A pós no Brasil cresceu muito em 1962 eram 38 cursos, já em 2011 eram 4747. Isso é parte do incentivo político de construção de uma nação desenvolvida e independente e no contexto da industrialização surge à necessidade de formação.
O aumento de pesquisas é evidenciado pelo numero de publicações, cursos etc. Esse aumento pode ser visto como desenvolvimento e progresso, mas ultrapassaremos esse formato de analise e focaremos sobre a tensão que emerge do ato de pesquisar e sobre os efeitos das pesquisas. Vamos focar sobre a transformação da realidade e as implicações éticas do pesquisador com esse processo.
Elaborar novas perguntas para o campo de produção de conhecimento nos convida a pensar sobre o solo epistemológico e paradigmático que habitamos. Se somos pesquisadores éticos colocamos em cheque as noções de neutralidade, essencialismo, verdade universal, gênese, conhecimento a priori, hierarquia sujeito objeto. Analisamos sob a perspectiva política de não aceitar hegemonias simplesmente por estarem naturalizadas.
Colocar em cheque o modelo Kantiano de modo de construir conhecimento, propondo o processo de conhecimento configurado como em linhas moveis, de visibilidade e de enunciação invertendo a ideia de lógica demarcada. (Latour 1994 citado pelos autores). A proposta consiste em romper ou contestar a proposta de ciência moderna o conhecimento se dá a partir de uma lógica binária na qual um objeto é aprendido, reconhecido, descrito e inserido em uma categoria definida a priori que exclui o que não é categorizado. Latour 1994 citado pelos autores, propõe que o que está no meio da relação binária explica as extremidades ocupadas por objetos e sujeitos, entende que quando começamos a investigação pelo meio as extremidades se esvaziam, outros tipos de demarcação nesse sentido, invertendo a lógica do projeto da modernidade. (Kastrup, 2007 citado pelos autores).
O ato de pesquisar implica na desconstrução da pratica moderna de categorizar por exclusão da diferença, não se restringindo ao a priori Kantiano, implica em lançar para o campo da experiência, do devir e da inventividade os rumos e os efeitos da pesquisa.
Dessa forma a pesquisa e a produção do conhecimento não estariam no campo da representação de objetos por sujeitos pesquisadores, mas para o campo do processo. O conhecimento como resultado histórico e pontual de condições que não são da ordem do conhecimento (Barros, 2007 citado pelos autores).
Nossa aposta está em pesquisar como praticas políticas, rompendo com paradigmas da ciência moderna inscrevendo novas possibilidades.
Não entendemos que o sujeito e objeto sejam essências fixas e estruturadas, mas constituição do sujeito produzido por efeito de construções sociais localizadas historicamente em suas relações com o mundo e por suas experiências atravessadas por diversos elementos. O sujeito não existe como essência, mas como processo de sentir, desejar, experimentar, produzir e etc. (Kastrup 2009 citado pelos autores)
Não entendemos que haja uma neutralidade do pesquisador na medida que há escolhas com relação ao objeto de estudo, ao método de pesquisa e ao campo da atuação, analises formuladas por referenciais teóricos como solo para problematização. O pesquisador não é o detentor de saber que iluminará uma parte obscura do objeto ou que revela o conhecimento verdadeiro. (Kastrup 2009 citado pelos autores).
O pesquisador precisa colocar em analise suas implicações com o processo de pesquisa, cujo projeto político inclui transformar a sua realidade e a realidade social do seu lugar.
O pesquisador deve se retirar do confortável lugar de neutralidade axiológica para lança-lo em um conjunto múltiplo de condições da pesquisa o qual lhe trará embates e desafios devido a analise de suas posições políticas.
Os pesquisadores não são neutros, mas sujeitos mergulhados no mundo, atravessados por sua história e seu presente, envolvidos com efeitos de sua produção de conhecimento no mundo. Produzir conhecimento se trata de transformar para conhecer e não conhecer para transformar a realidade. (Barros 2009 citado pelos autores).
O saber é a combinação dos visíveis e dizíveis de um estrato, não havendo nada antes dele, nada por debaixo dele. Não há coleta de dados, mas produção de dados de pesquisa. (Kastrup 2009 citado pelos autores).
Sujeito e mundo são processos produtivos, na cabe falar de divisão entre pesquisador e objeto. Ato de pesquisar produz efeitos em pelo menos quatro níveis: no pesquisador, no processo estudado, na questão da pesquisa e no campo do conhecimento. (Kastrup, 2008 citado pelos autores).
Podemos trazer o conceito de transversalidade para operar na produção de efeitos, rompendo talvez com a horizontalidade que equaliza as coisas. Assim entender que pensar sobre a produção de efeito é escapar dos universalismos e das verdades absolutas que trazem o paradigma de pesquisador que desvenda.

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