Segundo Lane (p.58) somos um povo colonizado por diversos outros povos simultaneamente, portanto, seria uma riqueza incalculável para ciência achar nessa miscigenação alguém puro.

Lane argumenta que as sabedorias culturais nativas eram mais evoluídas que as europeias e essas sabedorias foram dizimadas por meio da força bruta a fim de se apoderarem do ouro e prata e dos utensílios comercialmente valorizados. (p. 58).

Para Lane a colonização não foi colonização, mas sinônimo de espoliação financeira e cultural, sem considerações culturais, religiosas ou mesmo éticas. (p.58).

A procura da liberdade segundo Lane, foi por meio das lutas e acordos através de discursos políticos utópicos. Essa realidade política categorizou-se como anarquia e isso legitimava os golpes militares que insurgiriam. (p.58).

Esses golpes se utilizavam da força bruta e da violência, além da violência intelectual como as ideologias para subjulgar e dominar a maior parte da população. (p.58 – 59).

Lane argumenta que ditaduras incorruptas eram as mais corruptas em seus altos escalões e que a partir disso se institucionalizou a figura melindrosa do político que rouba, mas faz. (LANE, p 59).

“as políticas eram decididas por slogans como “rouba, mas faz”. (LANE, p 59).

Foi nesse contexto político que surgiu as industrias carentes de Mao de obra barata e por conta disso ouve obviamente o abandono da cultura pecuária e agrária, responsável pela alimentação do dia-dia de quase toda a população.

Então, os psicólogos sociais de quase toda America Latina questionaram o significado do seu conhecimento na influencia real sobre a realidade social existente. (p.59).

A convicção dessa possibilidade levou educadores como Paulo Freire no Brasil e Orlando Farls Borda da Colômbia a atuarem na solução de um trabalho cientifico de conhecimento e intervenção para atuarem em grupos sociais visando o desenvolvimento da consciência. (p.60).

Estes intelectuais impulsionaram a procura de novos caminhos para um conhecimento mais concreto da realidade em que vivíamos e na transformação por meio da participação. (p.60).

Entao a educação passou a ser o desafio dos pedagogos e dos psicólogos, visando a constituição da comunidade. (p.60). Nessa época os termos psicologia comunitária já eram consagrados, mas havia certa conotação paternalista, então, os profissionais acabaram por rechaçar esse tipo de psicologia. (p.60).

Entao a igreja católica iniciou o trabalho de teologia da libertação contando com intelectuais e militantes e as experiências realizadas mostraram que o conhecimento profissional não deveria dominar o popular porque muitas vezes o popular é mais correto. (p.60).

Esse dois saberes poderiam e deveriam trocar conhecimentos, embora, sejam diferentes. (p.60).

Descobriu-se que as relações grupais entre pares eram fundamentais para a superação de um individualismo arraigado. (p.60). Para um verdadeiro conhecimento do ser humano é necessário considerá-lo como uma totalidade das relações sociais e contexto sócio-histórico. (p.61).

Lane aponta a psicologia como descendente da filosofia racionalizada, que surgiu com o objetivo de estudar a alma humana, mas que mudou de objeto quando percebeu a impossibilidade cientifica dessa questão. (p.61).

Enquanto isso a filosofia se escondia até que Marx apontou esse afastamento da realidade por meio da dialética de Hegel. (p.61-62).

Marx segundo Lane, nos obrigou a repensar o humano enquanto agente de sua historia, por um lado com ser alienado e por outro como sujeito da historia de sua sociedade. (p.62).

Surgiu à necessidade da psicologia critica capaz de recuperar o homem enquanto agente de sua historia e esse foi o desafio da America Latina, com a possibilidade de contribuir para eliminação das injustiças sociais, da opressão e da ignorância alienante social e psicológica. (p.62).

Esta se tornou a característica de uma psicologia social latina americana comprometida com o social a fim de imputar uma práxis transformadora. (p.62).

Lane cita Spinoza e argumenta que a ação, o pensamento e os sentimentos, nos conduzem a atividades criadoras ou destruidoras, dependendo da nossa vontade e argumenta a questão emocional na constituição do psiquismo humano, dizendo que trata desse assunto seria retornar a enfrentar velhos desafios da psicologia, ou seja, pensar em como se da o processo criativo. (p.63).

Lane argumenta que é por meio da racionalidade do cientista que se opõem a construção de uma cultura ideológica que poder-se-á traduzir os códigos complexos institucionalizados. (p.64).

E por meio deste expor a realidade, portanto, para Lane:
“a racionalidade foi a grande característica do homo sapiens, qual deveria ser conhecida e desenvolvida pela filosofia, e, consequentemente, tornar se o tema central da pesquisa psicológica”. (LANE, p.65).

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