projetava no campo teórico. Nessa área o PC era o centro porque era organizado e por isso quem não fazia parte dele era dissidente e o artigo 13 do estatuto do partido marginalizava quem não obedecesse suas regras e isso fazia com que mesmo os opositores internos ‘direita’ da esquerda ou saíssem do partido e ideologicamente pareciam abandonar a causa que era representada pelo partido ou agisse de modo clandestino dentro do próprio PCB.
Quem era parte do PC era ao menos mais legitimo e quem não era fazia parte de um tipo de usurpação da revolução proletária. Os próprios esquerdistas não concordavam, uns mais stalinistas outros mais trotskistas. O Marxismo é uma disciplina que cada pessoa que lê entende de uma maneira e por isso há tantas divergências, ainda nesse sentido enfatizamos as dissidências mais claras que são as ligadas a Stalin e Trotski. Os interlocutores entendem e não entendem a mesma coisa nas mesmas palavras.
A política é algo que tem racionalidade própria e racionalidade do desentendimento por isso se torna um objeto escandaloso. Conforme aponta Jacques Ranciere citado pelos autores.
O PCB censurava e criticava muitos membros; a direção tornava-se cada vez mais intolerante reproduzindo os ideais Stalinistas – Lenistas internacionais, fazendo seus opositores se tornarem clandestinos. Os camaradas opositores já eram perseguidos pela policia e precisavam fugir dos correligionários, viviam como se fosse em guetos, sendo colocados em suspeita por seus próprios camaradas. Aqueles Trotskistas que ficaram no partido se sujeitaram a humilhações e flagelações.
Eles ficavam apenas por aspirarem conseguir levar o partido ao marxismo lenista da qual o mesmo se desviava para tal utilizavam o fracionismo, ou seja, se apresentava como uma fração do PC.
A adesão de Carlos Prestes ao PC pareceu com uma intentona de reconduzir o partido à ortodoxia bolchevista lenista. Os opositores ainda não eram tratados com Trotskistas, mas como opositores. Os primeiros ataques dos stalinistas contra os trotskistas refletiam as preocupações da direção do PCB em acatar a ordem da Internacional Comunista conduzida por Stalin em que desejavam forçar a entrada de camponeses e proletários na liderança do partido, fazendo assim a política do obreirismo.
Este processo serviu para atrelar definitivamente o PCB dos ditames oriundos da Internacional. O obreirismo stalinista ancoravam-se no repúdio às alianças com pequenos burgueses do partido democrático (partido dos escontentes). Que forçava a identificação com os trotskistas.
Por repudiar alianças com os pequenos burgueses ou ‘especialistas’ os stalinistas cometiam muitos erros e excessos e por isso recebiam criticas contundentes da oposição que atacava fundamentalmente a direção nacional do partido e por isso consideravam autênticos comunistas bochevistas lenistas. A polêmica travada entre comunistas que aceitavam as determinações do partido sem discutir e aqueles que consideravam os rumos de Stalin uma traição a revolta proletária se intensificaram e ocuparam os corações e mentes dos militantes.
Aqueles que abandonavam o partido acabavam esquecidos e restava apenas o ostracismo a menos que aderissem aos reformistas ou filiassem a partidos burgueses isso os fazia ao menos moralmente abandonar a causa dos revolucionários, mas isso foi uma tática.
Embora leal devotos da causa revolucionaria os trotskistas não se identificavam com a intentona internacional e considerava exemplo de traição aos princípios bolchevistas-lenistas e portanto, ao proletariado.

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