Em 1988, fundou-se a previdência, saúde e assistência que chama-se de seguridade social democrata para toda sociedade, inclusive para os não segurados. Esse padrão de igualdade muda a concepção anterior que era clientelista, particularista e assistencialista que fazia quem recebe sentir-se como se devesse favor. (Cunha; Cunha, 2002, p. 17 apud autora). Essa antiga concepção era inoperante para o combate da exclusão e por issoo surgiu o ECA, depois LOAS, propiciando e repudiando a proposta antiga e consolidando a nova garantindo a todos que necessitem promovendo cidadania aos excluídos.
Depois surgiu com força o SUAS descentralizando ações participativas. Do SUAS veio PSB e PSE sustentando ações que previnem situações de riscos fortalecendo laços afetivos e familiares, garantindo ao sujeito acesso aos direitos sócio assistencialistas e o PSE destinado aos indivíduos cujo direitos haviam sido violados intervindo em casos de risco e disso surgiram diversos serviços. Não podemos esquecer que as ações do SUAS baseiam-se na matricialidade sociofamiliar.
O SUAS é apenas um ponto dentro da complexidade de mudanças que propõe, tem muitas indeterminações sustentadas por políticas. “tudo é política, mas toda política é ao mesmo tempo macropolítica e micropolíticia”. (Deleuze; Guattary, p. 6, apud autores, 2012, p. 122). Não devemos levar em conta o tamanho do modelo, mas o funcionamento. Macropolítica sobrecodifica, segmenta o movimento da vida e a micropolítica opera para fluir, insiste no que escapa a sobrecodificação, a macropolítica organiza e administra a vida de modo homogêneo e instituído, enquanto a micropolítica atua invisivelmente para oprimir.
As instituições misturam elementos das duas naturezas, o SUAS se faz na articulação entre a micro e a macropolítica, se sustenta em meio a dimensão da micro enquanto a macro determina as normas de funções, além de administrar, a micropolítica referencia, captura e produz soluções pontuais.
O SUAS necessita de psicólogos, mas não exclusivamente deste profissional e sim de transdisciplinaridade, além de saberes populares. Falando em disciplinaridade, acentua-se a necessidade de mobilidade do psicólogo para campos mais práticos. O SUAS precisa de profissionais que consigam criar zonas de indagações buscando desestabilizações que possam conduzir a saídas inventivas e coletivas. Além de perseguir posturas ético-políticas evitando julgamento depreciativos dos usuários do SUAS.
Fazendo breve análise entre o SUAS e a formação em psicologia mostra claramente a relação entre os jogos de interesses institucionais onde apenas se reproduz o estabelecido e do que aponta para construção de novas práticas cotidianas.
Nas instituições encontramos a gênese prática associada aos movimentos e fatos sociais concretos, ressaltemos que a gênese teórica não precede a gênese social, ambas coexistem processualmente. Os autores citam indiretamente Louau (2004ª) escrevendo que é inviável realizar uma leitura apolítica de qualquer instituição, aplicando essas ideias ao Serviço Único de Assistência Social didática e dialeticamente, podemos desmembra-lo.
SUAS mostra-se como houvesse um único sistema e como se todos os serviços fossem iguais e imutáveis não apresentando diferenças entre eles e abarcando todos os casos e particularidades, mas não é assim. Pois tudo que é instituído possui um propósito e uma função que é reproduzir e conservar um sistema social.

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