A relação entre psicologia e psicologia social deve ser entendida em perspectiva histórica.

Em 1950 houve a sistematização da psicologia social visando criar ou alterar atitudes, interferir nas relações grupais para garantir a produtividade do grupo com objetivo de tornar o homem mais feliz. (p.10). Havia também depois do pós guerra a tendência de buscar conhecimentos que evitassem catástrofes mundiais e nesse sentido havia a fenomenologia.
(p.10).

Mas essa euforia do pós-guerra dura pouco, pois surge analises criticas que apontam para um conhecimento que o saber psicossocial não sabia explicar, tampouco intervir, muito menos prever. (p.11).

O estudo da interculturalidade apontava para uma complexidade ampla dede variáveis e isso desafiava os pesquisadores estatísticos e por isso precisou-se a regredir para análises fatoriais e desenvolvimento de novas técnicas de multirrelevância que fugissem dos termos “como e porque”. (p.11).

Na frança percebeu a psicanálise retornou com força, pois as criticas as psicologias norte americanas estavam em alta como reprodutora dos interesses da classe dominante e produto de condições históricas especificas. (p.11). Esse argumento segundo Lane, invalida a transposição destes saberes para outros países, pois é um saber cultivado sob condições especificas. (p.11).

Faz ênfase que na América Latina de terceiro mundo econômica e culturalmente dependente a psicologia oscila entre o pragmatismo e a visão filosófica ou sociológica. (p.11).

Segundo Lane, o primeiro passo para resolver a crise foi constatar a tradição biológica da psicologia e entender que essa é uma verdade, mas argumenta que concomitantemente o homem pensa, fala, aprende e ensina, ou seja, concebe o homem como organismo, mas que tem características idiossincráticas históricas e sociais. (p.12).

Argumenta que o homem tem uma infraestrutura e a superestrutura que é social e por isso histórica. (p.12).

Para Lane desconsiderar essa característica é que torna a psicologia social inócua que apenas reproduz a ideologia dominante de uma sociedade, pois tira conclusões sobre relações causais pela pura descrição dos comportamentos ocorrendo em dadas situações. (p.12).

Lane não discute que de fato Skinner está certo:
“Não discutimos a validade das leis da aprendizagem; é indiscutível que o reforço aumenta a probabilidade da ocorrência de um comportamento, assim como a punição extingue comportamentos”. (p.12).

Coloca em cheque não esse argumento, mas sim o porquê se aprende alguns e outros são extintos? Porque alguns são reforçados e outros punidos? (p.12).

Lane quer saber quais são as condições sociais onde ocorre a aprendizagem e o que ela significa no conjunto de relações sociais que definem o sujeito na realidade onde vive. (p.12).
Segundo autora o humana traz consigo as questões históricas e sociais e essas não podem ser descartadas, mas quando esse descarte ocorre a visão passa a ser ideológica. (p.12).

O positivismo segundo Lane perdeu o ser humano e a história do individuo recupera, portanto, cabe à psicologia social recuperar o individuo na história com a história e apenas esse conhecimento nos permite uma compreensão do homem enquanto produtor de história. (p.13).

Na medida em que o positivismo descreve o fenômeno em determinado tempo e espaço sem considerar a relação infra e superestrutural mediados pelas instituições sócias, apenas reproduzem a ideologia dominante em termos de frequência observada considerando “natural” e “universal”. Para Lane essa é uma ideologia que se cristaliza nas instituições e que traz consigo a concepção de homem necessária para reprodução de relações sociais fundamentais para a relação da sociedade como produção da vida material da sociedade como tal. (p.13).

Para que essa contradição não negue a sociedade que se produz é necessária à mediação ideológica, ou seja, explicações tidas como verdadeiras que reproduzem as relações sociais necessárias para manutenção das relações de produção. (p.13).

Quando as ciências humanas se atem apenas na descrição das relações distinguindo homens do social elas não conseguem captar a mediação ideológica e a reproduzem como fatos inerentes a natureza do homem. (p.13). A psicologia se esqueceu de que o homem junto de outros transformam a natureza e ao fazer isso transformam-se também.

Exemplo disso foi Skinner; sem dúvida Skinner causou uma revolução na psicologia, mas as condições sociais que os cercam, impediram-no de dar um outro salto qualitativo. Ao superar o esquema S-R, chamando atenção para o homem em relação ao ambiente, para o controle que o ambiente exerce sobre o organismo, criticando o reducionismo biológico, permitiu Skinner ver o homem como produt das suas relações sociais, porem não chega ver esta relação a partir da condição histórica de uma Sociedade. (LANE,p14).
Quando Skinner através da AEC, detecta os controles que as instituições exercem sobre os outros e define as leis da aprendizagem tem-se uma descrição perfeita de um organismo que se transforma em função das consequências de suas ações. (p.14). Quando fala de autocontrole ele se aproxima do que chamamos de consciência de si, descreve o individuo em processos de conscientização de social.

“Skinner aponta para a complexidade das relações sociais e as implicações para analises dos comportamentos envolvidos, desafiando psicólogos para elaboração de uma tecnologia de análise que de conta desta complexidade, enquanto contingencias, presentes em comunidades”. (LANE, p. 14).

Para Lane a falha desses apontamentos Skinnerianos está no fato de não descrever porque alguns comportamentos são reforçados e outros punidos e sem responder a isso passamos a descrever o status quo como imutável e mesmo querendo transformar o homem, como Skinner propõe, jamais o conseguiremos numa dimensão sócio-histórica. (p.14).

“Se a psicologia apenas descrever o que é observado ou enfocar no individuo como causa do e feito em sua individualidade, ela terá uma ação conservadora, estatizante, ideológica quaisquer que sejam asa práticas decorrentes”.(LANE, p.15).

Nesse sentido, estará só reproduzindo as condições necessárias para impedir a emergência das contradições e a transformação social. (p.15).

Para Lane é no materialismo histórico da lógica dialética que encontraremos pressupostos epistemológicos para reconstrução de um conhecimento que atenda a realidade social ao cotidiano de cada um e que permita intervenção efetiva na rede de relações sociais que definem cada individuo – objeto da psicologia. (p.16).

Lane termina argumentando que o homem não sobrevive a não ser em relação com o outro, o homem está inserido num grupo social e dele não se separa, que isso depende da aquisição de linguagem preexistente como código produzido historicamente pela sociedade. (p.16).

Cabe ainda analisar as relações de grupos enquanto medida institucional exercendo uma mediação ideológica na atribuição de papeis sociais e representações decorrentes da atividade e relações sociais tidas como “adequadas, corretas ou esperadas”.

Conscientizar o individuo mostrando as ideologias levando a superação das contradições existentes no cotidiano e tornando-o sujeito de transformação social. (p.17). Não sendo isso apenas um dever da psicologia, mas de todas as áreas que atuam com objetivo do desenvolvimento humano ampliando o conhecimento seja do grupo, do individuo, da sociedade e da produção da sua existência. (p.17).

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