A psicologia social emergiu em solo americano e o behaviorismo se tornou hegemônico proporcionando uma compreensão individualizante do social por entender que a psicologia dos indivíduos serviria para entender a sociedade. A psicologia da gestalt com ascensão de Hitler desenvolveu uma psicologia cognitivista experimentalista e a- histórica que distingue individuo e sociedade, Então, a psicologia social se tornou estudo das interações humanas focadas em atitudes e valores que podiam ser positivos ou negativos, além de se focar na necessidade capitalista de entender o funcionamento de grupos como dispositivo de produtividade.
Essa perspectiva cresceu por causa do amplo estudo desenvolvido pelos americanos e pela necessidade das universidades europeias e japonesas serem reconstruídas, mas isso não demorou muito porque os psicólogos latinos americanos começaram a contestar essa perspectiva, pois afirmavam que o modelo americano não condizia com a realidade de seus países. O eco que ficou no Brasil foi o da psicologia social sociológica que primava o compromisso com a população.
Por isso hoje no Brasil vemos a influencia das teorias criticas, da representação social e das teorias das instituições que se distinguem por serem psicológicas e sociológicas. A psicologia social sociológica briga com a perspectiva psicológica, então, questionaremos as implicações políticas, metodológicas e práticas, fundamentando a nossa história.
Antes da instalação dessa perspectiva nos Estados Unidos vemos o surgimento da psicologia social comparativa, baseada em uma perspectiva evolucionista no HandBook of Social Psychology, de Murchison 1935.
Isso revela uma perspectiva sociológica por pensar em uma analítica historia dos fenômenos filogenéticos e na historia social, considerando o social como metodologia multidisciplinar de analise de fatos e fenômenos sociais. (Farr 1998 citado pelo autor). Mas com o decorrer das guerras o behaviorismo venceu por conta do declínio do evolucionismo e pela separação das disciplinas. É interessante observar que a separação entre sujeito e individuo foi uma ferramenta conceituada como grupos focando produtividade.
A vitória do behaviorismo contra a psicologia comparativa e contra o funcionalismo derrotou a perspectiva histórica e emergiu como uma a- histórica que se fundamenta na busca das leis gerais que regem a interações sociais, então, a visão de que pesquisas servem para depurar as possíveis variáveis por meio do “ex-post facto ” e experimentais tornaram se hegemônicos.
F. H. Allport (1924) citado pelo autor fundamenta a psicologia como ciência comportamental e experimental em que não seria ciência do espírito como pra Wundt, mas uma ciência natural, portanto, deve se valer de formas analíticas oriundas do naturalismo.
Foucault (1999) citado pelo autor di que há nos behaviorista, cognitivistas e sociais uma vontade de buscar a natureza e essências depuradas do homem por meio de experimentos que retiram sua história. Mais tarde apenas, surge a compreensão do homem como sujeito histórico como oposição a subjetividade naturalizadas pelas psicologias que se declaram provindas das ciências naturais.
Fo Wundt quem deu base as duas perspectivas, tanto a das ciências naturais quanto a do espíritos essa dicotomia fundamenta duas perspectivas com objetos e métodos diferentes, já que uma era experimental por meio da introspecção e outra uma analise de religiões, mitos e produtos culturais, Wundt separou porque acreditava que o psiquismo em suas formas mais profundas não poderiam ser submetidas aos experimentos, mas Wundt foi duramente criticado por Ebbinghaus e Kulpe. (Schultz e Schultz 2001 citados pelo autor).
As criticas positivistas deram origem ao esquecimento da psicologia dos povos, o repudio de Wundt ao positivismo permitiu o fortalecimento de uma perspectiva experimentalista positivista do social apontando uma individualização que se desenvolveu com o behaviorismo e pela troca da filosofia pela biologia. (Farr 1998 citado pelo autor).
Essa forma de ver é uma forma psicológica que individualiza e rebate o aspecto social sobre analise do comportamento. A psicologia social cognitiva embora diferente em referencial teórico tem também consequências políticas e metodológicas em sua individualização de âmbito social.
Hitler teve importância para o desenvolvimento da psicologia social norte americana, pois seu ódio fez intelectuais europeus migrarem para os estados unidos da America. Disso surgiu o confronto entre o behaviorismo positivista e da analise do comportamento e gestalt fenomenológica. (Cartwright 1979 citado pelo autor). Ambas teorias individualizaram o social, ambas se definem como estudo das interações sociais que procuram relacionar fatores ou variáveis dotadas de estabilidade, daí a afirmação de Aroldo Rodrigues de que a psicologia social é uma ciência neutra por buscar relações sociais estáveis. (Bock, Ferreira, Gonçalves e Furtado 2007 citados pelo autor).
A analise das interações sócias se baseia na tentativa de construção teórica das leis sobre o comportamento ou percepção, apostando na ideia de que a psicologia do individuo explica a sociedade. A psicologia americana se preocupou com preocupações sublinhadas socialmente com objetivo de entender o nazismo como exame do papel, da agressividade, das atitudes e etc. (Reich e Adcock 1976, Rodrigues 1979 citados pelo autor).
Segundo Helmut Kruger (1986) citados pelo autor a psicologia social americana tem alguns aspectos: individualismo e preocupação em formular leis psicológicas relativas ao individuo em suas relações sociais, o experimentalismo, a microteorização, o etnocentrismo em que se generaliza teorias americanas em outras culturas, o cognitivismo devido a prevalência dessa perspectiva no behaviorismo e psicanálise e o a- historicismo devido a buscas da formulação teórica de leis generalizáveis para o comportamento do individuo em sociedade em que se essencializa o individuo e sua relação com a sociedade retirando seu componente criador.
A psicologia social americana baseia suas analises em grupos com intuito de melhor adaptar os indivíduos visando o aumento de produtividade em consequência do controle. Isso é um modo de naturalizar o social.
Diferente de Allport em sua analise positivista, Moscovici (2003) citado pelo autor aponta Durkheim como antecessor da psicologia social e mostra a distinção entre representações coletivas e individuais, isso se assemelha a proposta de Wundt. (Moscovici 2003 citado pelo autor).
As representações individuais seriam objeto da psicologia e as coletivas da sociologia. Moscovici está interessado no dinamismo das representações em sua construção da sociedade e das identidades fundadas nessas representações. Para Moscovici as representações surgem de dois processos, a ancoragem e a objetivação. Ancoragem encaixar o desconhecido em categorias pré existentes, isso é sinônimo de classificação e denominação. (Sá 2002 citado pelo autor). Objetivação se fundamenta na construção de imagens naturalizadas que tomam o lugar do desconhecido e assim explicam. Essa teoria foi usada por muitos latinos em suas lutas por psicologia social mais comprometida com problemas de seus respectivos países. Seu uso busca conscientizar os sujeitos que são acometidos as ideologias.
Relações sociais e ideologias diferem, pois as Relações sociais são dinâmicas e as ideologias estáticas, se assemelham, mas a ideologia é uma forma simbólica a serviço de relações de dominação, portanto nem todas as relações sociais são ideológicas, devemos verificar se ela fundamenta ou não uma relação de dominação. (Guareschi 2004 citado pelo autor).
Vemos claramente como é marcante a colonização cultural sofrida pelos povos de nosso continente e com a psicologia social não foi diferente. (Pereira de Sá 2007 citado pelo autor).
Vemos no Brasil uma nova postura a partir do surgimento da psicologia sócio – histórica de Ramos e Bricquet e o fortalecimento a perspectiva norte americana por causa da formação de psicólogos brasileiros nos estados unidos
Criticas vindas da Inglaterra e da frança criaram crises no modelo americano implantado no Brasil em plena ditadura. A psicologia social latina foi a mais feroz critica ao modelo americano, porque esse modelo importado não condiz com a nossa realidade. (Lane 1982 citado pelo autor).
A psicologia social latina deve muito as figuras ditatoriais que haviam em suas fronteiras, já que tanto a repressão da hegemonia norte americana quanto a repressão das ditaturas impuseram a valorização da pessoa. Essa psicologia social teve como influencia marcante Silvia Lane. Enquanto a psicologia social se baseava em uma perspectiva naturalista, experimental neutra a psicologia social brasileira se fundamentava no método do materialismo dialético.
Guareschi (2004) sustenta que o conceito base da psicologia social seria o conceito de relação. Essa afirmação revela uma contraposição a psicologia social americana que busca valores universais que regeriam as interações humanas. Os valores universais estão do lado das naturalizações que sustentam certas relações de poder.
Segundo Guareschi (2004) citado pelo autor, o homem é histórico e suas relações o constroem. O homem é produto e produtor de sua historia. Lane (1981) mostra que a relação estabelecida entre homem e mundo se dá pela mediação simbólica da linguagem, mas quando a palavra tem sentido único e naturalizado se torna arma de poder associada a formas de dominação.
Há ainda a teoria das instituições baseadas em Foucault, Deleuze, Guattari e de autores da analise institucional que se focam no recrudescimento da verdade instaurada em nossas instituições. Essas verdades intermeiam as relações humanas. Podemos notar que o grande problema para essas teorias está relacionado ao recrudescimento das verdades e as naturalizações dos comportamentos apresentados no seio de tanto dessas instituições que intermedeiam nossas relações quanto as instituições que governam nossos comportamentos através de diretrizes.
Foucault pensa que não há verdades gerais, trans – históricas porque os fatos humanos, atos ou palavras não provem de uma natureza, de uma razão que seria origem, nem reflete um objeto ao qual eles remetem. (Foucault citado por Veyne 2008 citado pelo autor 2012).
Através de sua pesquisa Foucault pensou sobre as relações entre as instituições e os modos de existência produzidos por elas. O problema do poder e das instituições se instaura no congelamento de potencial criativo da palavra. Desse modo essa perspectiva sociológica da psicologia social critica veementemente também a noção da neutralidade.
Observamos que todas as psicologias sociais criticas incluem criticas a psicologia social americana por se caracterizarem pela analise das relações e não por uma busca da essência e de leis encontradas nas perspectivas psicológicas. As psicologias sociais brasileiras revelam um comprometimento político, tendo como foco a critica ao positivismo, à assepsia experimental, a-históricidade e a neutralidade do investigador.

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