No mundo é impossível pensar em algo bom e ilimitado a não ser a boa vontade.
Todas as qualidades são boas, mas podem se tornar más e prejudiciais se a vontade de fazer uso não for boa.
Mesmo a felicidade pode produzir um animo que se torna soberbo se não existir boa vontade que corrija as influencia.
Além disso, aqueles que não possuem boa vontade não poderão jamais usufruir da satisfação.
A boa vontade parece constituir a condição indispensável para o fato de sermos dignos da felicidade.
Algumas qualidades são favoráveis e podem facilitar sua obra, porém não tem valor intimo absoluto.
Moderação constitui boa qualidade, mas falha muito para declararmos boa sem reservas, a boa vontade não é boa pelo que promove, mas pelo querer.
A utilidade ou inutilidade não pode acrescer ou tirar de algum valor e não serve para avaliar o valor de alguma coisa, quanto mais uma razão que é cultivada e que se consagra pela felicidade.
Os mais experientes no uso da razão começa a odiá-la quando refletem e percebem que retiram dela mais fadigas do que vantagens, por isso os bem aventurados invejam os seres de condição inferior, pois estes estão mais próximos do puro instinto e não se contaminam diretamente com a razão.
Se a razão não é apta para cuidar, dar segurança e vontade para manutenção de nossas necessidades, então seu verdadeiro destino deverá produzir uma vontade não apenas boa.
Essa vontade terá o bem supremo, pois não é boa ou ruim, mas deverá ser o cerne da questão.
A cultura da razão restringe a conseqüência da felicidade, assegurar a felicidade é um dever, pois sua falta propicia insatisfação que traz consigo a tentação de transgredir.
Todos os homens trazem consigo a inclinação a felicidade, mas a promoção dela acontece por dever e não por inclinação porque assim agrega o valor moral.

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