As autoras começam a obra dizendo que a psicologia está sob suspeita porque enquanto é instrumentalista esquece do sujeito e enquanto antropológica o produz. Essa é uma questão que cientificamente muda tudo, porque muda a concepção que se tem do sujeito.
Psicologia é uma mesclagem de filosofia sem rigor, ética sem exigência e medicina sem controle. Percebam que nessa passagem fica clara uma critica interessante tendo em vista que enquanto ciência da mente a psicologia se mostra demasiadamente sem controle sobre o objeto de estudo, com certa ética pessoal e não abrangente e medicalizante que coloca o sujeito dentro de um livro patologizante.
As autoras citam pesada critica de Canguilhem identificando a psicologia em três projetos; Psicofisica e psicopatologia, ciência da subjetividade no sentido do intimo e interno e a psicologia do comportamento e se apropriam das criticas de Canguilhem aludindo o comportamentalismo por dizer que esse é o único ramo que não mostra claramente seu papel instaurador porque não deixa claro a quem serve e a que serve e porque coloca o homem como instrumento e não como fabricante de instrumento. Canguilhem citado por Heliane e Cristine, deixa claro que psicologia que faz fugir a palavra alma e ri da consciência não concebe o homem com valor diferente do instrumentalismo. A dura critica de Canguilhem citado pelas autoras está no gato de uma ciência tecnista cientifica não contem em si nenhuma ideia reguladora que lhe confira sentido. A meu ver essa afirmação não é valida, pois todas as concepções de ciência tem um sentido extrínseco, embora nem sempre possamos compartilhar da mesma perspectiva. Essa critica de Canguilhem citada pelas autoras coloca a psicologia num dilema entre reflexão filosófica e manipulação comportamental.
Já Foucault não procurou aproximar psicologia e filosofia nem disse ser necessária essa aproximação, mas mostrou que já estariam próximas na modernidade marcadas pelo sono antropológico. Foucault não critica a psicologia como ciência nem diz estar longe da filosofia, mas diz que estão adormecidas pela ideia de sujeito transcendental, a-histórico, matriz imutável que seria base das eventuais transformações.
Nikolas Rosse, partido da ideia de Foucault, apreende as formas pela qual o eu atua como regulador ideal onde as formas de vida não é base eterna da historia e da cultura, mas um artefato histórico-cultural construído nas sociedades modernas como uma entidade natural singular e distinta em que surge a psicologia como conhecimento positivo do individuo em que a disciplina fala apenas a verdade sobre o sujeito.
Segundo Rose, citado pelas autoras, em nossa época as tentativas de unificar condutas tem tido como fundamento a economia sob a forma de modelo racional e a psicologia como forma do modelo de individuo psicológico. Em que a invenção do eu pelas disciplinas PSI que exercem um papel constitutivo de subjetivação em que o modelo de vida estético, espiritual, econômico e financeiro ou estética erótica são saturados com a psi em seus regimes enunciados, então, passamos a ser habilitados a adentrar uma interioridade que escava universo psíquico do humano.
Rose que mapear as formas pelas quais os modos psicológicos das explicações e os sistemas de autoridade elaboram códigos morais que enfatizam um ideal de autonomia para que se tenha autonomia para supera-los e é nesse ponto que se estabelece um link com Foucault, falando de uma tarefa urgente de constituir uma ética do eu, mas o problema se vê situado no ponto em que a relação passa a ser regulada por processos de subjetivação que definem que são os sujeitos e suas essências e como ele deve viver e agir.
Aqui Foucault parece ter revelado o não fatalismo, determinismo, mas um sujeito marcado pela raridade. Entao, evocando Kierkegaard e Foucault a política, a cristandade e a ciências humanas são tentativas de regular relações de si para consigo. Ambos procuram tornar ouvinte-leitor atento para esse processo de constituição, bem como a possibilidade de apropriação e de ação sobre o mesmo.
a psicologia que propomos, se constitui de pratico cuidado com o outro e busca detectar o desespero em vez de ter a pretensão de resolver conflitos e ajustar sujeitos ao que está estampado nas revistas que flagram os habitantes da contemporaneidade. A psicologia desta linha faz com que acreditemos estar cuidando da existência quando permanece atada a reprodução dos modos de ser considerada dentro do modelo do mundo contemporâneo no tocante a qualidade de vida.
Propomos não copiar as fórmulas antigas, mas recuperar o movimento de pensar sobre a própria vida. Rompendo com a busca por prescrições que ensinem a viver pautadas em modelos de felicidade perfeita através de manuais de autoajuda, medicamentos ou terapias e trainnings porque isso só mantém a vigência das regras supostamente universais e tranquilizadoras, mas que são na rela mortíferas para os modos eventualmente singulares, facultativos de subjetivação.
A estética e a ética gregas segundo Foucault e Kierkegaard citado pelas autoras são modelos que não devem ser seguidos, mas exemplos de que é possível recusar modelos conhecidos e inventar facultativamente os próprios.
A psicologia aparece com três temáticas, a psicologia quanto ciência, objeto de estudo e a observação como pratica.
Segundo as autoras a psicologia não é ciência quando trata da abstração conceitual, ma apenas quando se volta aos pormenores da realidade e se volta as experiências de vida. Portanto, o titulo psicologia ciência deve ser empregado apenas quando o termo é usado de modo diferente do habitual. O objeto de estudo da psicologia não deve ser confundido com os interesses da filosofia ou fisiologia, mas sim da variedade da existência concreta do homem, as possibilidades reais em vez da probabilidade e os estados que precedem cada salto e a realidade.
Segundo Kierkegaard apud autoras, o que interessa a psicologia é tudo que existe, tudo que acontece todos os dias contanto que o observador esteja lá pra observar e finalmente a observação seria a forma de atuação.
Referencias
Psicologia ciência e profissão, 2012 – CFP – Vol 1. N especial ano 32 – artigo Psicologia, Filosofia, Encruzilhadas, Experimentações: Caminhos possíveis no Dialogo com Kierkegaard e Foucault pg 276 – Heliana de Barros Conde Rodrigues e Cristine Monteiro Mattar

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