A população brasileira cresce e isso se reflete em cores que expressam as condições de opressão que o branco impôs as outras cores. De seis milhões de negros em 1850 (introduzidos como escravos) na abolição; cinco milhões de que foi se dizimando e mais cinco milhões de estrangeiros até 1950. Nós somos formados a partir da miscigenação dessas populações. Não se sabe ao certo quantos índios havia nessa data, mas estima-se que uns cem mil. (Ribeiro, 1957). Mas uma coisa interessante é que de 1950 a 1990 o numero de indígenas triplicou, Darcy Ribeiro (1995) levanta a hipótese de que talvez tenha sido por conta das políticas de proteção oficial e porque os índios se adaptaram as moléstias dos brancos.

As discrepâncias sociais sobre as cores não se explica apenas pelas confusões censitárias, mas por fatores ecológicos e sociais. A miscigenação foi constituída principalmente porque os homens disputavam terras e mulheres índias e negras. A quantidade de mulheres brancas no auge da exploração era mínima já quase não vinham de Portugal nesse contexto recaiu sobre principalmente a mulher indígena a função de fecundação. Assim explicamos a branquização dos povo brasileiro já que os mestiços de europeu com índio figura como moreno que aos olhos da população são “brancos”.

Por isso é fácil perceber a diminuição do numero de negros no senso. É
presumível que muito negro se tenha classificado como pardo, porque cada pessoa escolheu sua cor ou a de seu grupo doméstico. Tentam colocas o incremento europeu para explicar o aumento de brancos, mas isso não cabe, pois a ocupação europeia iniciou-se tardiamente só por volta de 1880, por tanto essa população não influenciou decisivamente sobre a composição dos brasileiros como é colocado. Esse europeus são parcelas da população a qual foi atrelada a posição de melhores condições de vida que fruíam em relação aos negros e aos pardos, por isso atuou como eco a classificação dos brancos como bem sucedidos.

Os indígenas foram exterminados pelas moléstias introduzidas pelos dominadores e pela condição de opressão a qual foi submetido no nível social Pouco se sabe com respeito aos negros, mas é admissível uma ação igualmente deletéria dos mesmos fatores, preponderando, talvez, as condições de opressão sobre os efeitos letais das enfermidades porque na áfrica já estavam expostos as perigosas doenças europeias. Mesmo depois da abolição o negro livre sofreu redução demográfica e terríveis condições penúria. Havia miserabilidade das populações brasileiras pobres.

Quando escrevo sobre censo, falo do realizado em 1950 ( Darcy Ribeiro situa bem isso no original) esse senso aponta algumas condições de vida e de trabalho de negros e brancos na população brasileira da época.

Considerando, por exemplo, o grupo patronal em conjunto, verifica‐se que as possibilidades de um negro chegar a integra‐lo são enormemente menores, já que de cada mil brancos ativos maiores de dez anos, 23 são empregadores, contra apenas quatro pretos donos de empresas por cada mil empregados. Comparando a posição ocupacional dos 4 milhões de pretos maiores de dez anos de idade com o milhão de estrangeiros registrados pelo mesmo censo, verifica‐se que, enquanto os primeiros contribuem com apenas 20 mil empregadores, os últimos detém 86 mil propriedades. (Darcy Ribeiro, 1995, p. 231).

Os estrangeiros encontraram condições de ascensão social muito mais rápida que o conjunto da população existente, porém enormemente mais intensa que o grupo negro. Eles vieram em busca de melhoria, diferente dos presentes que estavam submersos em plena e absoluta espoliação.

A cada ocupação de alto padrão no senso citado acima de 25 apenas 1 é de preto e em profissões liberais 1 a cada 50. Nas categorias mais humildes como operário entre 7 um é preto e entre lavadores a cada 4 um é preto.

O negro no Brasil só teve oportunidades pesadas como Mao de obra em setores exaustivo enfrentado condições precaríssimas

Ascendendo à condição de trabalhador livre, antes ou depois da abolição, o negro se viajungido a novas formas de exploração que, embora melhores que a escravidão, só lhe permitiam integrar‐se na sociedade e no mundo cultural, que se tornaram seus, na condição de um subproletariado compelido ao exercício de seu antigo papel, que continuava sendo principalmente o de animal de serviço. (Darcy Ribeiro, 1995, p. 232).

O escravo poderia ser mais econômico, mas em contra partida era mais inoportuno, pois ao se desgastar envelheceria num canto da propriedade devotando-se a tarefas mais leves da fazenda. Mas liberto, não sendo de ninguém, se encontrava só e hostilizado, contando apenas com sua força de trabalho, num mundo em que a terra e tudo o mais continuava apropriada. Entao precisavam se sujeitar a exploração que não era maior que antes, mas era agora absolutamente desinteressada do seu destino.

O negro livre dono de certo vigor físico era mais apreciado como trabalhador, fixava‐se e reproduzia já o débil, o enfermo, o envelhecido era simplesmente enxotado como coisa imprestável.

Depois da primeira lei abolicionista ‐ a Lei do Ventre Livre, que liberta o filho da negra escrava nas áreas de maior concentração da escravaria, os fazendeiros mandavam abandonar, nas estradas e nas vilas próximas, as crias de suas negras que, já não sendo coisas suas, não se sentiam mais na obrigação de alimentar. (Darcy Ribeiro, 1995, p. 232).

Depois começaram a ser criadas casas de acolhimento para os negros abandonados pelos fazendeiros, começaram a emergir vilas em margens e para se livrarem da falsa liberdade resolveram se submeter as condições impostas pelos latifundiários.

Os trabalhadores “livres” eram compostos de negro, pardos e brancos pobres esse povo era vitima de aliciação para as fainas que precisassem de Mao de obra, povo predominantemente negro ou mulata que pode ainda hoje ser vista em conglomerados urbanos formadas por mendigos, biscateiros, domesticas, cegos, aleijados, enfermos etc amontoados em lugares miseráveis.

É isso que explica a discrepância entre o contingente branco e negro no Brasil crescendo em população de um para 9. Os números caíram de 6, 6 milhões, em 1940, para 5, 7 milhões, em 1950, voltando a aumentar para apenas 7, 2 milhões, em 1990.

Pesquisas sobre as relações inter‐raciais no Brasil revelam que se somam, no caso, fatores de despreparo do negro para a integração na sociedade industrial e fatores de repulsão, que tornam mais difícil o caminho da ascensão social para as pessoas de cor (Pierson 1945; Costa Pinto 1953; Nogueira 1955; Ianni 1962; Cardoso 1962; Fernandes 1964). A situação de inferioridade dos pardos e negros com respeito aos brancos persiste em 1990. Os poucos dados disponíveis mostram que 12% dos brancos maiores de sete anos eram analfabetos, mas os negros eram 30% e os pardos 29%. Por outro lado, o rendimento anual médio (em Cr$) de pessoas de mais de dez anos era de 32.212 para os brancos, de 13.295 para os pretos e de 15.308 para os pardos (Anuário Estatístico do Brasil, IBGE, 1993). Lamentavelmente, as informações quanto à cor para 1990 são muito mais escassas que para 1950. (Darcy Ribeiro, 1995, p. 234).

Analfabestismo, criminalidade, mortalidade dos negros são elevadíssimas refletindo o fracasso do Brasil em cumpri a profecia de democracia racial que integra o negro em condição de cidadão.

Florestan Fernandes assinalou que “enquanto não alcançarmos esse objetivo, não teremos uma democracia racial e tampouco uma democracia. Por um paradoxo da história, o negro converteu‐se, em nossa era, na pedra de toque da nossa capacidade de forjar nos trópicos esse suporte da civilização moderna” (1964:738 apud Darcy Ribeiro, 1995, p. 235).

Pobreza e negritude caminham juntas, mas são separadas por flagrantes contrastes sociais que se distinguem em círculos de minoria privilegiadas abonadas que conseguiram em meio a penúria alcançar padrões razoáveis de consumo por meio da exploração da maioria produtiva ou excluída da cultura, política e da nação.

Diminuir as diferenças sociais remonta o mais antigo desafio da sociedade brasileira que enseja a integração do povo no sistema de produção do país.
Os brasileiros concentrados nos estratos mais pobres não atuam sócio politicamente porque não conseguem transpassar as barreiras que obstaculizam sua ascensão.

Negro no Brasil não é negro, mas pobre que aspira por ascenção econômica social. O fato de ser negro ou mulato custa um preço adicional porque, à crueza do trato desigualitário que suportam todos os pobres, se acrescentam formas sutis ou desabridas de hostilidade.

O preconceito no Brasil é diferente de outros lugares porque aqui age como força integradora e não como mecanismo de segregação.

O preconceito incidindo sobre cada pessoa, qualquer que seja a proporção conduz necessariamente ao apartamento, à segregação e à violência, pela hostilidade a qualquer forma de convívio. O preconceito dos brasileiros conduz antes a uma expectativa de miscigenação. “Expectativa, na verdade, discriminatória, porquanto aspirante a que os negros clareiem, em lugar de aceita‐los tal qual são, mas impulsora da integração”. (Nogueira, 1955 apud Darcy Ribeiro, 1995, p. 237).

Mais do que preconceitos de raça ou de cor, têm os brasileiros arraigado preconceito declasse. As enormes distâncias sociais entre pobres e remediados, não apenas em função de suas posses mas pelo seu grau de integração no estilo de vida dos grupos privilegiados ‐ como analfabetos ou letrados, como detentores de um saber vulgar transmitido oralmente ou de um saber moderno, como herdeiros da tradição folclórica ou do patrimônio cultural erudito, como descendentes de famílias bem situadas ou de origem humilde ‐, opõem pobres e ricos muito mais do que negros e brancos.

Assim é que mais facilmente se admite o casamento e o convívio com negros que ascendem socialmente e assumem as posturas, os maneirismos e os hábitos da classe dominante, do que com o pobre rude e grosseiro, seja ele negro, branco ou mulato, por sua efetiva discrepância social, e sua evidente marginalidade cultural. (Darcy Ribeiro, 1995, p. 237).

Brancos e negros, vivendo juntos nas mesmas condições lutam juntos pela supressão da pobreza, entrelacando‐se e se mesclando uniformemente forçando conjuntamente sua ascensão a melhores condições de vida, forçam, ao mesmo tempo, a reordenação social.

Onde quer que povos racialmente diferenciados entraram em contato, gerou‐se uma camada mestiça maior ou menor. O que diferencia as condições de conjunção interacial no Brasil das outras áreas é o desenvolvimento de expectativas reciprocamente ajustadas, mais incentivadoras que condenatórias do intercurso, cujo nascimento de um tìlho mulato nas condições brasileiras não é nenhuma traição à matriz negra ou à branca, chegando mesmo a ser motivo de especial satisfação. (Darcy Ribeiro, 1995, p. 238).

Pura ideologia integracionista que tenta mostrar um Brasil integrado puro e alegremente.

No mundo as aspirações populares racistas esperam que os negros clareiem, que os alemães amorenem, que os japoneses generalizem seus olhos amendoados ‐, mas tem o valor de reprimir antes a segregação que o caldeamento.

O que caracteriza o português de ontem e o brasileiro de classe dominante de hoje é a duplicidade de seus padrões de relação sexual: um, para as relações dentro de seu círculo social, e outro, oposto, para com a gente de camadas mais pobres.

Nesse caso, se particulariza, pela desenvoltura no estabelecimento de relações sexuais do homem com a mulher de condição social inferior, movida pelo puro interesse sexual, geralmente despido de qualquer vínculo romântico.

Sem corte prévia, o homem de condição social superior tenta relações com a negra, a índia, a mulata cativante, sempre que se apresenta uma ocasião propícia. O apego, o amor de caráter lírico entre pessoas de nível social díspar, é fato raro, excepcional. As relações sexuais, nessas circunstâncias desigualitárias, nem mesmo geram intimidade, permanecendo a mulher servil ou dependente, tão igualmente respeitosa antes como depois das relações, dada sua posição
social assimétrica em relação ao homem.

Somente quando ascende da pobreza a certa suficiência econômica é que a mulher alcança condições mínimas para aspirar a uma vida sentimental autônoma, para impor dignidade às relações sexuais, conduzindo‐as à forma de um jogo co‐participado e, finalmente, à oportunidade de estruturar uma vida familiar estável, revestida dos símbolos religiosos e legais do reconhecimento social.

Sem dúvida, nos últimos anos, o revivalismo do negro norte‐americano afirma negros e mulatos, afinal orgulhosos de si mesmos e às vezes até compensatoriamente racistas em sua negritude. A transformação dos padrões de relações inter‐raciais parece tender, não a uma simples generalização a todos os valores que presidem as relações
entre a gente das classes dominantes, mas a abrandar a rigidez de
expectativas.

É provável que se atenuem os ideais de branquização do negro como forma de preconceito, mas que prossiga a tendência às relações inter‐raciais, que continuariam a representar um importante papel no processo integrativo.

A massa de brasileiros mulatos é, porém, tão grande e tão amplamente
distribuída pelos estratos das classes média e baixa,

que já será capaz, certamente, de presidir o processo, operando como
geratriz de novos contingentes mais morenos que brancos, mantendo e
fomentando a tendência caldeadora.

Seu papel é tanto mais importante porque os grupos privilegiados ‐ predominantemente brancóides ou tendentes a identificar sua cor de uma ancestralidade antes indígena do que negra ‐, afetados pela ideologia segregacionista, já exibem
posturas intolerantes caracteristicamente racistas.

Entretanto, o vigor da ideologia assimilacionista, assentada na cultura vulgar e também ensinada nas escolas, e das atitudes que começam a generalizar‐se entre todos os brasileiros de orgulho por sua origem multirracial, e dos negros por sua própria ancestralidade, permitirão, provavelmente, enfrentar com êxito as tensões sociais decorrentes de uma ascensão do negro, que lhe augure uma participação igualitária na
sociedade nacional.

É preciso que assim seja, porque somente assim se há de superar um dos conflitos mais dramáticos que desgarra a solidariedade dos brasileiros.

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